A ausência de dor não significa necessariamente que a saúde bucal esteja em dia. Cáries, doenças gengivais, perda óssea, desgastes provocados pelo bruxismo e até algumas lesões na mucosa podem se desenvolver durante meses sem apresentar sintomas. Por isso, a avaliação odontológica preventiva é fundamental para identificar alterações ainda nos estágios iniciais.
A explicação é da cirurgiã-dentista Dra. Nathália Franco de Castilho, do Instituto Minomi, de Araçatuba. Segundo a especialista, um dos principais erros dos pacientes é procurar atendimento apenas quando surge algum incômodo. “Muitas pessoas acreditam que se não estão sentindo dor, está tudo bem. Na prática, não é bem assim. Quando a dor aparece, já é um sinal de que o problema está mais evoluído” , explica Nathália.
A profissional destaca que muitas doenças bucais podem permanecer silenciosas por um longo período. Por isso, a avaliação preventiva vai além da identificação de cáries e inclui uma análise completa da saúde bucal, com observação dos dentes, gengiva, mucosa, estrutura óssea, mordida e articulação temporomandibular, conhecida como ATM. “A avaliação preventiva permite identificar alterações que ainda estão no início, muitas vezes antes mesmo de o paciente apresentar qualquer sintoma. Dessa forma, é possível acompanhar o problema e iniciar o tratamento de forma precoce” , explica.
Cárie, bruxismo e ATM
No caso da cárie, alguns sinais podem indicar que é hora de procurar um profissional. Sensibilidade ao consumir doces ou quando um dente específico reage de maneira diferente, além do fio dental enroscar frequentemente em determinada região, podem ser sinais de alteração.
A identificação visual, entretanto, nem sempre é simples. Dra. Nathália explica que, no início, a cárie pode aparecer como uma mancha branca opaca e exigir avaliação profissional para ser diagnosticada corretamente. Quando a alteração fica marrom ou preta, pode indicar que o problema está mais profundo.
O bruxismo e as alterações na ATM também podem apresentar sinais que merecem atenção. Desgastes nos dentes, retração da gengiva, sensibilidade, dores na região da cabeça ou do ouvido e ruídos ao abrir e fechar a boca estão entre os sintomas que podem indicar a necessidade de avaliação odontológica.
Segundo a especialista, os desgastes na estrutura dos dentes podem estar relacionados ao hábito de apertar ou ranger a dentição, especialmente durante o sono. “Quando esses sinais aparecem, é importante investigar a causa. O acompanhamento odontológico permite identificar alterações relacionadas ao bruxismo e à ATM e avaliar a necessidade de tratamento” .
A recomendação é que a avaliação odontológica seja realizada, de forma geral, a cada seis meses. No entanto, esse intervalo pode variar conforme as condições de saúde bucal e as necessidades de cada paciente. Pessoas que utilizam próteses, implantes ou aparelhos ortodônticos, assim como aquelas que apresentam doenças periodontais, podem precisar de um acompanhamento mais próximo.
