O TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) julgou irregular a licitação, o contrato, os termos aditivos e a execução da obra do chamado CEU das Artes, em Birigui (SP), projeto inaugurado no dia 8 de dezembro de 2018, em comemoração ao aniversário de 107 anos do município, e que demandou R$ 1 milhão em investimento. O espaço fica na avenida João Cernach, esquina com as ruas das Tulipas e das Acácias, no bairro Cidade Jardim.
Conforme decisão assinada pelo conselheiro Dimas Eduardo Ramalho, a licitação contou com a participação de onze empresas, que deu origem ao contrato com a empresa Vilson Santos Zanellati, no valor de R$ 837.227,41, assinado em junho de 2017. O prazo de conclusão era de 240 dias.
Posteriormente, foram firmados dois termos aditivos, um para alterar cláusula contratual e outro no valor de R$ 190.330,12, que prorrogou o prazo de vigência e adicionou serviços.
A fiscalização do tribunal, no entanto, registrou vários problemas quanto às exigências para participação do certame e irregularidades na execução do contrato. Um dos pontos citados na decisão referente à licitação é a ausência do projeto básico, com detalhes e características do objeto a ser contratado.
Falhas
Quanto à execução contratual, são várias falhas apontadas: pisos externos da calçada e passeio quebrados; caixa de passagem com a tampa levantada gerando risco aos transeuntes; sistema de combate a incêndio refeito, mas permanecendo os furos dos antigos; canaletas com trincados em vários locais; serviço de calçamento refeito, mas persistindo trincados e dilatações nos locais do refazimento; extintores vencidos desde junho/2018, ou seja, quando foi emitido o termo de recebimento provisório o mesmo estava no mês de vencimento; piso de madeira instalado apresentando sinais de desgastes acentuados que se mostram além do normal, especialmente considerando que a obra sequer foi utilizada; maçanetas do teatro apresentando sinais de desgaste excessivo, bem como apresentando-se quebrada; paredes com trincados; tomada com instalação imperfeita; revestimentos com imperfeições, entre outros, além de existência de serviços a serem realizados mesmo decorridos 105 dias após o encerramento do prazo de execução.
Defesa
Questionado, o ex-prefeito Cristiano Salmeirão informou que será feito recurso para modificar a decisão e que todos os apontamentos são relacionados a questões técnicas, não existindo nada acerca de sobrepreço. “Isso demonstra que sempre seguimos os princípios constitucionais inseridos no artigo 37 da Constituição”, disse.
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência ... (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
O ex-prefeito adiantou que apresentou requerimento no Setor de Obras e de Licitações da Prefeitura para que forneçam as respostas aos apontamentos feitos pelo órgão, pois são questões estritamente técnicas que dizem respeito ao projeto e execução da obra e o procedimento licitatório escolhido.
“Quando assumi como prefeito, fui notificado pela Caixa que teria apenas três meses para finalizar a obra que se encontrava paralisada por aproximadamente dois anos, sob pena de devolução de todo o dinheiro investido. Ressalto ainda, que o projeto é originário do Ministério da Cultura, e somente compete o município a sua execução”, explicou.
Sobre as falhas de execução apontadas, disse que a obra foi recebida sem problemas, após vistoria feita por engenheiros da Prefeitura.
Obra foi inaugurada no aniversário de 107 anos de Birigui (Foto: Divulgação)
Projeto
O prédio do CEU das Artes começou a ser construído em 2013 pela empresa CA2 Engenheira e Construtora, vencedora da licitação na época.
No entanto, em maio de 2014, após alguns aditamentos do prazo de conclusão, a empreiteira abandonou a obra alegando problemas financeiros. A Prefeitura rescindiu o contrato em julho do mesmo ano e aplicou as sanções cabíveis.
A gestão 2017-2020 tinha até o final de junho de 2017 para retomar a obra. Um novo processo licitatório foi aberto em maio de 2017.
O Centro de Artes e Esportes Unificados “Drª Lizete Pinto Arjonas” teve investimento de R$ 1 milhão, sendo R$ 591.890 de repasse do Ministério da Cultura e contrapartida de R$ 472.803 da Prefeitura, segundo informações divulgadas no
site da Prefeitura.
O espaço reúne programas e ações culturais, práticas esportivas e de lazer, formação e qualificação para o mercado de trabalho, serviços socioassistenciais, políticas de prevenção à violência e de inclusão digital, com a montagem de uma sala de informática no prédio.
Conta ainda com biblioteca, cineteatro, laboratório multimídia, salas de oficinas, espaços multiuso, Cras (Centro de Referência em Assistência Social), pista de skate, quadra coberta, playground e pista de caminhada. A área construída é de 3 mil metros quadrados.