Uma casa não é apenas um espaço com paredes, portas e janelas. Ela representa segurança, privacidade, conforto e dignidade. Da mesma forma, uma cidade não é apenas um conjunto de ruas e edifícios. A maneira como seus espaços são planejados interfere diretamente na mobilidade, no acesso aos serviços, na segurança e na qualidade de vida da população. É justamente essa relação entre o ambiente construído e a vida das pessoas que ganha destaque no Dia Mundial da Arquitetura, celebrado em 5 de outubro.
Criada pela União Internacional de Arquitetos (UIA), a data é celebrada todos os anos na primeira segunda-feira de outubro, em conjunto com o Dia Mundial do Habitat, da Organização das Nações Unidas. Em 2026, a discussão ganha um direcionamento especialmente voltado à habitação. O tema escolhido pela UIA é “Housing is a Human Right. Build It.”, que pode ser traduzido como “Moradia é um direito humano. Construa-a”.
A escolha acompanha o tema do Dia Mundial do Habitat de 2026, “Adequate Housing for All”, ou “Moradia adequada para todos”. Segundo a ONU-Habitat, cerca de 2,8 bilhões de pessoas enfrentam diferentes formas de inadequação habitacional no mundo, incluindo aproximadamente 1,1 bilhão de pessoas que vivem em favelas ou assentamentos informais.
MAIS DO QUE CONSTRUIR, É PRECISO PLANEJAR
Quando se fala em moradia adequada, a discussão não se limita à construção de novas casas. Envolve pensar onde essas habitações estão localizadas, como seus moradores terão acesso ao transporte, saúde, educação, comércio, áreas de lazer e outros serviços essenciais.
É nesse ponto que Arquitetura e Urbanismo se encontram. O projeto de uma residência precisa considerar as necessidades de quem irá utilizá-la, enquanto o planejamento urbano precisa observar como cada construção se relaciona com o restante da cidade.
A atuação do arquiteto e urbanista, portanto, está presente em decisões que muitas vezes passam despercebidas no cotidiano. A posição de uma edificação, a circulação de pessoas, a acessibilidade, a iluminação, a ventilação, o aproveitamento dos espaços e a integração com o entorno são exemplos de aspectos que podem transformar a experiência de viver e utilizar determinado ambiente.
A UIA destaca que, diante da crise habitacional, os profissionais de arquitetura são chamados a participar não apenas do desenvolvimento de projetos, mas também das discussões sobre políticas habitacionais, acessibilidade econômica e acesso mais justo ao ambiente construído. A entidade também aponta a necessidade de soluções sustentáveis, inclusivas e adaptadas às características de cada contexto.
CIDADES SÃO FEITAS PARA PESSOAS
Pensar a arquitetura também significa pensar o futuro das cidades. O crescimento urbano traz desafios relacionados à mobilidade, ocupação do solo, infraestrutura, áreas verdes, mudanças climáticas, acessibilidade e oferta de moradia.
Por isso, o planejamento precisa acompanhar as transformações da sociedade. Uma cidade bem planejada não é necessariamente aquela que possui mais edifícios ou grandes obras, mas aquela que consegue organizar seus espaços de maneira a atender às necessidades de diferentes grupos da população.
A própria ONU-Habitat define o Dia Mundial do Habitat como um momento para refletir sobre a situação das cidades e sobre o direito básico de todas as pessoas a uma moradia adequada. A organização também ressalta que a população tem papel e responsabilidade na construção do futuro dos municípios.
Em Araçatuba, discutir Arquitetura e Urbanismo também significa olhar para o desenvolvimento do município e para os desafios que acompanham seu crescimento. Planejamento urbano, ocupação responsável dos espaços, acessibilidade, mobilidade e qualidade das edificações são questões que fazem parte da construção de uma cidade preparada para o presente e para o futuro.
O Dia Mundial da Arquitetura, portanto, não se resume a uma homenagem aos profissionais da área. A data convida a sociedade a perceber que cada projeto, cada espaço público e cada decisão de planejamento pode produzir impactos que permanecem por décadas.
Neste 5 de outubro, a AEAN, Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Alta Noroeste, reforça a importância da Arquitetura e do Urbanismo como áreas fundamentais para pensar cidades mais organizadas, acessíveis, sustentáveis e capazes de oferecer melhores condições de vida à população.
Valorizar esses profissionais também significa reconhecer que o futuro das cidades começa muito antes de uma obra ser construída. Ele começa no planejamento, na responsabilidade técnica e na capacidade de transformar necessidades humanas em espaços que realmente façam sentido para quem vive neles.
