A AEAN (Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Alta Noroeste) promoveu, no dia 17 de setembro de 2026, a palestra “Fundamentos da Patologia das Construções”, com o engenheiro civil e mestre pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) Felipe Silva Lima. O encontro teve como objetivo ampliar conhecimentos sobre as principais manifestações patológicas nas construções e contribuir para uma atuação profissional cada vez mais qualificada.
Durante a palestra, Lima destacou que compreender uma manifestação patológica exige ir além daquilo que é visível na edificação. Segundo ele, o problema aparente representa apenas um sintoma e precisa ser investigado a partir de diferentes informações sobre a construção. “É fundamental entender que a manifestação é um sintoma. Precisamos investigar o histórico, projeto, execução, materiais, exposição, uso e manutenção para identificar as causas e os mecanismos envolvidos” , explicou.
Diagnóstico antes da intervenção
Entre as manifestações encontradas com maior frequência nas edificações estão infiltrações, fissuras, falhas de impermeabilização, descolamentos de revestimentos e problemas em fachadas. Para o especialista, a repetição desses problemas demonstra que suas origens podem estar relacionadas a diferentes etapas da construção. “A recorrência mostra falhas que podem começar no projeto, passar pela execução e se agravar pela falta de manutenção” , destacou.
Essa relação entre diferentes fatores também foi um dos pontos abordados durante o encontro. Uma deficiência de projeto pode ser potencializada por uma execução inadequada, pela escolha incorreta de materiais ou pela ausência de manutenção, tornando necessária uma análise que considere o conjunto de circunstâncias envolvidas. “Uma deficiência de projeto pode ser potencializada por uma execução inadequada, escolha incorreta de materiais e ausência de manutenção. Por isso, dificilmente devemos analisar uma patologia de forma isolada” , afirmou Lima.
Para evitar diagnósticos baseados apenas nos efeitos aparentes, o profissional ressaltou a importância de seguir uma metodologia de inspeção antes de definir qualquer intervenção. “Não devemos definir a terapia antes do diagnóstico. É preciso fazer anamnese, análise documental, inspeção, levantamento das manifestações, formular hipóteses, realizar os ensaios necessários e estabelecer o diagnóstico para então especificar a intervenção” , explicou.
Escolha da solução depende do diagnóstico
A definição sobre reparar, recuperar, reforçar ou substituir determinada estrutura ou elemento construtivo também deve ser resultado de uma avaliação técnica criteriosa. Entre os fatores que precisam ser considerados estão a causa e a extensão do problema, as condições de segurança, o desempenho requerido, a vida útil, a durabilidade, a compatibilidade dos materiais e a viabilidade técnica da intervenção.
Outro aspecto destacado foi a responsabilidade na documentação das informações obtidas durante o processo de inspeção. Registrar evidências, metodologia, referências técnicas e normativas, além de manter a rastreabilidade das informações, contribui para uma atuação profissional mais fundamentada.
Também é importante, segundo o engenheiro, deixar claras as limitações da inspeção e os critérios utilizados para definir a intervenção.
Prevenção começa ainda no projeto
A discussão sobre Patologia das Construções também passa pela prevenção. Para reduzir a ocorrência de problemas ao longo da vida útil das edificações, Felipe aponta a necessidade de incorporar cuidados desde as primeiras etapas do processo construtivo. “Projetar pensando em durabilidade e manutenção, especificar corretamente, controlar a execução, realizar inspeções periódicas e estabelecer planos efetivos de manutenção ao longo da vida útil” são práticas que, segundo ele, devem fazer parte da rotina profissional.
Mais do que identificar problemas depois que eles surgem, a Patologia das Construções contribui para aprimorar a maneira como os profissionais projetam, constroem, inspecionam e mantêm as edificações. “Ela nos ensina a investigar antes de concluir e a diagnosticar antes de intervir. Isso torna nossas decisões mais fundamentadas e melhora a forma como projetamos, construímos, inspecionamos e mantemos as edificações” , concluiu.
A realização da palestra reforça a importância da atualização técnica e da troca de conhecimentos entre profissionais como instrumentos para uma atuação cada vez mais qualificada. Ao trazer para o debate temas relacionados ao diagnóstico, à prevenção e à durabilidade das construções, a iniciativa também contribui para ampliar a discussão sobre a responsabilidade técnica e a qualidade das edificações.
A AEAN (Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Alta Noroeste) e o Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo) reforçam a importância da capacitação contínua e da disseminação do conhecimento técnico para o exercício responsável da engenharia e para o aprimoramento das práticas profissionais.
