Série histórica
Na série histórica do Caged, foi o melhor desempenho da região desde 2012, quando o saldo ficou em 8.643 empregos.
No entanto, é preciso ressaltar que em janeiro de 2020 o uso do sistema do Caged foi substituído pelo eSocial (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas). Isso significa que além da pesquisa realizada mensalmente com os empregadores, o sistema também puxa dados do eSocial e do empregadorWeb (sistema no qual são registrados pedidos de seguro-desemprego), tendo uma base maior de dados.
Para o economista Marco Aurélio Barbosa de Souza, a mudança na metodologia, que ainda passa por alguns ajustes, não interfere no resultado da região, que realmente foi positivo. Isso porque, segundo o especialista, o desempenho do mercado de trabalho tem uma correlação muito forte com o próprio dinamismo da economia, mais precisamente com a variável PIB (Produto Interno Bruto).
“Se a gente pega o Caged no passado, na série histórica, verificamos que nos anos que a economia vivenciou uma crise, ou seja, quando tivemos recessão, a região fechou com elevado saldo negativo no mercado de trabalho. Já em épocas de pequeno crescimento, como por exemplo, 2019, tivemos um saldo, pequeno em comparação a expectativa, mas que correlaciona ao crescimento da economia”, explica.
Crescimento
No ano passado, o Brasil cresceu no mínimo 4% (os dados consolidados serão divulgados em março pelo IBGE). “Por isso, esses dados tanto do Brasil, que gerou 2,7 milhões de empregos, São Paulo, com 814 mil, e agora a região, correspondem à realidade do crescimento da economia”, comparou o economista.
Dados da Fundação Seade, que mensura o PIB trimestral das regiões, mostram no acumulado de janeiro a setembro, um crescimento de 7% no PIB regional, segundo Souza. “É um ritmo de crescimento importante que se reflete favoravelmente na geração de emprego”.
2022
No entanto, para este ano, a previsão é de nova turbulência, em decorrência do ano eleitoral e também da expectativa de mercado. O relatório Focus, do Banco Central, tem apontado uma expectativa de crescimento próximo de 0,5%. “Se esse baixo crescimento se materializar ao longo do ano, vai com certeza impactar no mercado de trabalho trazendo um pouco mais de dificuldade para que a região conquiste a geração de emprego e consiga manter esse saldo favorável de 2021”, prevê o especialista.
Um indicativo é o aumento Selic, a taxa básica de juros do País, que passou a ser acima de dois dígitos (passou de 9,25% a 10,75% a.a. nesta quarta-feira). Esse encarecimento do crédito para pessoa física e jurídica impacta no ritmo de crescimento, mas faz parte de uma política monetária contracionista para tentar segurar a inflação.
“Ainda assim os dados mostram uma desaceleração da economia no final do ano. A inflação, que ainda está elevada, tira o poder aquisitivo das famílias e acaba diminuindo o potencial de crescimento econômico”, segundo Souza.
“É um cenário de que traz grandes desafios para a região, que tem suas potencialidades, como o turismo, que tem atraído investimentos e é um eixo importante de alavancagem de desenvolvimento regional, além do agronegócio, que é sempre um elemento importante para a economia da região em suas cadeias produtivas”, complementou.