Polícia

Viúva confessa ter dopado e matado o marido estrangulado em Birigui

Disse que teve ajuda de um amigo para desovar o corpo, que foi encontrado no dia 12 de julho, na estrada no bairro rural Casa de Tábua

Lázaro Jr. - Agência Trio Notícias
24/07/26 às 18h32
Cartões de crédito da vítima foram encontrados escondidos debaixo do travesseiro (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil de Birigui (SP) esclareceu o homicídio de Francinaldo Batista Ferreira, 43 anos, cujo corpo foi encontrado na beira de uma estrada de terra, com sinais de estrangulamento, no início da manhã do dia 12 de julho.

A autoria do crime foi atribuída à viúva da vítima, uma mulher de 38 anos, que foi ouvida nesta sexta-feira (24) e confessou ter dopado e estrangulado o marido. Ela revelou ainda que contou com a ajuda de um amigo para desovar o corpo na estrada.

Conforme já divulgado, naquela manhã policiais militares comunicaram a Polícia Civil sobre um encontro de cadáver nessa estrada, que é um complemento da avenida Isaura Macarini Albani. 

Durante a perícia foram constatados ferimentos no ombro direito de Ferreira, que também apresentava lesão no pescoço, provavelmente causada por cadarço ou fio fino semelhante. Havia ainda hematomas nos olhos e a cabeça da vítima estava com coloração arroxeada.

Próximo ao cadáver havia uma camiseta, um par de chinelos e um boné e a polícia foi comunicada do desaparecimento dos documentos pessoais e do celular da vítima.

Mal-estar

Um inquérito foi instaurado pela Delegacia do Município, predidido pelo delegado Eduardo Lima de Paula. Ouvida em declarações, a mulher inicialmente relatou que viveu por 23 anos com a vítima, da qual dependia financeiramente. Porém, alegou que o marido vinha apresentando mal-estar recente e recusara realizar exames médicos, antes de uma viagem que faria ao Nordeste. 

Ainda de acordo com ela, na noite do sábado que antecedeu o encontro do cadáver, Ferreira teria se medicado por conta própria, ingerido bebidas alcoólicas e saído de casa a pé, por volta das 23h, para ir a um suposto churrasco.

Não voltou

Ainda de acordo com o que foi apurado, a viúva relatou que já depois de 1h da madrugada seguinte, um homem desconhecido teria batido na casa dela, conduzindo um VW Gol verde, e os dois teriam saído à procura do marido dela.

Eles teriam circulado com o carro por bares do bairro, na tentativa de localizá-lo, mas não o encontraram. Ela disse ainda que na manhã de domingo, procurou atendimento médico no pronto-socorro, por ansiedade, onde foi informada que um corpo havia sido encontrado. Nesse momento ela reconheceu os pertences do marido. 

Segundo o que foi apurado, nesse primeiro momento a viúva negou participação no crime, porém, a polícia já suspeitava da possível participação da mulher na morte do marido.

Durante a investigação, foram obtidas imagens de câmeras de segurança, que apontaram a presença de um carro suspeito na garagem da residência do casal na madrugada do crime, tendo o veículo deixado o local justamente sentido à estrada onde o corpo foi encontrado.

O celular da vítima também foi encontrado escondido (Foto: Divulgação)

Buscas

Diante disso, o delegado representou pelo mandado de busca e apreensão para a casa dela e a ordem judicial foi expedida. Durante as buscas, nesta sexta-feira, os policiais encontraram dois cartões bancários em nome da vítima, que estavam debaixo de um travesseiro, na cama do casal. 

Já debaixo do colchão, a polícia localizou o celular de Ferreira, que estava sem o respectivo chip. Diante da localização dos objetos, a mulher foi intimada a prestar outro depoimento e, ao ser confrontada pela polícia, decidiu confessar que havia assassinado o marido, alegando que teria seria vítima de supostas agressões domésticas. 

Medicamentos

A viúva revelou que teria planejado e executado o crime na noite do dia 11, quando ofereceu frascos do medicamento sedativo Clonazepam (Rivotril) à vítima, sob o pretexto de tratamento.

Aproveitando que o marido ficou desacordado após tomar o medicamento, ela utilizou uma corda que havia na própria residência para estrangulá-lo. A investigada disse à polícia que, nesse momento, a vítima chegou a despertar brevemente, mas perdeu os sentidos em seguida.

Ela contou ainda que já no início da madrugada entrou em contato com um amigo, o qual esteve na casa dele com um veículo GM Onix azul escuro, carro que seria alugado. Segundo a viúva, ela contou ao amigo que havia assassinado o marido e pediu ajuda para ocultar o cadáver, que teria sido colocado no porta-malas do carro e levado à estrada do bairro rural Casa de Tábua.

Vestígios

Na sequência, a mulher admitiu ter escondido o celular do marido debaixo do colchão e contou que após o crime, acessou as redes sociais do falecido para remover as fotos de perfil dele e quebrou o chip telefônico.

Além disso, também confirmou que havia escondido os cartões bancários da vítima debaixo do travesseiro e viajado para São Paulo, onde se hospedou na casa de um conhecido em São Paulo, tendo permanecido na Capital por dois dias.

Investigação

Segundo a polícia, que dará sequência à investigação, a mulher isentou a filha dela de participação no crime e alegou ter descartado no dia seguinte, a corda e os frascos de remédio vazios utilizados para o assassinato. 

Ela forneceu para a polícia o celular de uso dela, o qual será encaminhado para perícia. A filha da investigada, que estava na casa durante as buscas, negou participação na morte do pai e apresentou o celular dela. Análise preliminar no aparelho não apontou elemento de prova, por isso, ele foi devolvido.

Qualificado

O caso deve ser investigado como homicídio qualificado, já que de acordo com a polícia, o laudo necroscópico confirmou a causa mortis por estrangulamento mecânico. Além disso, apontou indícios de pluralidade de executores ou uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Segundo o que foi apurado pela reportagem, a polícia não encontrou registros das supostas agressões que a viúva alegou que sofria do marido.

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