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Dr. Eneias Cano fala sobre tratamentos de alta e baixa complexidade e preservação da fertilidade

O Hoje Cast desta semana recebeu em seus estúdios o médico ginecologista, obstetra e referência em reprodução humana na cidade de Três Lagoas e região, Dr. Eneias Cano , fundador e diretor da Clínica Gestare Vita. Confira a entrevista na íntegra!

Julia Rafaela  - Hojemais Três Lagoas 
01/07/22 às 15h00

O Hoje Cast desta semana recebeu em seus estúdios o médico ginecologista, obstetra e referência em reprodução humana na cidade de Três Lagoas e região, Dr. Eneias Cano (CRM 4695, RQE 3216), fundador e diretor da Clínica Gestare Vita, presente no município desde 2010.  

Durante o bate papo, o especialista falou sobre os tratamentos de alta e baixa complexidade para fertilidade e preservação da fertilidade feminina e masculina , dois assuntos que repercutem em suas redes sociais. 

Hoje Cast recebe Dr. Eneias Cano, ginecologista, obstetra e referência em reprodução humana na cidade de Três Lagoas

HC: O que são os tratamentos de alta e baixa complexidade? 

EC: Dentre os tratamentos de baixa complexidade está o “coito programado”. Nesse procedimento nós fazemos o estímulo medicamentoso na paciente e na sequência programamos a relação sexual dela com o parceiro, com o objetivo de facilitar o encontro do óvulo com o espermatozóide. 

A inseminação também é um tratamento de baixa complexidade, que requer um estímulo no início do ciclo menstrual. Nesse caso, fazemos a coleta do conteúdo inseminal preparado e injetamos dentro do útero, o que não acontece no coito programado.

Alta complexidade 

EC : O tratamento de alta complexidade é voltado para quando se existe uma dificuldade no encontro do espermatozóide com o óvulo, seja por um fator feminino ou masculino. 

O processo também exige que o tratamento seja feito no início do ciclo, onde ocorre a captação de folículos com estímulos hormonais. Nesse caso, o encontro com o espermatozóide precisa ser feito em um laboratório e desse encontro ocorre a fecundação onde se obtém o embrião, que pode ser transferido no mesmo ciclo ou então pode ser congelado para uma gravidez futura.

Em resumo, alta complexidade: fertilização in vitro. Baixa complexidade: coito programado ou inseminação.

HC: Quais procedimentos são realizados na Clinica Gestare Vita? 

EC: Todos esses procedimentos são realizados na Gestare. No caso do tratamento de alta complexidade nós precisamos do auxílio laboratorial para promover o encontro do espermatozóide com o óvulo, então preparamos o paciente e fazemos o encontro em um laboratório dora da cidade. 

No caso da inseminação e coito programado, tudo é feito aqui, porque o tratamento é medicamentoso.

HC: Até que a gravidez seja viabilizada, por quais processos a paciente passa? 

EC: O primeiro passo é fazer o diagnóstico da causa da dificuldade, depois preparamos o casal resolvendo o problema e na sequência induzimos a paciente para recrutar o folículo

Existem casos que dependendo da idade da paciente, ela já não tem mais folículos reservas e nesses casos, ela torna-se uma receptora, ou seja, ela apenas gesta com o espermatozóide do parceiro e o óvulo de uma doadora. 

No entanto, o processo a ser percorrido varia de acordo com o caso clínico e abordagem selecionada pelo especialista. 

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HC: Como é feita a escolha da melhor técnica para tornar a gravidez viável? 

EC: A escolha da melhor técnica baseia-se no diagnóstico do casal. Não existe receita de bolo, o que existe são diferentes tipos de protocolo, e a abordagem vai ser de acordo com a dificuldade.

HC: Até qual idade considera-se uma gravidez saudável? 

EC: Até os 53 anos a paciente pode gestar, nessa idade dificilmente ela terá folículos próprios, mas a gestação é a viável, desde que a paciente seja saudável. É importante entender que aos 53 anos, uma mulher será apenas a receptora, ou seja, dificilmente ela terá folículos, sendo necessário uma doadora. 

Hoje, nossa realidade é um pouco diferente, tendo em vista que a vontade de ser mãe não é mais uma prioridade para muitas mulheres, e isso é natural.

Nesses casos, nós podemos fazer o congelamento de folículos por meio do estímulo, como no tratamento de alta complexidade, depois fazemos a captação e congelamos esse material e quando a mulher se sentir preparada, podemos fazer o encontro e viabilizar a gravidez.

Isso é muito comum, inclusive temos projetos voltados para Três Lagoas para facilitar o acesso a esse tipo de tratamento, no sentido econômico.

HC: Os métodos de preservação da fertilidade são recentes na literatura? 

EC: Sim, a preservação da fertilidade é algo recente, no entanto tem sido feita com frequência e os resultados são positivos. Algumas pesquisas mostram que tanto o embrião quanto o óvulo congelado possuem maior taxa de sucesso do que o a fresco, que é coletado e transferido naquele mesmo ciclo.

Isso ocorre porque na hora de selecionar escolhemos os melhores embriões por meio de pesquisas, ou seja, escolhemos aqueles com as melhores características. Nessa pesquisa é possível ver até mesmo a presença de algumas doenças e se o embrião não é saudável, ele não é selecionado.

HC: Hábitos de vida podem prejudicar a fertilidade de um casal? 

EC: Sim, hábitos não saudáveis podem prejudicar a fertilidade feminina e masculina, bem como tabagismo, etilismo e alimentação inadequada, que pode desencadear a obesidade, doença com grande influência na infertilidade feminina. 

O hábito de fumar é ainda mais prejudicial para saúde fértil dos homens, assim como ficar muito tempo sentado, por isso é importante se locomover no dia a dia, fazendo pausas, levantando-se e esticando as pernas para dar um descanso para o saco escrotal, isso pode evitar prejuízos futuros com a fertilidade.

Nesse contexto, o ideal é ter hábitos de vida saudáveis, como praticar atividades físicas, evitar o tabagismo e o etilismo e manter uma alimentação saudável e balanceada, e isso requer orientação de uma especialista, seja um endócrino ou nutricionista.

Imagem ilustrativa

HC: Nas mulheres, a queda de hormônio pode ser prejudicial para saúde geral?

EC: Na Gestare nós também trabalhamos com reposição hormonal e a falta de hormônio assim como o excesso pode sim trazer danos para saúde física e mental. 

Quando em falta, a mulher fica com todos os sintomas da menopausa, dentre irritabilidade, fogacho, insônia, secura vaginal, perda da libido e ressecamento da pele. No caso dos excessos, eles costumam ocorrer quando se deseja obter ganhos estéticos, e isso também pode também ter prejuízos futuros. Em resumo: tudo é equilíbrio.

É importante destacar que a queda de hormônios na mulher é algo normal conforme o avanço da idade. A testosterona, por exemplo, é um hormônio que está sempre em desvantagem entre as mulheres, isso porque vocês possuem 30x menos que os homens.

Como a redução é natural, o ideal é que em determinado momento da vida, as mulheres façam a reposição dos hormônios em déficit, porque isso vai melhorar o desempenho físico, melhorando a disposição, o sono, autoestima, a pele, a libido e outras funções que se perdem com o tempo. 

Destaca-se que essa reposição visa devolver à disposição, mas de forma correta, sem exageros. A reposição hormonal não é para fins estéticos e sim uma questão de saúde!

HC: Até qual idade considera-se saudável fazer o congelamento de óvulos e gametas? 

EC : Quando se trata do congelamento de gametas e espermatozóides, a idade limite é 35 anos, porque a partir daí temos uma queda muito acentuada de folículos e temos também uma redução muito grande na qualidade desse material. 

Se uma mulher de 20 anos quiser fazer o congelamento, ela já pode. O legal disso é que você preserva seus embriões e tem uma reserva futura. Caso a paciente engravide no meio do caminho de forma natural ela pode descartar o material e se o desejo da gravidez vier tardiamente, ela pode usar os folículos congelados.

HC: Existem sintomas de infertilidade? 

EC: A infertilidade em si, dificilmente apresenta sintomas. No entanto, existem doenças que podem causar a infertilidade e essas doenças sim podem causar sintomas, sendo necessário tratamento. 

No caso das mulheres, está a endometriose, por exemplo, e no caso dos homens a varicocele que são varizes na bolsa escrotal.

Portanto, os sintomas na grande maioria das vezes não estão relacionados com a infertilidade, mas com alguma doença que pode levar a infertilidade, como as que citamos.

Mulheres que sentem muitas cólicas, apresentam o ciclo desregulado e grande fluxo de sangramento no período menstrual devem procurar um ginecologista, atitude essa fundamental no diagnóstico e tratamento de doenças que podem afetar a fertilidade.

HC: Existe check-up para saber se a mulher é infértil? 

EC : Isso é mito, não existe check-up para saber se a paciente está apta ou não para engravidar sem uma tentativa prévia, ou seja, primeiro a mulher tenta engravidar nos métodos tradicionais, caso não haja sucesso, aí sim entramos com a investigação! 

Confira a entrevista na íntegra: 

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DR. ENEIAS CANO 

(CRM 4695, RQE 3216)

Graduado em medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS. Residência médica em ginecologia e obstetrícia (AAMI-Campo Grande-MS). Pós-graduação em videolaparoscopia ginecológica pelo Instituto Fernandes Figueira-Rio. Pós-graduação em infertilidade pelo instituto Gera - São Paulo. 

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