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Artesanato sul-mato-grossense ganha espaço e se firma como força na economia estadual

Com mais de 8 mil artesãos cadastrados, setor movimenta milhões e se consolida como pilar cultural e econômico em Mato Grosso do Sul.

Da Redação - Hojemais Três Lagoas
02/09/25 às 15h39
Foto: Reprodução/Álvaro Rezende/Secom

O artesanato de Mato Grosso do Sul vem conquistando cada vez mais espaço no cenário cultural e econômico, transformando saberes tradicionais em oportunidades de renda, inclusão social e fortalecimento da identidade regional. Com originalidade e forte ligação com a diversidade étnica do Estado, a produção artesanal se consolida como um dos pilares do mercado criativo.

Atualmente, são mais de 8 mil artesãos cadastrados oficialmente, atuando em tipologias como cerâmica, madeira, fibras, pintura, tecelagem e escultura. Destes, cerca de 4 mil fornecem peças diretamente para a Casa do Artesão de Campo Grandel.

Histórias que inspiram

Entre os nomes de destaque está a mestra ceramista Jane Clara Arguello, de Corumbá, que desde 1991 une arte, memória e sustentabilidade em suas criações. Suas peças, que retratam mulheres indígenas, negras e japonesas, integram materiais recicláveis e naturais, consolidando sua trajetória como referência estadual.

Outra trajetória marcante é a da mestra tecelã Josefa Marques Mazarão, de Caarapó. Em 2002, fundou a Associação Vale da Esperança, levando o conhecimento do tear e do tingimento natural para outras mulheres da região. Suas peças já circularam em feiras por todo o Brasil e conquistaram reconhecimento nacional.

Na Aldeia Cachoeirinha, em Miranda, o legado da cerâmica Terena é mantido pela artesã Rosenir Batista, que há mais de 49 anos transforma argila em esculturas e utensílios que hoje alcançam vitrines nacionais, como as da Tok&Stok. Homenageada com a Medalha Conceição dos Bugres, Rosenir repassa os ensinamentos às novas gerações.

Foto: Reprodução/Álvaro Rezende/Secom

Força econômica do artesanato

Em 2024, as ações de incentivo ao setor — como feiras, rodadas de negócios e vendas institucionais — movimentaram mais de R$ 4 milhões, segundo a Fundação de Cultura do MS (FCMS) e a Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc). Em alguns eventos, o faturamento ultrapassou R$ 300 mil em poucos dias, mostrando o potencial econômico do artesanato.

Além do mercado interno, o artesanato sul-mato-grossense tem alcançado projeção internacional. Parcerias como a da Apex-Brasil levaram artesãos a feiras na Colômbia e abriram portas para negociações com países como China, Emirados Árabes e Peru.

Políticas públicas e valorização

O projeto Artesania/MS, criado em 2007 pelo Governo do Estado, é um dos principais responsáveis pela profissionalização e expansão do setor. Ele promove capacitações, garante participação em feiras nacionais e internacionais, estimula a criação de Casas do Artesão no interior e fortalece a comercialização das peças.

Ainda assim, a valorização no mercado interno segue como desafio. Muitas peças que custam valores acessíveis no Estado chegam a ser vendidas por até cinco vezes mais em galerias e lojas de aeroportos, reforçando a importância de políticas de reconhecimento e valorização da produção artesanal local.

Cultura e identidade

Mais do que uma atividade econômica, o artesanato é expressão de memória, pertencimento e identidade cultural. Oficinas e projetos de capacitação têm transformado a realidade de mulheres, jovens e comunidades indígenas, garantindo renda e preservando saberes ancestrais.

Com produtos autorais e de forte identidade, o artesanato sul-mato-grossense se firma como marca de Mato Grosso do Sul, projetando o Estado no cenário nacional e internacional e provando que cultura, economia e inclusão social podem caminhar juntas.

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