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Dia do café: conheça um pouco da história desse grão tão famoso

"Nesse período, o País produzia 70% da produção mundial, dominando o mercado e formando uma elite aristocrática, que possuía casarões nas fazendas e mansões na cidade de São Paulo"

Renan Peron de Paula*
24/05/22 às 11h30

No dia 24 de maio comemoramos o Dia do Café no Brasil, data que marca o início da colheita do grão nas principais regiões cafeeiras do País (Embrapa, 2021). 

A bebida mais consumida no mundo (depois da água) tem origem na Etiópia e o início de seu consumo é incerto e cercado por lendas. A mais aceita narra que mil anos atrás, o pastor Kaldi, ao observar a alegria e vitalidade de suas cabras, notou que elas mastigavam os frutos de arbustos nativos da região de Absínia, na Etiópia. Ao comentar com um monge sobre o comportamento dos animais, esse levou alguns grãos ao monastério e os utilizou em infusões, notando o efeito energético da bebida, que ajudava a resistir às muitas horas de oração e de leitura. A bebida se espalhou entre os monastérios, que passaram a cultivá-lo no Yemen. O processo de torrefação surgiu apenas no século XIV.

A Arábia propagou a cultura cafeeira. Originalmente conhecido como qahwa – palavra árabe para vinho – razão pela qual, ao chegar na Europa, no século XIV, era conhecido como “vinho da Arábia”. Por muito tempo, os árabes o guardaram e proibiram que estrangeiros se aproximassem das plantações, que eram protegidas com suas vidas. Apenas em 1.615 o café chegou ao continente europeu, por meio de viajantes que o traziam do oriente. Após vários anos tentando cultivar o grão, em 1.699 os holandeses obtiveram sucesso (e muito lucro) ao conseguir cultivá-lo em estufas de Amsterdã, e posteriormente em Java, na Indonésia.

No século XVII, o café produto foi protagonista na Revolução Francesa, onde os jovens se reuniam em cafeterias para decidir os rumos da nação, entre outras atividades culturais. No Brasil, o sargento-mor Francisco de Mello Palheta foi o responsável por trazer a primeira muda, a pedido do governador do Maranhão. Rapidamente, o cultivo se espalhou pelo país e por diversos estados, atendendo à demanda doméstica. Com a longa guerra de independência do Haiti, então maior exportador do grão, ocorrida no fim do século XVIII, o Brasil aumentou sua produção se beneficiando da crise e passou a exportá-lo, tornando-se a maior riqueza econômica do país.

O Estado de São Paulo passou a ser o grande produtor nacional, possuindo diversos latifúndios que plantavam e processavam o grão. Houve, ainda, um grande incentivo do governo com a imigração de europeus, principalmente italianos, possibilitando o desenvolvimento mais rápido da cultura. Nesse período, o País produzia 70% da produção mundial, dominando o mercado e formando uma elite aristocrática, que possuía casarões nas fazendas e mansões na cidade de São Paulo.

A crise de 29 atingiu diretamente os grandes produtores brasileiros que chegaram a queimar sacas de café na tentativa de evitar a queda do preço. Com a recuperação da economia mundial, o sudeste se recuperou e o Brasil ainda continuou como o maior produtor do mundo. Portanto, a xícara de café que degustamos diariamente transborda uma cultura milenar, cheia de história, desde os monges da Etiópia, passando pelos árabes, europeus e pelas mãos de diversos brasileiros.

Neste 24 de maio, ao comemorar o Dia do Café degustando esse elixir milenar, lembre-se da história e das muitas pessoas envolvidas até chegar em nossa mesa com sabor e aroma inconfundíveis.

Feliz Dia do Café!

 

(Foto: Divulgação)

*Renan Peron de Paula é gastrólogo e docente de gastronomia do UniToledo Wyden

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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