Faleceu nesta terça-feira (20/08), em Araçatuba (SP), aos 88 anos, o agropecuarista e ex-presidente do Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste), Alfredo Ferreira Neves Filho, ou Alfredinho, como era mais conhecido. Ele estava internado na Santa Casa de Araçatuba desde o último dia 6, por causa de complicações hepáticas.
Foi uma referência do setor pelo empenho que sempre demonstrou na defesa do agronegócio, por tudo o que conquistou e proporcionou a sua área de atuação, além do respeito com que tratava todos. Era chamado de “eterno presidente” do sindicato.
O atual presidente do Siran, Fábio Brancato, manifestou seu pesar. “É difícil acreditar que ele não está mais aqui. Nos acostumamos a ver o Alfredinho e o seu marcante chapéu em todos os eventos da agropecuária regional. Era um ícone. Em relação ao SIRAN, ele marcou antes, durante e depois de ser presidente da entidade. Pelo bom relacionamento que cultivava em todas as esferas, era conhecido no Brasil inteiro, e levou o nome de Araçatuba e do sindicato para todo o território nacional. O Alfredinho fará muita falta”, comentou Brancato.
O ex-presidente (2014 – 2017) e atual diretor do sindicato, Marco Antônio Viol, também se sensibilizou com o falecimento de Alfredinho. “Ele foi um exemplo. Arrojado, diversificou criação e cultivo, criou búfalo e boi, plantou soja e cana, e ainda participou ativamente de decisões setoriais. O Alfredinho deixa um legado de determinação de quem trabalhou e contribuiu para o desenvolvimento da agropecuária na região, no Estado e no Brasil”, afirmou Viol.
O diretor do Siran, Arnaldo Vieira dos Santos Filho, fez questão de elogiar Alfredinho. “Ele representou uma geração admirável de pecuaristas que impõem respeito a produtores rurais, representantes classistas e políticos, de forma geral. Penso que o SIRAN nunca vai se desvencilhar da figura dele, que sempre atuou de forma intensa pelos interesses da agropecuária. Só temos a agradecer pela projeção que ele nos deu, tanto ao SIRAN quanto a Araçatuba e região”.
O velório será na capela Cardassi, da avenida Saudade, a partir das 21h, e o enterro está marcado para as 11h, de amanhã, no Cemitério da Saudade.
Dinâmico, simpático e dedicado
Ícone do setor agropecuário, Alfredinho nasceu em Monte Azul Paulista em 28/02/1931, e formou-se técnico agrícola em Jaboticabal (SP). Dinâmico desde sempre, encontrou tempo para destacar-se na juventude como esportista, jogando no São Paulo Futebol Clube de Araçatuba, onde foi Campeão do Interior, na categoria Profissional. Na cidade, durante a década de 1950, trabalhou como contador da concessionária Ford.
Em 1962, casou-se com Irma Arias Neves e com ela teve as filhas Fernanda e Cristiane. Deixa também quatro netos, sendo que um deles segue o exemplo do avô. O administrador Thomas Rocco é gestor agropecuário e diretor do SIRAN. Em 1970, iniciou as suas atividades na agricultura e na pecuária nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo (proprietário das fazendas Piratininga e Monte Verde, em Guararapes).
Em 1979, juntamente com outros pecuaristas, organizou a primeira ExpoBúfalo Nacional. Foi eleito presidente da Associação de Criadores de Búfalo, em 1983, e ocupou o cargo até 1986. Como pecuarista, sempre esteve presente nas comissões organizadora das Exposições Agropecuárias de Araçatuba (Expô).
Foi eleito vice-presidente do Siran em duas ocasiões: em 1998, sob a presidência de José Luiz Gottardi; e entre 2001 e 2004, na gestão do presidente Fernando José Cazerta Aguiar. Em 2006, chegou à presidência do sindicato e lá ficou por duas gestões, até 2009, ano em que a Expô completou o seu cinquentenário.
Em 2007, conseguiu junto ao governador do Estado, José Serra, e ao secretário de Agricultura e Abastecimento, João Sampaio, reformas no recinto de exposições Clibas de Almeida Prado. No ano seguinte, foi empossado coordenador da mesa diretora de Assuntos Técnicos e Econômicos da Pecuária, pela Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (FAESP). Permaneceu no cargo até 2012. Também foi presidente da Câmara Setorial da Carne Bovina.
