Em ‘Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis’, a trama apresenta um jovem chinês criado por seu pai em reclusão, sendo treinado em artes marciais. Quando, porém, ele tem a chance de entrar em contato com o resto do mundo, logo percebe que seu pai não é o humanitário que dizia ser, vendo-se obrigado a se rebelar.
Ele passa a levar uma vida pacata ao lado de sua amiga Katy na cidade de São Francisco, mas é atraído para a rede de uma misteriosa organização. Diante disso, Shang-Chi se vê forçado a enfrentar o passado que ele pensou ter deixado para trás, em uma jornada que revelará o segredo de sua linhagem, assim como o seu papel no universo.
Dirigido por Destin Daniel Cretton, cineasta habituado a dramas independentes, e protagonizado por Simu Liu, Awkwafina e Tony Leung, o longa-metragem marca a estreia de um novo e carismático herói no MCU, universo cinematográfico Marvel, além de expor o cinema de artes marciais e o misticismo oriental para os filmes de super-heróis.
Shang-Chi é o primeiro protagonista asiático da Marvel a ganhar um filme. Criado por Steve Englehart e Jim Starlin, a primeira vez que o personagem apareceu em um quadrinho da editora foi na revista ‘Special Marvel Edition nº15’, em dezembro de 1973, sob a alcunha de “Mestre do Kung-Fu”. Na época, a Marvel queria aproveitar o sucesso das artes marciais na cultura pop, resultante dos filmes de Bruce Lee e também da série antológica ‘Kung Fu’ da década de 1970, estrelada por David Carradine.
O filme exibe à tradicional jornada do herói, agora, no entanto, com outro cenário, cultura e personagens. A tal da “fórmula Marvel” ainda é presente, mas o diretor encontra nas referências à cultura chinesa e asiática uma fórmula chamativa o suficiente para criar renovação, ignorar os estereótipos e os utilizar a favor do roteiro escrito por ele e pelos irmãos Dave e Andrew Callahan. Com o uso bem habilidoso de transições entre o passado e presente, o filme de Destin Daniel Cretton é bem eficiente em criar sua própria linguagem e estilo. A história do longa abraça fortemente às extravagantes inspirações místicas e mitológicas, como dragões, bestas, poderes mágicos e o apego às tradições.
Visualmente, o filme é belíssimo e conta com efeitos especiais muito bem-feitos. A cinematografia de combate feita por William Pope aliada à trilha sonora contemporânea de Joel P. West, também constituída por canções da época e produções mais frenéticas, combinam perfeitamente, auxiliando até mesmo o argumento do filme e na condução de sua narrativa. Simu Liu, que já trabalhou como dublê, abraça a oportunidade e se entrega ao personagem título, com movimentos rápidos e extremamente bem coreografados. As várias sequências de luta, inclusive, utilizam de técnicas diferentes de filmagem dependendo de em que momento o enredo se encontra.
