Morreu neste sábado (10), aos 92 anos, o autor Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira. A informação foi confirmada por meio do perfil no Instagram da produtora Boa Palavra, comandada por Júlia Almeida, filha do autor. A causa da morte não foi divulgada.
Manoel Carlos estava internado no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro, onde realizava tratamento para a Doença de Parkinson. Em nota, a família comunicou o falecimento e pediu respeito ao momento de luto.
“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco, ocorrido hoje, aos 92 anos”, informou o comunicado.
O velório será fechado e restrito a familiares e amigos próximos.
Conhecido carinhosamente como Maneco, ele iniciou a carreira artística ainda jovem, aos 17 anos, como ator na TV Tupi. Em 1952, passou a escrever programas de televisão e atuou em diversas emissoras até chegar à TV Globo, em 1972, onde consolidou sua trajetória como um dos principais autores da dramaturgia nacional.
Sua primeira novela na Globo foi “Maria Maria”, exibida em 1978, mas foi a partir da década de 1980 que Manoel Carlos construiu uma marca registrada: as histórias protagonizadas pelas famosas “Helenas”, personagens femininas fortes, complexas e profundamente humanas. As tramas, em sua maioria ambientadas no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, abordavam conflitos familiares, dilemas morais, perdas, amor e redenção.
Em entrevista ao programa Fantástico, em 2014, o autor definiu suas personagens com sensibilidade:
“Elas são aquelas mães abnegadas e ao mesmo tempo não se esquecem delas mesmas. São vaidosas, são justas e injustas na medida certa. Elas defendem um filho até a injustiça.”
A primeira Helena foi interpretada por Lílian Lemmertz, em “Baila Comigo” (1981). Desde então, o nome se repetiu em todas as protagonistas criadas por Maneco. Um dos exemplos mais emblemáticos foi “Por Amor” (1998), em que Regina Duarte viveu a personagem que troca seu bebê saudável pelo neto recém-nascido morto. A atriz também interpretou Helenas em “História de Amor” (1995) e “Páginas da Vida” (2006).
Aposentado desde 2014, Manoel Carlos vivia de forma reclusa. Ele deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina.
Com uma obra marcada pela sensibilidade, profundidade emocional e retrato intimista das relações humanas, Manoel Carlos deixa um legado definitivo na história da televisão brasileira.
Gazeta*
