Cultura

‘Infiltrado’, longa de ação dirigido por Guy Ritchie e estrelado por Jason Statham

"Essa montagem é toda calcada no ritmo da obra e o uso habilidoso de transições entre o passado e presente. Apesar disso, ‘Infiltrado’ narra uma história relativamente simples, mas contada de uma forma muitas vezes excessivamente complicada"

Válter Soares de Souza Júnior*
03/10/21 às 17h00
(Foto: Miramax/Divulgação)

Após mais de vinte anos desde seus primeiros lançamentos, a saber, ‘Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes’ e ‘Snatch’, convencionou-se achar os filmes do cineasta Guy Ritchie pouco atraentes. Conhecido por uma assinatura visual marcante, especialmente na criação de um ritmo frenético, o diretor parece, no entanto, estar em busca de um certo grau de minimalismo estético em sua notável filmografia. Em seu novo longa ‘Infiltrado’, ele exercita uma elegância e contenção pouco vistos em suas obras.

A história do filme acompanha Harry, informalmente chamado por H, um sujeito frio e concentrado, altamente capaz, que consegue um emprego como segurança de carro-forte, apesar de evidentemente ser qualificado demais para o trabalho. A empresa é responsável por transferir milhões de dólares em dinheiro todos os dias pela cidade de Los Angeles.

Um dia, quando tentam assaltar o caminhão em que ele está trabalhando, o homem neutraliza os assaltantes, conseguindo se livrar do assalto utilizando habilidades impressionantes. Imediatamente, uma áurea se forma em torno dele e, seus companheiros de trabalho, passam questionar de onde ele veio e suas reais motivações para estar ali. Assim que o mistério envolvendo Harry se desenvolve, um plano maior é revelado.

O principal elemento que se destaca no filme e, aliás, é o condutor da trama toda, é a montagem do longa. Essa montagem é toda calcada no ritmo da obra e o uso habilidoso de transições entre o passado e presente. Apesar disso, ‘Infiltrado’ narra uma história relativamente simples, mas contada de uma forma muitas vezes excessivamente complicada.

O filme certamente não é um exercício de valor neutro e há um tom de lamento em boa parte da ação violenta. O diretor surpreende por construir uma ação mais direta e uma violência realista e menos exagerada, que funciona dentro da proposta contemplativa do longa. É um filme de ação surpreendentemente bom que combina o filme de vingança (reparação) usual, com um filme de assalto.

(Foto: Miramax/Divulgação)

O uso de tomadas de câmeras panorâmicas é muito bem-feito no primeiro ato. Boa iluminação, roteiro e atuação também contribuem positivamente para a narrativa. Guy Ritchie usa menos cores que o habitual, optando por uma paleta composta, quase que exclusivamente, pelo cinza, o azulado e o amarelado, cores mais institucionais e que sublinham a frieza do protagonista.

Jason Statham aliás, conduz uma boa atuação, permeada por severidade e silêncio. Vivenciando um protagonista unidimensional, algo que para esse filme não é ruim, ele retrata seu personagem de forma bastante eficaz. O elenco de apoio também é operante.

Contando com algumas participações, tais como: Andy Garcia; Josh Hartnett, queridinho das comédias românticas dos anos 1990; Scott Eastwood, filho do ator e cineasta Clint Eastwood e o rapper americano Post Malone, o diretor reuniu um elenco hábil em ajudar a contar sua história abraçando os diversos estereótipos exigidos pelo roteiro.

O resultado, portanto, é o cinema de ação atualizado com o ritmo do famoso diretor inglês, agora, porém, diferente. Supostamente adaptado do filme francês ‘Le Convoyeur’, de 2004, também conhecido como ‘Cash Truck’; pelo que me lembro do longa original, a adaptação de Guy Ritchie é bastante superior.

Título Original: Wrath of Men

Estreia: 26 de agosto de 2021 (Brasil)

Duração: 119 minutos

Gênero: Ação, Suspense

Direção: Guy Ritchie

Elenco: Jason Statham, Holt McCallany, Rocci Williams, Josh Hartnett, Jeffrey Donovan, Scott Eastwood, Andy García, Deobia Oparei, Laz Alonso, Raúl Castillo, Chris Reilly, Eddie Marsan, Alex Ferns, Niamh Algar, Post Malone, Lyne Renee, Anthony Molinari, Tadhg Murphy, Babs Olusanmokun, Darrell D’Silva


(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!
* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de

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