Polícia

Polícia investiga utilização de Oscip para realização de bingo irregular

Policiais militares flagraram aproximadamente 70 pessoas participando de jogo que era realizado em estacionamento alugado

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
25/03/19 às 10h17
Local foi fechado pela Polícia Militar, que recolheu computadores e demais objetos usados na prática de bingo (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)

A Polícia Civil de Araçatuba (SP) irá investigar um grupo de pessoas por utilizar uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) para realizar bingo irregular em um estacionamento de veículo na região central da cidade.

Aproximadamente 70 pessoas foram encontradas participando do jogo de azar no local na tarde de domingo (24), durante ação da polícia militar.

Cinco pessoas foram detidas e levadas para a delegacia acusadas de serem responsáveis pelo jogo, entre elas, quatro mulheres. Pelo menos uma delas já é conhecida da polícia pela realização de bingo.

Segundo o boletim de ocorrência, por volta das 16h houve denúncia anônima pelo telefone 190 informando que estava ocorrendo um bingo ilegal no prédio do estacionamento, localizado na avenida Rangel Pestana, em frente ao Multishop. De acordo com a denúncia, no local ainda teria máquinas caça-níqueis em funcionamento.

No prédio, os policiais encontraram aproximadamente 70 pessoas, público composto em sua maioria por idosos. Havia ainda ainda várias telas mostrando o sorteio e vários computadores eram utilizados pelos participantes para jogar.

Segundo a polícia, um locutor anunciava as bolas sorteadas e tinha até um bar para servir o público.

Beneficente

No local, os policiais falaram com uma mulher de 33 anos, moradora no bairro Vilela, identificada como gerente do bingo.

Ela alegou que o evento era filantrópico e que para participar, a pessoa teria que colaborar com um quilo de alimento não perecível. Quem não fizesse a doação teria que pagar R$ 5,00 para entrar.

Ainda segundo a investigada, a premiação oferecida era parte do valor arrecadado com o evento. O restante da arrecadação seria utilizado para pagar o aluguel do prédio e os funcionários.

Por fim, a mulher afirmou que um percentual não informado da arrecadação seria direcionada para a Oscip, com sede em São Paulo, e para outras cinco instituições beneficentes.

Computadores e impressos para realização de bingo foram apreendidos pela Polícia Militar (Foto: Divulgação)

Investigação

A polícia informa que durante a fiscalização, a mulher apresentou cópia de um ofício que foi entregue no 3.º Distrito Policial e no Batalhão da Polícia Militar em outubro do ano passado.

No documento, os organizadores se apresentam como membros da Oscip, entidade com fins filantrópicos e realiza sorteios e bingos de cartelas beneficentes, além de bazares e outros eventos sem fins lucrativos.

Os organizadores argumentaram que a realização desse tipo de evento por Oscips é permitida pela legislação, mas o delegado responsável pela ocorrência considerou que em nenhum momento a lei utiliza a expressão bingo.

Também levou em consideração a estrutura montada para a realização do evento, a quantidade de pessoas presentes e a forma de pagamento dos prêmios, que era feita em dinheiro.

Além disso, não foi apresentada nenhuma comprovação do repasse de dinheiro para a Oscip. "A ideia que nos passa é de que a Oscip foi criada apenas como fachada para o desenvolvimento aparentemente legalizado de verdadeiro jogo de azar", consta no boletim de ocorrência.

Operação

O caso foi registrado na presença de um advogado, que apresentou cópia de documento protocolado na Delegacia Seccional e no CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior) de Araçatuba, comunicando sobre a realização de bingo beneficente pela Oscip.

Entretanto, o delegado plantonista contatou o Cipol (Centro de Inteligência da Polícia Civil), que informou que já havia uma investigação em curso.

Essa investigação teria constatado que os organizadores estariam utilizando espaço particular para realização de jogo de azar, se amparando de modo fraudulento à legislação.

Diante do que foi apurado, a Polícia Civil realizaria nesta semana uma operação especial para fechar o local e apreender os materiais utilizados para realização do bingo.

Os investigados foram liberados após prestarem depoimento e os computadores e demais objetos utilizados para a realização do bingo foram apreendidos.

Os alimentos não perecíveis encontrados no local ficaram depositados para os responsáveis pelo jogo, que terão que repassá-los a entidades beneficentes posteriormente.

A reportagem telefonou na manhã desta segunda-feira (15) para o escritório do advogado que acompanhou o registro da ocorrência, mas não foi atendida.

Mais materiais apreendidos pela polícia em bingo (Foto: Divulgação)
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