O Tribunal do Júri de Araçatuba (SP) se reúne nesta quinta-feira (10) para o julgamento de Paulo Henrique Souza Costa, denunciado por homicídio duplamente qualificado, pelo assassinato do cozinheiro Rodrigo Aparecido Simão de Sousa, 26 anos.
O crime aconteceu na madrugada de 1º de março de 2020 e o corpo da vítima foi encontrado na quadra da escola Ezequiel Barbosa, no bairro São José, com ferimentos por disparos de arma de fogo. As partes eram vizinhas e moravam a uma quadra da unidade de ensino.
Durante a investigação, a Polícia Civil descobriu que os dois mantinham um relacionamento afetivo escondido e o crime teria sido motivado porque a vítima estaria ameaçando expor esse relacionamento.
O réu também foi denunciado pelo furto do celular de Souza, que não foi encontrado pela polícia. Entretanto, o relacionamento entre os dois teria sido comprovado por meio de conversas encontradas armazenadas na “nuvem”.
Denúncia
A denúncia cita que a vítima era homossexual e mantinha um relacionamento secreto com o réu, que apesar de ter namorada, a encontrava quinzenalmente às escondidas na escola. Esse relacionamento entre eles, entretanto, seria conturbado e o cozinheiro estaria ameaçando torná-lo público, divulgando fotos que teria de Costa.
Na noite anterior ao crime, Souza enviou mensagem para Costa, pedindo para adiantarem o encontro quinzenal entre eles, que já estava previamente agendado, pois queria ir a um show no dia seguinte.
O encontro não foi antecipado, a vítima passou o dia seguinte em um rancho e ao retornar para casa, tomou banho e acabou dormindo, não indo ao show. Ao acordar durante a madrugada, o cozinheiro foi para a quadra da escola, onde costumava se encontrar com o réu.
Tiros
Entretanto, Costa já estava decidido a matá-lo, por medo de que o caso entre eles fosse exposto. Diante disso, ele foi para o encontro armado com um revólver calibre 38 e já aguardava a vítima.
Quando Souza se aproximou, Costa sacou a arma e passou a atirar na direção dele, que foi atingido no rosto, no peito, no ombro direito e em uma das pernas. Consta ainda na denúncia, que um dos disparos teria sido feito a curta distância, para assegurar o assassinato.
Furto
Ainda de acordo com a denúncia, após o homicídio, o réu furtou o celular da vítima, acreditando que no aparelho estariam as fotos comprometedoras, que ela ameaçava tornar públicas.
A investigação apontou que ele teria escondido o revólver em um casa no bairro São José, que pertenceria a um amigo dele, a qual sabia que estava desocupada. A polícia realizou buscas nesse imóvel durante a investigação do crime e a arma foi localizada. Ela passou por exame de balística, que confirmou que havia sido utilizada para matar o cozinheiro.
Denunciado
Costa deixou a cidade durante a investigação, porém, foi encontrado morando em uma cidade do Estado do Pará, onde foi preso. Ele foi denunciado por homicídio qualificado mediante dissimulação e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima.
Ao ser ouvido em juízo, o réu negou a autoria do crime. Entretanto, alegou que não se lembrava onde estava na data e no horário do crime, afirmando que não se encontrou com o cozinheiro.
Ele inclusive negou ter mantido relacionamento amoroso com a vítima e ter furtado o celular dela. Porém, durante a investigação, familiares de Souza tiveram acesso ao chip do celular furtado, por meio da operadora, e o entregaram à polícia.
Conversas
A perícia encontrou armazenado na nuvem, várias conversas entre os dois, que se falavam por meio de mensagens no WhatsApp e pelas redes sociais. Foi aí que a polícia descobriu que o cozinheiro estaria ameaçando publicar as fotos de Costa nas redes sociais.
Consta na denúncia que a vítima foi encontrada de bermuda, sem cueca e com uma toalha de rosto, indício de que teria ido à escola pensando que teria relações sexuais.
Em juízo, o réu disse não se lembrar se a vítima havia mandado mensagens a ele no dia anterior ao assassinato e nem se teria feito uma a postagem na rede social dele um dia após o crime. Ele segue preso e o julgamento está previsto para começar às 9h, no Fórum de Araçatuba.
