Cultura

Entre erros e acertos, ‘Sonic 2: O Filme’ expande o universo do personagem de forma redundante, porém, divertida

“Em termos de narrativa, o filme preserva parte da comédia inocente que parece ter definido o sucesso do primeiro, em especial a noção de espelhar a esperteza ingênua do herói nos rumos da história.”

Valter Soares de Souza Junior*
10/04/22 às 16h00
(Foto: Divulgação)

A Paramount Pictures acertou quando em 2020 levou para as telonas ‘Sonic: O Filme’, produção que foi elogiada pela crítica especializada e pelo público, que foi em peso ao cinema, fazendo com que o longa se tornasse a adaptação de videogame com a melhor estreia já lançada. É claro que uma sequência seria filmada, e é nesse contexto que surgiu ‘Sonic 2: O Filme’, dirigido pelo mesmo Jeff Fowler do primeiro longa.

Nesta continuação, após Sonic se comunicar com os humanos e fazer amizade com Tom (James Marsden), além de conseguir juntar todos os anéis mágicos, ele não havia muito mais o que temer na Terra. Contudo, a trama coloca em cena novamente seu arquivilão, o Dr. Ivo Robotnik, enquanto dá espaço para que novos personagens do game possam se destacar, como são o caso de Knuckles e Tails.

‘Sonic: O Filme’ foi considerado uma boa produção de origem e surpreendeu justamente por tratar a história com seriedade e por ser uma ótima adaptação de videogame, algo difícil de acontecer, levando em conta o histórico de longas que foram levados para as telonas e que sucumbiram às críticas dos fãs, justamente pela falta de fidelidade de como se tratam as narrativas dessas produções e como tratam os personagens na hora de adaptá-los para o cinema.

Criaturas mágicas e seres humanos

Neste sentido, em ‘Sonic 2’, era necessário que os roteiristas elaborassem um novo cenário em que pudessem focar a nova aventura, mas que não fugisse muito do que foi o primeiro longa, já que a história havia dado muito certo com os espectadores. Era preciso que o cineasta Jeff Fowler e seu grupo de argumentistas criassem uma atmosfera que pudesse atrair os fãs dos games, mantendo a qualidade do primeiro filme. É aí que vem um dos grandes problemas desta continuação e que salta aos olhos logo quando o Dr. Ivo Robotnik retorna com sede de vingança, que é o fato de o roteiro ser extremamente repetitivo.

Mesmo contando com personagens novos em sua trama, algo que poderia trazer novos ares para a narrativa e que geralmente funciona em produções do gênero, a trama acaba por não caminhar de forma eficiente do jeito que se imaginava. É recorrente os momentos que o diretor utiliza nesta nova produção, que deram certo no primeiro filme, para sair de situações consideradas simples em e que acabam, por vezes, entregando mais do mesmo. Em termos de narrativa, o filme preserva parte da comédia inocente que parece ter definido o sucesso do primeiro, em especial a noção de espelhar a esperteza ingênua do herói nos rumos da história.

Além disso, uma grande dificuldade de ‘Sonic 2’, está no equilíbrio entre as criaturas mágicas e os humanos. Assim como acontece em muitos filmes do gênero, a maior presença de seres fantásticos torna o núcleo humano pouco útil na trama. A dinâmica entre Tom e Maddie Wachowski (Tika Sumpter) com Sonic garantem uma certa dose de carisma, especialmente nas pontes que constroem com o primeiro longa, porém, é nítida a dificuldade de encaixá-los na trama geral. Essa sobra impacta diretamente no ritmo do filme, que parece obrigado a desacelerar justamente quando começa a preparar seu clímax grandioso.

Pós-créditos

Jim Carrey continua fantástico no papel de Dr. Robotnik, que está mais caricato e maléfico em seus planos mirabolantes, ao lado de seu divertido ajudante Rocha (Lee Majdoub). Outra grata surpresa nesta sequência é o personagem Knuckles, com voz do sempre incrível Idris Elba que, de início, assusta com o seu tamanho, a sua voz grossa e sua grande força concentrada nas mãos (que não são pequenas), provando deter a velocidade de Sonic.

Assim, com inúmeros momentos nostálgicos, mensagens bonitas para crianças e adultos e ainda mais segmentos divertidos e piadas bem colocadas do que no primeiro longa-metragem, ‘Sonic 2: O Filme’ é uma das adaptações mais interessantes oriunda do universo dos games, e pode ser apreciado por todos os públicos, incluindo quem não é tão conhecedor da franquia e/ou do personagem. O filme ainda conta com uma cena pós-créditos que deixa clara a intenção de continuar a franquia para ainda mais filmes, pavimentando o caminho para uma nova sequência. O que não fica nítido, porém, é se isso é algo a ser considerado positivo.

Título Original: Sonic the Hedgehog 2

Estreia: 7 de abril de 2022 (Brasil)

Duração: 139 minutos

Gênero: Aventura

Direção: Jeff Fowler

Elenco: James Marsden, Ben Schwartz (Sonic), Jim Carrey, Tika Sumpter, Natasha Rothwell, Colleen O’Shaughnessey (Tails), Idris Elba (Knuckles), Shemar Moore, Adam Pally e Lee Majdoub.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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