O delegado Marcel Basso, responsável pelo inquérito que investiga a morte de Robert Ronald Ramos Vieira, 29 anos, informou que o policial penal de 39 anos, que foi preso pelo assassinato, confirmou em interrogatório, que fez o terceiro disparo quando a vítima já estava caída.
O crime aconteceu na noite de 30 de agosto, na frente de um estabelecimento comercial na rua Pedro Álvares Cabral, esquina com a avenida Waldemar Alves, em Araçatuba (SP).
Conforme já divulgado, Vieira havia pego uma réplica de pistola no carro dele, colocado na cintura e, quando retornava para o veículo, abraçado à esposa dele, foi abordado pelo policial penal, que atirou três vezes contra ele.
A abordagem foi gravada por câmeras de monitoramento e pelos vídeos, que foram entregues à polícia, percebe-se que há música ao fundo e que as partes conversam antes dos disparos, que foram feitos num intervalo de aproximadamente 5 segundos.
Dois deles foram feitos em sequência e o terceiro, cerca de 4 segundos depois, quando as partes já estão fora do alcance das câmeras.
Caído
Em entrevista concedida à imprensa na manhã de quarta-feira, o delegado responsável pela investigação informou que no depoimento formal, na presença de um advogado, o policial penal manteve a versão de legítima defesa, o que não ficou configurado no entendimento da polícia.
Segundo a autoridade policial, o investigado disse que por imaginar que Vieira estaria de posse de uma arma de fogo verdadeira, ele realizou a abordagem. “Como segundo ele, a vítima não obedeceu as ordens de levantar os braços e informar que estava armada. Ao realizar a busca pessoal, ele detectou que realmente havia um volume” , conta.
Ainda na versão do investigado em depoimento, de acordo com o delegado, inicialmente ele fez dois disparos e, ao ser atingido, Vieira caiu no chão. “Já caído ao chão, segundo ele (policial penal), novamente a vítima leva a mão em direção a essa, então arma, e ele efetuou o terceiro disparo, vindo somente depois a saber que se tratava de um simulacro” , conta.
Prosseguimento
O delegado explicou que já concluiu e relatou o inquérito à Justiça, pois quando ocorre homicídio com prisão em flagrante, esse prazo é de dez dias, de acordo com a legislação. O Ministério Público inclusive já denunciou o acusado por homicídio qualificado com emprego de meio que resultou perigo comum e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Entretanto, Basso deixou claro que ainda há diligências em andamento e que as informações a serem apuradas serão encaminhadas posteriormente à Justiça, assim como os laudos do Instituto de Criminalística relacionado à perícia e também do IML (Instituto Médico Legal), referente ao exame necroscópico.
Também deve ser periciada a arma do policial penal e os projéteis e cápsulas que foram foram recolhidas durante a perícia no local do crime.
Divergências
O Ministério Público também requisitou novas diligências da Polícia Civil relacionada à investigação. Entre outras coisas, o promotor de Justiça Adelmo Pinho quer saber se o policial penal fazia segurança privada para algum estabelecimento no local quando aconteceu o crime.
De acordo com o delegado, essa informação ainda está sendo apurada, pois há divergências entre o depoimento do próprio investigado, dos responsáveis pelo estabelecimento comercial existente naquele cruzamento e de outras pessoas ouvidas.
“Existem pessoas que foram ouvidas que não declinaram dessa maneira, apontaram ele como um assíduo cliente, entretanto ele, no próprio interrogatório, afirmou que estava ali fazendo segurança. Então é algo que o inquérito está esclarecendo” , informou.
Preso
O policial penal segue preso em uma unidade prisional de Caiuá e a reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa dele.
