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Projetos de Orientação Profissional do Unisalesiano são apresentados em simpósio da Unesp em Bauru

Ao longo de 5 anos, aproximadamente 300 alunos participaram das iniciativas, que alcançaram pessoas de diferentes faixas etárias, dos 5 aos 80 anos

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19/10/26 às 11h06
Foto: Divulgação

Os resultados de 94 projetos de Orientação Profissional desenvolvidos por acadêmicos do Curso de Psicologia do Unisalesiano de Araçatuba (SP) foram apresentados no 9º Simpósio da Unesp, em Bauru. As docentes Flávia Santiago e Taís Grijota Souto, juntamente com a coordenadora do Curso, Mirella Martins Justi, compartilharam os resultados das atividades realizadas entre 2021 e 2025, destacando a integração entre ensino, prática supervisionada e compromisso social.

Ao longo dos cinco anos, aproximadamente 300 alunos participaram das iniciativas, que alcançaram pessoas de diferentes faixas etárias, dos 5 aos 80 anos. As ações foram realizadas em escolas públicas e particulares, instituições de ensino técnico e superior, espaços de EJA (Educação de Jovens e Adultos), serviços de saúde mental, instituições de assistência social e outros ambientes comunitários. Os projetos chegaram a comunidades de, pelo menos, 11 municípios do interior paulista, ampliando o acesso à Orientação Profissional e proporcionando oportunidades de reflexão sobre escolhas, carreira e projetos de vida.

Faia etária

Embora seja frequentemente associada aos adolescentes que estão escolhendo um curso superior, a Orientação Profissional pode contribuir em diferentes etapas da vida. Essa é uma das principais conclusões destacadas pela docente Flávia Santiago a partir das experiências desenvolvidas pelos estudantes. “Nosso trabalho mostrou que ela é muito mais ampla e pode contribuir em diferentes momentos da vida, respeitando as necessidades, os desafios e as possibilidades de cada faixa etária” , explica.

Com as crianças, as atividades são desenvolvidas de maneira lúdica, estimulando a curiosidade sobre as profissões, o reconhecimento de interesses e habilidades e a expressão de sonhos, sem antecipar ou impor escolhas profissionais. Entre os adolescentes, o foco está no autoconhecimento, na exploração das possibilidades de carreira e na compreensão das influências familiares e sociais que podem interferir nas decisões.

Já com jovens e adultos, as intervenções podem auxiliar no planejamento profissional, na inserção no mercado de trabalho, na busca por novas oportunidades e na reorganização da carreira. Para pessoas mais velhas, inclusive aquelas que estão em processo de aposentadoria, a Orientação Profissional também pode contribuir para a construção de novos projetos de vida. “A Orientação Profissional não se limita a ajudar alguém a escolher uma profissão. Ela acompanha as diferentes transições da vida, favorecendo reflexões sobre quem somos, o que desejamos e quais caminhos podemos construir” , ressalta Flávia.

Autoconhecimento

Durante as intervenções, os alunos identificaram necessidades relacionadas ao autoconhecimento, à ampliação das informações sobre profissões e cursos e às dificuldades para tomar decisões e planejar o futuro.

Entre os adolescentes, destacaram-se dúvidas sobre a escolha profissional, as expectativas sociais e a influência da família. Nesse contexto, as atividades também abordaram informações práticas sobre cursos técnicos, universidades, bolsas de estudo e formas de ingresso no Enem (Ensino Superior, como o Exame Nacional do Ensino Médio), o Sisu (Sistema de Seleção Unificada) e o Prouni (Programa Universidade para Todos).

Entre jovens e adultos, as demandas envolveram empregabilidade, desenvolvimento de competências, retomada dos estudos e planejamento de carreira.

Oportunidades desiguais

Segundo Flávia, a diversidade dos locais atendidos evidenciou que as oportunidades de acesso à informação e de reflexão sobre o futuro profissional não são iguais para todos. Por isso, as intervenções também buscaram considerar as condições sociais, econômicas, familiares e educacionais dos participantes.

As atividades incluíram entrevistas, questionários, dinâmicas de grupo, instrumentos de avaliação e propostas reflexivas, conforme as características de cada projeto. O objetivo não era indicar uma profissão específica, mas oferecer recursos para que os participantes pudessem compreender melhor suas possibilidades e tomar decisões de maneira mais consciente.

“A Orientação Profissional não tem a função de dizer à pessoa qual profissão ela deve escolher. Nosso papel é favorecer o autoconhecimento, ampliar o repertório de informações e auxiliar na análise das possibilidades” , destaca a docente.

Intervenção

De acordo com a professora Taís Grijota Souto, a iniciativa surgiu da proposta de articular os conhecimentos teóricos da graduação com experiências práticas que contribuíssem tanto para a formação dos estudantes quanto para o atendimento das necessidades da comunidade. Os projetos são desenvolvidos no 6º termo, correspondente ao 3º ano da graduação em Psicologia, como parte da disciplina de Orientação Profissional.

Os alunos foram organizados em grupos de até quatro integrantes e, após a autorização das instituições parceiras, elaboraram e executaram as propostas de intervenção. Cada projeto atendeu, em média, 15 pessoas, com a realização de quatro a seis encontros. Todo o processo foi acompanhado pelas docentes, desde o planejamento inicial até a execução das atividades. A supervisão permitiu adequar as propostas às características de cada instituição e ao perfil dos participantes, utilizando linguagem acessível e conteúdos pertinentes às necessidades identificadas.

Ampliar parcerias

Para Taís, as experiências demonstram o potencial da Orientação Profissional em diferentes contextos e reforçam a importância de dar continuidade às ações. A receptividade de escolas públicas e particulares e de projetos sociais também indica oportunidades para ampliar as parcerias e alcançar novos públicos.

A professora destacou que a escolha profissional não deve ser entendida como uma decisão definitiva, restrita a um único momento da vida. “Em cada fase da vida, podemos precisar rever objetivos, reconhecer novas possibilidades e buscar atuações que façam sentido e tenham significado para nós. Afinal, nunca é tarde para repensar caminhos e construir novas possibilidades profissionais” , afirma.

Apresentação

A apresentação no 9º Simpósio da Unesp também representou uma oportunidade de sistematizar os resultados de cinco anos de trabalho e compartilhar as experiências com a comunidade acadêmica. Flávia Santiago explicou que a organização dos dados permitiu compreender a dimensão das ações desenvolvidas e dar visibilidade às contribuições dos projetos para além dos espaços universitários.

“Muitas vezes, as atividades desenvolvidas nas disciplinas e nos projetos acadêmicos produzem contribuições importantes para a comunidade, mas acabam ficando restritas aos relatórios e às experiências de cada turma. Quando organizamos esses dados, conseguimos dar visibilidade à abrangência das intervenções” , diz.

A participação no evento teve ainda um significado especial para Flávia, Taís e Mirella, que são egressas do Programa de Pós-Graduação da Unesp de Bauru. A apresentação ocorreu durante as comemorações dos 20 anos do programa, proporcionando o reencontro com professores, colegas e pesquisadores e a oportunidade de compartilhar experiências construídas na atuação docente

Segundo Flávia, a recepção do trabalho foi positiva, com manifestações de reconhecimento à relevância das atividades supervisionadas e à participação dos estudantes em contextos diversificados. O interesse despertado também contribuiu para ampliar a visibilidade da Orientação Profissional como campo de atuação da Psicologia, especialmente na região.

Por fim, a coordenadora Mirella frisa que os resultados apresentados mostram a importância da articulação entre formação acadêmica, produção científica e atuação comunitária. “Ao aproximar os estudantes de diferentes realidades sociais e oferecer espaços de escuta, informação e reflexão, os projetos do Unisalesiano contribuem para a formação dos futuros psicólogos e para a construção de trajetórias profissionais mais conscientes e alinhadas às possibilidades de cada indivíduo” , conclui.

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