Polícia

Mortes de idosos por quedas chamam atenção para os cuidados com eles

Especialistas dão dicas de como prevenir quedas como a de um homem de 81 anos, que morreu na semana passada em Araçatuba

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
23/04/20 às 11h58
Rodrigo Mendonça é cirurgião e coordenador do Serviço de Neurocirurgia da Santa Casa de Araçatuba (Foto: Divulgação)

Praticamente toda semana o Hojemais Araçatuba publica matérias sobre acidentes domésticos com quedas, que acabam sendo fatais. Muitas vezes, as vítimas são pessoas idosas, que merecem cuidados redobrados.

A reportagem ouviu especialistas nas áreas neurológica e de ortopedia, para explicar as consequências desses acidentes e com preveni-los.

O cirurgião e coordenador do Serviço de Neurocirurgia da Santa Casa de Araçatuba (SP), Rodrigo Mendonça, explica que se a vítima de queda é pessoa idosa, a lesão normalmente é mais grave.

De acordo com ele, o cérebro de pacientes com idade mais avançada está com baixa plasticidade, ou seja, tem menos chance de recuperação.

Agravantes

Mendonça alerta que há outros agravantes que precisam ser levados em consideração no tratamento de paciente idoso. Como muitos deles tomam medicamentos anticoagulantes para outras comorbidades, como problemas cardíacos, isso pode influenciar em caso de lesões, principalmente na cabeça.

Foi o que teria ocorrido com um aposentado de 81 anos, morador no bairro Aviação, em Araçatuba, que morreu na Santa Casa na quinta-feira (16), após passar por cirurgia. O idoso sofreu uma queda da própria altura em casa e, apesar de ter batido a cabeça, de início não apresentou alteração nos sentidos.

Porém, precisou ser hospitalizado dois dias depois, chegou a passar por cirurgia e não resistiu. Isso normalmente ocorre, de acordo com o neurocirurgião, porque o medicamento anticoagulante, com o passar do tempo, provoca um hematoma cerebral, que acaba levando à morte.

Por isso, ele orienta que em qualquer caso de queda com impacto na cabeça, principalmente se a vítima apresentar alteração, como confusão e dor de cabeça frequente, que seja levada ao serviço de emergência para passar por tomografia.

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O médico ortopedista e traumatologista Célio Mori, alerta sobre a incidência de morte de idosos após cirurgias (Foto: Divulgação)

Ortopedia

Mas não são apenas os acidentes com queda e lesão na cabeça que podem ser fatais.

O médico ortopedista e traumatologista Célio Mori, coordenador da Residência de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa, alerta que a incidência de morte de idosos no primeiro ano após cirurgias para tratar ou corrigir fraturas sofridas chega a 30%.

De acordo com ele, por semana a Santa Casa de Araçatuba recebe de dois a três pacientes idosos com fraturas para atendimento médico.

Entre as lesões ortopédicas mais comuns estão as de punho, de coluna e principalmente as de fêmur, na altura da bacia, que são consideradas as mais graves, pois necessariamente demandam cirurgia.

Causas

Sobre as causas das fraturas, o ortopedista explica que elas podem ser consequência do próprio organismo, como a osteoporose, comum em pessoas com mais de 60 anos.

Ele alerta que devem ser redobrados os cuidados com pacientes com problemas neurológicos, que fazem uso de medicamentos controlados, como calmantes ou para estimular o sono.

As quedas também podem ser causadas por outras complicações, como a catarata, que compromete a visão; transtornos cardiovasculares, como hipertensão e arritmia; diabete descontrolada, seja para mais ou para menos; hiper ou hipotiroidismo; tonturas; vertigens; e labirintite.

Prevenção

A idade avançada o fato de ter passado por algum tipo de procedimento cirúrgico por si só já comprometem a mobilidade e reduz a coordenação motora dos idosos. Por isso, eles precisam de alguns cuidados pessoais e principalmente viver em um ambiente adaptado para essa realidade.

Com relação aos cuidados pessoais, está a utilização de calçados adequados dentro de casa. O ideal de acordo com os especialistas, é que os idosos que gostam de ficar de chinelo usem sempre os de solados antiderrapantes. Isso ajudará a reduzir o risco de queda.

Por fim, a prática de exercícios físicos, incluindo o treinamento do equilíbrio, é fundamental na prevenção de quedas, segundo os especialistas.

Imagem: Ilustração
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