Polícia

Homem é preso após matar colega esfaqueado em Buritama

Estavam morando juntos havia algumas semanas e a vítima não teria deixado o acusado fritar peixe; ele deve ser submetido a exame médico pericial, pois passaria por tratamento psiquiátrico

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
07/01/23 às 10h22

Um homem de 47 anos foi preso em flagrante na tarde de sexta-feira (6), em Buritama (SP), acusado de matar Diego Lúcio do Nascimento, 35 anos, com um golpe de faca no peito. O crime aconteceu na casa da vítima, onde o acusado estava residindo havia algumas semanas. Ele confessou a autoria.

A prisão foi feita por policiais civis que por volta das 16h foram informados que haveria uma pessoa morta numa casa na rua José Barbosa dos Santos e no local encontraram o corpo de Nascimento. Ele tinha um ferimento por faca no peito e já estava sem vida.

Ainda no local os investigadores foram informados que o autor seria o acusado, que estava morando com a vítima. Eles iniciaram as diligências e o encontraram há quase dois quilômetros do imóvel onde ocorreu o crime. Segundo a polícia, o investigado confessou que havia acabado de esfaquear o colega, que não teria deixado ele fritar peixe.

Ferimento

A casa de Nascimento foi preservada para realização de perícia, que apreendeu a faca usada para matá-lo. Foi constatado que a vítima levou um único golpe no peito, enquanto preparava a refeição.

Os peritos estimaram ainda, levando em conta a condição cadavérica, que o crime teria ocorrido por volta das 14h. No local também foi apreendido o chinelo utilizado pelo investigado, pois na casa havia marcas de sangue compatíveis com pegadas deixadas pelo calçado quando o autor fugiu.

Surto

O acusado foi apresentado na delegacia de Buritama, onde também esteve uma irmã dele. Em depoimento ela disse que o irmão dela possui distúrbios psiquiátricos, o que foi confirmado por servidora da Prefeitura que atua no CAPS (Centro de Apoio Psicossocial) de Buritama.

Já o investigado informou que ja? foi preso por tra?fico de drogas e furto, e? usua?rio de entorpecentes e a?lcool faz uso de medicamentos controlados e ja? ficou internado 1 ano e 6 meses no Hospital Psiquia?trico de Taubate?.

Ele confirmou que faz tratamento no CAPS em Buritama, mas disse que nesta semana na?o compareceu nas consultas. Segundo o investigado, ele conheceu Nascimento há cerca de seis meses e fazia  uma semana que estava morando com ele, na reside?ncia que era alugada pela vítima, com quem mantinha um relacionamento de amizade. 

Bebida

Ainda segundo o acusado, ele e Nascimento beberam cachac?a desde a noite anterior e durante o dia, ele resolveu fritar um peixe na cozinha. O investigado disse que estava limpando o peixe na pia da cozinha com uma faca da casa da vi?tima, ja? pela manha?.

Nascimento teria dito que na?o era para fritar o peixe, teve início uma discussa?o e a vítima teria tentado enforca?-lo. Nesse momento, segundo o acusado, teria baixado um “trem” nele, que passou a se portar de maneira estranha.

Como estava com a faca utilizada para limpar o peixe na ma?o, o acusado disse que deu uma “cutucada” na altura do peito da vítima, que saiu andando pelo corredor e caiu na porta do quarto.

O acusado alegou que tentou reanimar Nascimento, mexendo no corpo, mas ele na?o reagiu, fazendo com que entrasse em desespero, por isso, pegou os documentos e saiu da casa. Ele disse na?o saber com certeza o hora?rio dos fatos, devido à cachac?a que havia bebido junto com os reme?dios controlados.

Relatou ainda que após o crime foi para a casa de uma conhecida, contou o que havia acontecido a ela e foi encontrado e preso por policiais civis enquanto estava deitado na calc?ada pro?ximo a? casa dela. Por fim, o acusado alegou estar arrependido.

Insanidade 

O delegado que presidiu a ocorrência decidiu pela prisão em flagrante do investigado por homicídio qualificado por motivo fútil. Entretanto, acostou no despacho peça de um processo de 2019, no qual foi imposta a ele medida de segurança de internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico.

A autoridade policial ainda representou pela instauração do incidente de insanidade mental, para que o acusado seja submetido a exame médico pericial para verificação do grau de inimputabilidade.

O corpo de Nascimento passaria por exame necroscópico, toxicológico e subungueal, para analisar possível material debaixo das unhas, que possa indicar possível confronto, antes de ser liberado para velório e enterro.

Foto: Divulgação/Ilustração
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