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Renegociação de dívidas exige planejamento para evitar novo ciclo de inadimplência

Professor do UniToledo Wyden orienta consumidores a avaliar orçamento, juros e condições de pagamento antes de fechar acordo

UniToledo Wyden
25/05/26 às 15h32

A nova rodada de renegociação de dívidas anunciada pelo Governo Federal neste mês de maio pode representar uma oportunidade para consumidores reorganizarem a vida financeira, mas exige cautela.
O Novo Desenrola Brasil prevê condições especiais para pessoas físicas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105, que tenham dívidas bancárias em atraso.

De acordo com as regras divulgadas pelo Ministério da Fazenda, podem ser renegociadas dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contratadas até 31 de janeiro de 2026 e atrasadas entre 90 dias e dois anos. O programa tem previsão de duração de 90 dias e oferece descontos que podem variar de 30% a 90%, juros limitados a 1,99% ao mês, parcelamento em até 48 vezes e prazo de até 35 dias para o pagamento da primeira parcela.

Para Ademar Mota, professor de Ciências Contábeis do UniToledo Wyden, a possibilidade de renegociar débitos pode ajudar muitas famílias a retomarem o controle financeiro, mas a decisão precisa ser tomada com planejamento. “O desconto chama atenção, mas o consumidor não deve olhar apenas para a redução do valor da dívida. É fundamental analisar se a parcela cabe no orçamento mensal e se o acordo não vai comprometer despesas essenciais, como alimentação, moradia, transporte, saúde e educação”, orienta.

O professor explica que o primeiro passo antes de aderir a uma renegociação é fazer um diagnóstico da situação financeira. Isso inclui listar a renda líquida da família, todas as despesas fixas, gastos variáveis, dívidas em aberto e compromissos já assumidos. A partir desse levantamento, o consumidor consegue identificar quanto realmente pode destinar ao pagamento da dívida sem criar um novo desequilíbrio no orçamento.

“Renegociar sem conhecer o próprio orçamento é um risco. Muitas vezes, a pessoa aceita uma proposta porque a parcela parece baixa, mas esquece de considerar outras despesas que vencem ao longo do mês. O ideal é montar uma planilha simples de controle, registrar entradas e saídas e definir um limite seguro para o pagamento da dívida”, afirma Ademar.

Outro ponto de atenção é o uso do FGTS. O programa permite a utilização de parte do saldo para amortizar ou quitar débitos, o que pode ser vantajoso em algumas situações, especialmente quando a dívida possui juros elevados. No entanto, segundo o professor, essa decisão deve ser avaliada com cuidado. “O FGTS funciona como uma proteção financeira em momentos importantes da vida do trabalhador. Antes de utilizar esse recurso, é preciso comparar o benefício imediato da quitação com a necessidade de manter uma reserva para situações futuras” , explica.

Ademar também reforça que limpar o nome é apenas uma etapa da reorganização financeira. Para que a renegociação tenha efeito duradouro, é necessário rever hábitos de consumo, evitar novas compras parceladas sem planejamento e acompanhar o orçamento com frequência. “A educação financeira começa com atitudes simples, como saber quanto entra, quanto sai e para onde o dinheiro está indo. Sem esse controle, a pessoa pode sair de uma dívida hoje e voltar a se endividar em pouco tempo” , destaca.

A recomendação é que os consumidores procurem diretamente a instituição financeira responsável pela dívida, confiram as condições oferecidas e desconfiem de links suspeitos, cobranças antecipadas ou intermediários que prometam vantagens fora dos canais oficiais.

Ademar Mota

Ademar Mota, professor de Ciências Contábeis da Unitoledo Wyden


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