Polícia

Acusado confirma que jovem grávida dele e amigo foram queimados vivos

Investigado ficou em silêncio ao ser preso, mas agora pediu para ser ouvido; alegou que o motivo do crime foi vingança e que não tinha certeza que Ellen estava grávida dele; polícia não descarta que crime tenha sido passional

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
20/11/20 às 16h30
Polícia ainda aguarda DNA para confirmar a identificação do casal vítima (Foto: Reprodução)

O calçadista de 38 anos, principal acusado do assassinato de um casal de Birigui (SP), ocorrido no início de outubro, confessou a participação dele no crime. Ele ficou em silêncio ao ser preso temporariamente, mas na quarta-feira (18) foi ouvido a pedido, na cadeia de Penápolis, onde está à disposição da Justiça.

O acusado confirmou a versão de outros investigados, de que o casal foi queimado vivo. Ele afirmou que o crime foi cometido por vingança, acusando o casal de tê-lo “caguetado” duas vezes para a polícia.

A primeira foi com relação a uma tentativa de homicídio na qual ele esfaqueou um homem de 39 anos; e o outra estaria relacionada à venda de drogas que o levou a ser abordado pela polícia na noite anterior ao duplo homicídio.

Depoimento

O investigado foi ouvido pelo delegado Paulo de Tarso, de Coroados, que estava acompanhado de investigadores de polícia de Coroados e Birigui. O crime é investigado pela Polícia Civil de Coroados porque os corpos de Ellen Priscila Ferreira da Silva e Eli Carlos dos Santos foram encontrados carbonizados, dentro de um Ford Ka, em um canavial à beira de uma estrada no município em 17 de outubro.

No dia 29, a polícia prendeu o calçadista, a companheira dele e outros dois rapazes, acusados de participação no crime. A companheira dele confessou participação no crime, mas o calçadista ficou em silêncio na ocasião.

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Crack

Em depoimento na quarta-feira, o calçadista disse que encontrou Ellen e Eli Carlos e foram fumar crack em um motel da cidade. Na versão dele, enquanto consumiam o entorpecente, houve uma discussão entre ele e Eli Carlos. Sob argumento de que havia sido traído, o acusado esfaqueou a vítima.

Ellen teria tentado defender o amigo e também foi esfaqueada, segundo o acusado. Com medo dos funcionários do chamarem a polícia por causa do barulho, ele deixou o local trazendo Ellen no banco traseiro e Eli no porta-malas.

Dizendo que os levaria até o pronto-socorro, ele foi em direção ao bairro Moimaz e no caminho, telefonou para a companheira dele, pedindo que o encontrasse.

Fogo

Segundo o acusado, a companheira dele chegou conduzindo um GM Prisma que foi apreendido dias depois. Ela teria discutido com Ellen e ele teria pedido à mulher dele que buscasse gasolina. A mulher teria saído e retornado cerca de 20 minutos depois, acompanhada de dois rapazes, trazendo o combustível.

O acusado disse que foi com os dois rapazes no carro da vítima até o local onde ocorreram as mortes. Ainda de acordo com ele, um dos rapazes teria jogado o combustível no casal, a mando dele, que foi quem ateou fogo usando um papel.

Após o crime todos deixaram o local, mas ele retornou posteriormente para retirar as placas do carro e dificultar a identificação.

Gravidez

O calçadista alegou que não tinha certeza se Ellen estava grávida dele, o que lhe foi confirmado apenas na delegacia. Por fim, alegou estar arrependido dos atos que cometeu, que acabaram prejudicando outras pessoas, inclusive a companheira dele.

Apesar da versão apresentada pelo investigado, a polícia continua acreditando na possibilidade de o crime ter motivação passional e até dívida por drogas. Apesar de Ellen estar esperando um filho do calçadista, ele havia reatado o relacionamento recentemente com a companheira dele, que também estaria grávida e queria que a vítima fizesse um aborto.

Durante a investigação, o calçadista chegou a simular uma tentativa de homicídio contra ele próprio, com objetivo de tentar desviar o foco sobre ele.

Os quatro investigados permanecem presos e o inquérito deve ser relatado à Justiça nos próximos dias.

Corpo de casal de Birigui foi encontrado carbonizado dentro de carro em Coroados (Foto: Hojemais Araçatuba)
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