Após mais de vinte anos desde seus primeiros lançamentos, a saber, ‘Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes’ e ‘Snatch’, convencionou-se achar os filmes do cineasta Guy Ritchie pouco atraentes. Conhecido por uma assinatura visual marcante, especialmente na criação de um ritmo frenético, o diretor parece, no entanto, estar em busca de um certo grau de minimalismo estético em sua notável filmografia. Em seu novo longa ‘Infiltrado’, ele exercita uma elegância e contenção pouco vistos em suas obras.
A história do filme acompanha Harry, informalmente chamado por H, um sujeito frio e concentrado, altamente capaz, que consegue um emprego como segurança de carro-forte, apesar de evidentemente ser qualificado demais para o trabalho. A empresa é responsável por transferir milhões de dólares em dinheiro todos os dias pela cidade de Los Angeles.
Um dia, quando tentam assaltar o caminhão em que ele está trabalhando, o homem neutraliza os assaltantes, conseguindo se livrar do assalto utilizando habilidades impressionantes. Imediatamente, uma áurea se forma em torno dele e, seus companheiros de trabalho, passam questionar de onde ele veio e suas reais motivações para estar ali. Assim que o mistério envolvendo Harry se desenvolve, um plano maior é revelado.
O principal elemento que se destaca no filme e, aliás, é o condutor da trama toda, é a montagem do longa. Essa montagem é toda calcada no ritmo da obra e o uso habilidoso de transições entre o passado e presente. Apesar disso, ‘Infiltrado’ narra uma história relativamente simples, mas contada de uma forma muitas vezes excessivamente complicada.
O filme certamente não é um exercício de valor neutro e há um tom de lamento em boa parte da ação violenta. O diretor surpreende por construir uma ação mais direta e uma violência realista e menos exagerada, que funciona dentro da proposta contemplativa do longa. É um filme de ação surpreendentemente bom que combina o filme de vingança (reparação) usual, com um filme de assalto.
