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Quer ter uma boa imunidade? Durma bem!

Ter uma boa qualidade do sono é fundamental para o nosso sistema imunológico; em entrevista, o médico Antônio Fontanelli fala sobre essa relação e como a higiene do sono pode nos ajudar a dormir melhor

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
19/03/21 às 14h30

Em tempos de pandemia, as atenções estão voltadas para o nosso sistema imunológico e a sua capacidade de deixar a postos as células de defesa do nosso organismo. Não é para menos, já que uma boa imunidade pode evitar infecções, inclusive, contaminação ou complicações do novo coronavírus. 

Na contramão desse cenário de cuidados com o nosso sistema imunológico, está a insônia, provocada, em partes, pelo estresse e ansiedade da pandemia. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 40% dos brasileiros sofrem com distúrbio de sono. Somente de abril a maio do ano passado, época das medidas mais restritivas de isolamento, a pesquisa no Google por “remédio para insônia” aumentou 130%. 

A insônia na pandemia não é “mérito” somente dos brasileiros. No exterior, especialistas criaram até o termo coronasomnia, que em português seria algo como “corona-insônia”. 

Mas por que iniciamos o texto falando de imunidade e agora estamos falando sobre a qualidade do sono? As duas condições possuem relação. No dia Dia Mundial do Sono, celebrado nesta sexta-feira (19), entrevistamos o endocrinologista Antônio Fontanelli, de Araçatuba (SP). Fontanelli integra o Núcleo do Sono de Araçatuba, que organiza neste sábado (20), simpósio on-line sobre o sono, das 10h às 12h. A participação é aberta ao público em geral, não sendo necessário fazer inscrição prévia. Para participar, é preciso acessar o link http://bit.ly/3dXB0Hm

O médico também é presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes Regional São Paulo, especialista em medicina interna/clínica médica e coordenador científico de endocrinologia e metabologia do Estado de São Paulo pela (APM) Associação Paulista de Medicina. 

O papel do sono na imunidade

"O sono tem uma função importante na plasticidade, na memória, no aprendizado e também na limpeza do cérebro por meio do sistema glinfático que elimina as toxinas produzidas. É como se o sono fosse um lixeiro do cérebro.

(Foto: Divulgação)

Isso tem uma função muito importante no sistema imunológico de tal maneira, que quando você dorme menos, você enfraquece o sistema imunológico. Há vários estudos mostrando que as pessoas que dormem menos de seis horas por dia, têm mais resfriados e doenças virais. Se você toma uma vacina no período que não está dormindo bem, essa vacina não produz anticorpos suficientes. 

Quando nós dormimos menos, nós aumentamos a produção de citocinas inflamatórias e o sistema imune fica mais suscetível a doenças. É importante ter qualidade de sono e tempo de sono. 

Se você dorme menos, o cérebro não tem tempo suficiente para fazer a limpeza, reorganizar a parte de energia e também aumenta muito a probabilidade de adquirir infecções. Dormir pouco também diminui a produção do potente hormônio que se chama melatonina. Esse hormônio tem ações anti-inflamatórias, antioxidantes.

Quando se dorme pouco, aumenta a produção de cortisol e, além disso, ocorre uma desregulação no sistema hipotálamo-hipófise-adrenal levando a um aumento do estresse oxidativo e produção de citocinas pró-inflamatórias. Quando uma pessoa não dorme bem, ela tem a tendência maior de se tornar obesa e hoje nós estamos observando que grande parte dos pacientes que apresentam a forma grave da covid-19 são obesos, diabéticos, hipertensos e os distúrbios do sono estão muito ligados a esses fatores."

O sono e a pandemia    

“Temos observado nesse período que as pessoas estão dormindo menos; perderam o horário de dormir, ficam vendo televisão a noite toda. O próprio estresse, ansiedade, as notícias desagradáveis, mortes de amigos e parentes, levam a uma situação de estresse, o que aumenta o cortisol. Não só estão dormindo menos, como estão dormindo pior. Isso influencia e piora muito o processo inflamatório, reduzindo o sistema imunológico. É preciso dormir melhor apesar das adversidades.”

Rotina de sono    

“Ter uma rotina de sono é muito importante: se você dormir todos os dias no mesmo horário, mesmo aos finais de semana, com no máximo 40 minutos para mais ou pra menos, você tem um sono mais saudável. Se dormir cada dia em um horário diferente, ocorre aumento do risco cardiovascular. O ideal é dormir sempre no mesmo horário e acordar no mesmo horário.”

Higiene do sono   

“Nós aconselhamos a higiene do sono, que são medidas para prevenir alteração do sono: tentar dormir na mesma hora sempre, evitar café e chás estimulantes antes de dormir. Dormir em um quarto escuro é essencial para a produção de melatonina, pois a luz bloqueia a produção desse hormônio. 

A melatonina faz a regulação de todos os outros hormônios, é o maestro que regula o horário de entrada de cada hormônio no dia. Se você dorme em um quarto claro, com TV ligada ou luz acesa produz menos esse hormônio, que também é muito importante para a nossa imunidade.

Evite o consumo de bebidas alcóolicas, cigarros, pelo menos quatro horas antes de dormir, e prefira não ingerir alimentos com cafeína antes de dormir, nem chocolates, refrigerantes e até mesmo o guaraná. Esses elementos alteram a dinâmica do sono. 

A parte dos exercícios regulares é importante, mas deve-se evitar atividade física próximo do horário de dormir, pois é um estimulante e interfere no sono. Evite alimentos pesados, picantes ou açucarados e procure jantar mais cedo e comer comidas mais leves."

Medicamento  

"Mas algumas pessoas, apesar de fazer toda a higiene do sono, precisam de medicamento para dormir, que não é nenhum absurdo. Tem medicamentos que podem proporcionar uma noite melhor de sono, principalmente para pessoas ansiosas, depressivas. Esses indivíduos, quando tratam com medicamentos, têm uma qualidade de vida melhor. Alguns medicamentos devem ser evitados, que pioram a qualidade do sono e levam a dependência. É importante que cada paciente converse com um médico especializado. 

Existe um tratamento que é muito interessante, que é a terapia cognitivo-comportamental. Você faz um treinamento com o paciente para que ele possa ter um sono melhor, com meditação, redução da ansiedade. Isso funciona muito bem e é o padrão ouro para o tratamento da insônia.”

Simpósio   

“Gostaria de fazer um convite a todos. No sábado pela manhã, no nosso simpósio sobre o sono, vou falar da relação entre a obesidade e o sono. O sono insuficiente em adultos aumenta em 45% a chance de obesidade. Indivíduos obesos têm maior risco de desenvolver depressão. A obesidade está associada a processos inflamatórios, assim como o quadro de insônia ou redução de sono. A covid-19 é uma doença inflamatória. Os indivíduos obesos e os pacientes que apresentam distúrbios do sono já apresentam inflamação. Então, quando nós temos uma pessoa obesa e com distúrbios do sono, ela tem uma probabilidade maior de desenvolver as formas graves da covid-19. 

O simpósio de amanhã será iniciado com a palestra sobre Sono e Saúde com o Dr. Marcus Vinicius Branco. Posteriormente, o Dr Felipe Biagi irá falar sobre Apneia e Doenças Cardiovasculares. A Dra Viviane Fontanelli irá falar sobre a Fonoaudiologia na Apneia do Sono e o encerramento será com o Dr Fagnani com a palestra sobre os Principais Tratamentos sobre Ronco e Apneia do Sono.”

Para saber mais sobre o simpósio,  clique aqui

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