A experiência no atendimento psicológico de crianças levou a psicóloga Larissa Habermann, egressa do Curso de Psicologia do Unisalesiano de Araçatuba (SP), a transformar situações vivenciadas no consultório em inspiração para um novo projeto: uma série de livros terapêuticos e de psicoeducação voltados ao público infantil.
Formada em 2024, Larissa é psicóloga comportamental, especialista em Análise do Comportamento e em Neuropsicologia. Atua nas áreas clínica e educacional e realiza atendimentos psicoterapêuticos de crianças, adolescentes e adultos. A experiência dela com o público infantil, porém, começou antes mesmo da conclusão da graduação.
Desde 2021, trabalhou diretamente com crianças, inicialmente como acompanhante terapêutica em uma clínica de intervenção comportamental. Posteriormente, tornou-se coordenadora da mesma instituição, até decidir seguir um novo caminho profissional e abrir o próprio espaço de atendimento.
Foi justamente a prática clínica, especialmente com crianças na primeira e na segunda infância, que despertou a ideia de produzir materiais capazes de ajudá-las a compreender melhor o processo terapêutico.
Lúdicos
Durante os atendimentos, Larissa percebeu que algumas crianças tinham dificuldade para entender o que aconteceria durante as sessões e, por isso, buscava diferentes recursos lúdicos para facilitar essa compreensão. Com o tempo, começou a produzir pequenos livros personalizados sobre os próprios pacientes.
“Eu fazia livrinhos com meus pacientes sobre eles mesmos. A partir daí, surgiu a ideia de criar um livro que pudesse ser utilizado nesse processo e também servisse de suporte para outros terapeutas” , explica.
Então, nasceu “Matheus vai à terapia”, primeira publicação da psicóloga. A obra foi construída a partir de sua experiência clínica com um paciente e conta a história de Matheus, um menino de cinco anos que chorava com frequência, mas não conseguia compreender nem expressar o motivo de seus sentimentos.
Preocupados, os pais decidem buscar acompanhamento psicológico para o filho. Ao longo da história, Matheus conhece a terapia e, com esse apoio, passa a compreender melhor suas emoções e aprende maneiras de expressar aquilo que sente.
Proposta
A proposta é apresentar a psicoterapia infantil de maneira acessível, lúdica e acolhedora, ajudando principalmente as crianças a entenderem o que é a terapia e o que acontece durante esse processo.
Como forma de contribuir também com a formação dos futuros psicólogos, Larissa realizou a doação de um exemplar da obra à Clínica-Escola de Psicologia do Unisalesiano. O material poderá ser utilizado como recurso nos atendimentos realizados com crianças.
Para a coordenadora do Curso de Psicologia do Unisalesiano, Prof.ª Mirella Martins Justi, a iniciativa da egressa demonstra como os conhecimentos construídos durante a formação podem ganhar novas possibilidades na prática profissional.
“É muito gratificante acompanhar uma ex-aluna transformando sua experiência clínica em um recurso que pode ajudar outras crianças e também profissionais. O livro foi pensado a partir da vivência dela com um paciente e apresenta, de uma maneira muito delicada e acessível, o que é a psicoterapia. A doação para a nossa Clínica-Escola torna esse momento ainda mais especial, porque o material poderá auxiliar as crianças atendidas a compreenderem melhor o processo terapêutico”, comenta.
Solidariedade
A primeira publicação também possui caráter solidário. Segundo Larissa, os recursos arrecadados com o livro não são destinados a benefício próprio, mas revertidos para iniciativas e locais com os quais ela contribui.
E “Matheus vai à terapia” é apenas o início. A psicóloga já escreveu outros quatro livros protagonizados pelo mesmo personagem, atualmente em processo de preparação para publicação. A ideia é que a série Matheus seja composta por cinco obras, cada uma abordando temas relacionados às demandas que costumam surgir na clínica com crianças dessa faixa etária.
O projeto deverá crescer ainda mais. Larissa pretende desenvolver diferentes séries, com personagens de outras idades e assuntos adequados às respectivas fases do desenvolvimento infantil. Uma criança de oito anos, por exemplo, poderá protagonizar uma nova coleção com cinco histórias dedicadas a questões mais frequentes nessa idade.
Dessa forma, a proposta é construir gradualmente uma coleção de livros terapêuticos e de psicoeducação que possa ser utilizada por crianças, famílias e profissionais.
