Se existe um médico que possui um lugar especial na vida das mulheres é o ginecologista. Desde a primeira menstruação, ele tem um papel importante para explicar as mudanças que começam a acontecer no corpo na pré-adolescência, orientar sobre a saúde íntima e a proteção contra doenças sexualmente transmissíveis, bem como realizar o diagnóstico precoce de doenças como endometriose e ovário policístico. Com o início da vida sexual, as consultas acontecem pelo menos uma vez por ano e, durante uma gravidez, o papel desse médico é óbvio: é ele que acompanha todo o desenvolvimento do bebê, até o parto - um momento divisor de águas para todas as mulheres e suas respectivas famílias.
Os assuntos sobre esse tema são muitos! Para falar sobre eles, levando informação à população de Três Lagoas e região, o blog da Gestare Vita foi criado. Quem responde às dúvidas de nossas leitoras é o doutor Enéias Cano (CRM 4695 | RQE 3216), ginecologista e obstetra com mais de 10 anos de experiência e dedicação à saúde da mulher em Três Lagoas. Conheça um pouco mais sobre a história dele e seus planos para o futuro.
Como foi a sua trajetória como médico e a sua decisão pela ginecologia?
Entrei na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) em 1999, no curso de medicina. A decisão pela ginecologia foi direcionada a partir do quarto ano, quando eu comecei a ter mais contato com essa área, especificamente, e decidi me especializar em uma área que tivesse clínica e procedimentos cirúrgicos. A ginecologia e obstetrícia contemplam isso - a parte cirúrgica, que é muito ampla e clínica, para ambas. Logo que terminei a faculdade, em 2005, passei em dois concursos; comecei a atender como clínico em Campo Grande, enquanto cursava a residência. Em 2010, resolvemos nos mudar para Três Lagoas. Assumi plantões de clínica e ginecologia e obstetrícia do Hospital Auxiliadora e também atendia no ambulatório de cirurgia da Clínica da Mulher de Três Lagoas, além do consultório. Nessa época, eu já estava fazendo minha pós-graduação em Infertilidade e a ideia da Gestare Vita começou a ganhar forma. Eu e minha esposa, doutora Ana Cláudia Santana (CRM 4672 | RQE 3781) concretizamos a ideia no fim de 2016, quando criamos um espaço para trabalhar mais com a infertilidade e ginecologia, pois entendemos que aqui há bastante espaço para trabalhar com casais inférteis que estejam buscando engravidar.
Nestes anos de prática, você sabe quantas pacientes já atendeu?
Muitas. Só em Três Lagoas, estou com 8 anos de atendimento na prefeitura, com uma média mensal de 270 consultas. No consultório, são cerca de 150 consultas por mês. É claro que algumas pacientes voltam, mas fazendo as contas, são mais de 38 mil atendimentos realizados desde que cheguei aqui.
Na sua rotina como médico, quais são os momentos que merecem destaque?
No Hospital, temos um programa que controla as cirurgias, e eu consultei: realizei aqui mais de 3 mil procedimentos, de todos os tipos, como retirada do útero, histeroscopia, cesárea, laqueadura etc. E quanto mais um médico opera, mais chances tem de se deparar com as complicações de um procedimento; é gratificante dizer que até hoje, saímos de todas elas e assistimos o paciente até o momento da resolução dessa complicação. Entendo que cada paciente é o mais importante naquele momento, não importa quantas cirurgias você faça, pois durante, no pré e no pós-operatório até o momento da alta - é uma vida pela qual você é responsável, é uma pessoa dividindo uma etapa de vida com o médico. Por isso, todas as pacientes são marcantes: cada uma tem sua história, os motivos para realizar uma operação, às vezes tendo passado um longo período de espera para sanar um problema de saúde. Não há como escolher uma história, pois cada paciente é única e marcante à sua maneira.
Por qual aspecto da sua profissão você é apaixonado?
Quando vamos trabalhar com o que gostamos, não vemos o dia passar; nem o ano passar. E para mim, a ginecologia e a obstetrícia têm um aspecto muito gratificante que é o fim da gestação, quando faço o parto e entrego para a família, de maneira simbólica, aquele bebê. Por pelo menos nove meses, você faz parte da vida daquela família de forma muito intensa e, no momento do parto, concretizar aquela espera é sublime. Na ginecologia e na cirurgia, servimos como ferramenta para ajudar uma paciente que chega com um problema. É recompensador poder realizar um procedimento em uma paciente que chega com incontinência urinária, por exemplo, e devolver para ela a possibilidade de uma vida social normal, que antes ela não tinha. A questão da infertilidade, que nós estamos trilhando agora, também é apaixonante, pois o casal, às vezes chega ao consultório sem esperanças, destruído psicologicamente após várias tentativas frustradas de gravidez; o filho é questão até de sobrevivência do casamento; tem essa carga muito grande e você, como médico, se sentir útil nesse momento é uma grande honra, é uma felicidade compartilhada quando fazemos o exame e ele vem positivo.
Quais são os seus planos profissionais para o futuro?
Quero me capacitar cada vez mais na questão da infertilidade e nas cirurgias histereoscópicas, laparoscópicas e vaginais. Não podemos abraçar tudo; então, entendo que, focando nessas duas áreas de atuação que já tenho, serei capaz de ajudar mais pacientes ao longo da minha carreira.
DR. ENEIAS CANO
(CRM 4695, RQE 3216)
Graduado em medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS. Residência médica em ginecologia e obstetrícia (AAMI-Campo Grande-MS). Pós-graduação em videolaparoscopia ginecológica pelo Instituto Fernandes Figueira-Rio. Pós-graduação em infertilidade pelo instituto Gera - São Paulo.