Economia

Região de Araçatuba gera mais de 5,7 mil empregos formais em 2021

Saldo é o maior desde 2012, quando o número de vagas abertas foi de 8.643; Andradina, Araçatuba e Birigui foram os municípios que tiveram maior desempenho

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
03/02/22 às 23h52

A região de Araçatuba (SP) conseguiu recuperar a empregabilidade em 2021, mesmo com a turbulência provocada pela pandemia de covid-19.

O saldo do emprego na região, composta por 43 municípios, foi de 5.747 vagas abertas no ano passado, o maior número desde 2012, conforme a série histórica do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Previdência.

Em 2020, os mesmos 43 municípios demitiram mais do que contrataram, encerrando o período com 750 postos de trabalho fechados, ou seja, saldo negativo.

As cidades que tiveram melhor resultado no ano passado foram Andradina, cujo saldo foi de 999 vagas; seguido por Araçatuba (980) e Birigui (920). No entanto, municípios menores, como Pereira Barreto, Auriflama, Valparaíso, Castilho, Mirandópolis e Suzanápolis, registraram bons números, ficando entre os dez com maior saldo no ranking regional.

No topo

Em Andradina, o saldo foi puxado pelo desempenho do setor de serviços, que abriu 473 oportunidades. Porém, os demais principais segmentos da economia – indústria, comércio, construção e agropecuária – também contrataram mais do que demitiram em 2021, somando o registro de 7.650 trabalhadores ao longo do ano, contra 6.651 demissões.

Setor de serviços foi o que mais abriu oportunidades em Araçatuba e Andradina (Foto: Agência Brasil)

O setor de serviços também impulsionou os empregos em Araçatuba, cidade-sede da região. Se fosse considerar apenas essa área econômica, o saldo seria ainda maior: 1.304 vagas abertas. No entanto, a indústria teve resultado negativo (-651 empregos), ajudando a reduzir o resultado final para 980.

Já em Birigui, a indústria liderou as contratações, com 848 empregos criados, seguida pelo comércio, cujo saldo foi de 256 vagas de trabalho. O cenário é bem diferente quando comparado a 2020, quando a indústria e comércio foram os setores que mais demitiram.

Outros dados

Dos 43, apenas 10 municípios tiveram resultado negativo em 2021: Nova Castilho, Bento de Abreu, Braúna, Guararapes, Piacatu, São João de Iracema, Brejo Alegre, Coroados, Itapura e Sud Mennucci.

Em 2020, 26 municípios fecharam o ano com demissões, sendo em Birigui o pior saldo (-812).

Região teve em 2021, o maior saldo desde 2012 (Fonte: Caged/Novo Caged)

Série histórica

Na série histórica do Caged, foi o melhor desempenho da região desde 2012, quando o saldo ficou em 8.643 empregos.

No entanto, é preciso ressaltar que em janeiro de 2020 o uso do sistema do Caged foi substituído pelo eSocial (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas). Isso significa que além da pesquisa realizada mensalmente com os empregadores, o sistema também puxa dados do eSocial e do empregadorWeb (sistema no qual são registrados pedidos de seguro-desemprego), tendo uma base maior de dados.

Para o economista Marco Aurélio Barbosa de Souza, a mudança na metodologia, que ainda passa por alguns ajustes, não interfere no resultado da região, que realmente foi positivo. Isso porque, segundo o especialista, o desempenho do mercado de trabalho tem uma correlação muito forte com o próprio dinamismo da economia, mais precisamente com a variável PIB (Produto Interno Bruto).

“Se a gente pega o Caged no passado, na série histórica, verificamos que nos anos que a economia vivenciou uma crise, ou seja, quando tivemos recessão, a região fechou com elevado saldo negativo no mercado de trabalho. Já em épocas de pequeno crescimento, como por exemplo, 2019, tivemos um saldo, pequeno em comparação a expectativa, mas que correlaciona ao crescimento da economia”, explica.

Crescimento

No ano passado, o Brasil cresceu no mínimo 4% (os dados consolidados serão divulgados em março pelo IBGE). “Por isso, esses dados tanto do Brasil, que gerou 2,7 milhões de empregos, São Paulo, com 814 mil, e agora a região, correspondem à realidade do crescimento da economia”, comparou o economista.

Dados da Fundação Seade, que mensura o PIB trimestral das regiões, mostram no acumulado de janeiro a setembro, um crescimento de 7% no PIB regional, segundo Souza. “É um ritmo de crescimento importante que se reflete favoravelmente na geração de emprego”.

2022

No entanto, para este ano, a previsão é de nova turbulência, em decorrência do ano eleitoral e também da expectativa de mercado. O relatório Focus, do Banco Central, tem apontado uma expectativa de crescimento próximo de 0,5%. “Se esse baixo crescimento se materializar ao longo do ano, vai com certeza impactar no mercado de trabalho trazendo um pouco mais de dificuldade para que a região conquiste a geração de emprego e consiga manter esse saldo favorável de 2021”, prevê o especialista.

Um indicativo é o aumento Selic, a taxa básica de juros do País, que passou a ser acima de dois dígitos (passou de 9,25% a 10,75% a.a. nesta quarta-feira). Esse encarecimento do crédito para pessoa física e jurídica impacta no ritmo de crescimento, mas faz parte de uma política monetária contracionista para tentar segurar a inflação.

“Ainda assim os dados mostram uma desaceleração da economia no final do ano. A inflação, que ainda está elevada, tira o poder aquisitivo das famílias e acaba diminuindo o potencial de crescimento econômico”, segundo Souza.

“É um cenário de que traz grandes desafios para a região, que tem suas potencialidades, como o turismo, que tem atraído investimentos e é um eixo importante de alavancagem de desenvolvimento regional, além do agronegócio, que é sempre um elemento importante para a economia da região em suas cadeias produtivas”, complementou.

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