Há 40 anos, em 25 de julho de 1978, nascia na Inglaterra Louise Brown, a primeira criança concebida após fertilização in vitro (FIV) e transferência de embrião da qual se tem registro. O sucesso do procedimento marcou uma nova era para os estudos e entendimento sobre fertilização humana, e desde então, a tecnologia utilizada para ajudar pacientes inférteis teve excelentes progressos.
Inicialmente, seus criadores Patrick Steptoe (1913-88) e Robert Edwards (1925-) desejavam tratar infertilidade em pacientes que tivessem trompas ausentes ou obstruídas. Eles receberam até um prêmio Nobel de Medicina por suas inovações, que foram ampliadas em suas indicações e, hoje, atendem casais com doenças tubárias, mobilidade do espermatozoide reduzida, homoafetivos, sorodiscordantes, aos que necessitam de doação de gametas, útero de substituição (barriga de aluguel) e algumas outras ocasiões.
Esta área tão específica da ginecologia é tema da pós-graduação do dr. Enéias Cano, ginecologista e obstetra responsável técnico da Gestare Vita em Três Lagoas. Conforme falamos em outras ocasiões, dr. Enéias ressalta o cuidadoso processo de investigação do casal, até que a fertilização seja o caminho indicado para a concepção de um bebê. “Algo que precisa ser dito é que não há garantia de gravidez ao final do processo. Dependendo da idade da mulher e do estado em que se encontram os óvulos dela, esse percentual muda, podendo ser de apenas 5% chance de sucesso, em um processo de alto custo e que afeta o psicológico do casal. Por isso, a relação de confiança entre paciente e médico, bem como a ética do profissional, precisa ser muito bem estabelecida”, comenta ele.
Mas, uma vez decidido que o casal fará o processo de FIV, o processo que se inicia é complexo, com alto nível de exigência e muito interessante para quem gosta de ciência. Dr. Enéias conta mais sobre cada etapa principal do tratamento:
Etapa 1: estimulação do ovário
“Começa no segundo dia da menstruação da paciente. Ela deve ir ao consultório para receber a medicação que estimula os ovários e provoca o crescimento dos folículos, feito por meio de uma injeção subcutânea. O protocolo de aplicação já está definido pelo médico de acordo com os exames realizados, sendo individualizado para cada mulher. Acompanhamos a evolução com ultrassonografia, inclusive para controlar a dosagem hormonal aplicada e a resposta da paciente. Quando o ultrassom mostrar que os folículos estão em um tamanho adequado, é feita uma aplicação do hormônio HCG, que força a maturação dos óvulos para que eles possam ser coletados”.
Etapa 2: Captação dos óvulos
“Quando os folículos já estão com um tamanho adequado, fazemos uma medicação para que a mulher não ovule, pois, se ela ovular, isso inibe todos os outros folículos e o estímulo é perdido. Aí, então, é realizada a captação. A paciente deve estar acompanhada do marido, ou companheiro, que fará a coleta do sêmen concomitantemente. Na estimulação, não há necessidade de sedação, porém para a captação, a paciente é sedada. Faz-se então uma análise para saber quais folículos estão maduros, que poderão ser congelados para uso posterior, ou fecundados. A embriologista acompanha a evolução desses óvulos até a fase chamada blastocisto, do segundo para o terceiro dia de fecundação. A quantidade a ser fertilizada é decisão do casal, mas sempre orientada pelo médico”.
Etapa 3: Transferência embrionária
“Neste ponto, o endométrio da paciente também foi preparado para receber o óvulo fecundado. Oferecemos também a opção de realizar uma análise genética dos embriões, que tem um custo extra, mas dependendo da idade da paciente, pode ser interessante. Fazemos a transferência num procedimento sem anestesia, usando uma pipeta com um ultrassom na ponta, e costuma-se seguir as determinações de acordo com a idade da paciente. Para mulheres até 35 anos, transferimos até 2 embriões; mulheres entre 36 e 39 anos, até 3; e mulheres com 40 anos ou mais, até 4 embriões. Após 8 dias, fazemos um beta-HCG, para saber se a gravidez aconteceu. Em caso positivo, segue-se com o pré-natal normalmente. Se não, podemos pensar em fertilizar os óvulos congelados anteriormente, num novo procedimento”.
Acompanhe o blog para saber mais sobre gravidez, fertilidade e assuntos relacionados. Tem alguma pergunta? Escreva-nos pelas redes sociais: www.facebook.com/gestarevita
Conheça o trabalho da Gestare Vita Três Lagoas no site: www.gestarevita.com.br
DR. ENEIAS CANO
(CRM 4695, RQE 3216)
Graduado em medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS. Residência médica em ginecologia e obstetrícia (AAMI-Campo Grande-MS). Pós-graduação em videolaparoscopia ginecológica pelo Instituto Fernandes Figueira-Rio. Pós-graduação em infertilidade pelo instituto Gera - São Paulo.