A renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para bons condutores já está em funcionamento desde janeiro deste ano, mas a sanção da lei pelo Governo Federal, em 5 de junho, tornou a medida permanente e reforçou a importância de os motoristas conhecerem os critérios do programa.
A iniciativa busca simplificar o processo para condutores com bom histórico no trânsito, inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC) e sem infrações que gerem pontuação nos 12 meses anteriores ao vencimento da habilitação. A proposta faz parte do processo de modernização dos serviços públicos e da ampliação do uso de soluções digitais na relação entre cidadãos e órgãos governamentais.
Embora represente mais praticidade para parte dos motoristas, a medida também chama atenção para um aspecto fundamental da segurança viária: a necessidade de os condutores acompanharem continuamente suas condições físicas e de saúde para dirigir.
De acordo com Fernando Pereira, coordenador do curso de Engenharia Civil do Unitoledo Wyden, a tecnologia pode simplificar procedimentos, mas não substitui a responsabilidade individual dos motoristas.
“A renovação automática representa um avanço importante na desburocratização dos serviços públicos. No entanto, dirigir é uma atividade que exige atenção constante às condições físicas e cognitivas do condutor. A praticidade do processo não elimina a necessidade de cada motorista avaliar sua própria aptidão para conduzir um veículo com segurança” , explica.
Entre as situações que merecem atenção está o surgimento da necessidade de uso de óculos de grau ou lentes corretivas. Mudanças na visão costumam se tornar mais frequentes a partir dos 40 anos e podem impactar diretamente a leitura de placas, a identificação da sinalização e a percepção de riscos durante a condução.
“Caso o motorista passe a depender de lentes corretivas para dirigir, é importante procurar os órgãos responsáveis para atualização das informações. O mesmo vale para outras condições que possam interferir na condução. A segurança no trânsito depende, em grande parte, da capacidade do condutor de reconhecer suas limitações e agir preventivamente”, afirma.
O especialista também destaca que o envelhecimento da população brasileira torna o acompanhamento da saúde um tema cada vez mais relevante para a mobilidade urbana e rodoviária.
“Com o aumento da expectativa de vida, teremos cada vez mais motoristas ativos em faixas etárias mais elevadas. Isso exige atenção não apenas dos órgãos de trânsito, mas também dos próprios condutores, que devem manter acompanhamento médico regular e adotar uma postura preventiva em relação à própria saúde”, observa.
Além das condições médicas, Fernando lembra que motoristas das categorias C, D e E continuam sujeitos às exigências específicas previstas na legislação, como a realização do exame toxicológico, quando aplicável.
“A tecnologia tem um papel importante na modernização dos serviços e na redução da burocracia. Mas a construção de um trânsito mais seguro continua passando pela combinação entre infraestrutura, fiscalização, educação e comportamento responsável. Quanto mais consciente for o motorista sobre seu papel nesse sistema, maiores serão os ganhos para toda a sociedade”, conclui.
