Ao contrário de muitas doenças oftalmológicas, o ceratocone costuma surgir entre a infância, adolescência e o princípio da vida adulta, tornando a visão embaçada e irregular. Segundo o médico oftalmologista do Instituto de Olhos de Três Lagoas, Dr. Marcelo Martins, a doença é progressiva, ou seja, sem o tratamento e acompanhamento adequado o distúrbio tende a piorar com o passar tempo, e dependendo do caso clínico, o paciente passa a enxergar todas as imagens de forma distorcida, mesmo com o auxílio dos óculos.
Mas afinal, você sabe quais são as causas, os sintomas e as formas de tratamento do ceratocone? – Se a resposta foi negativa, então continue a leitura e confira!
Oftamologista Dr. Marcelo Martins Instituto dos Olhos de Três Lagoas (IOTL)
Qual a causa da ceratocone?
De acordo com o médico, para entendermos a doença, é preciso primeiro compreender o funcionamento da córnea, que possui uma estrutura similar a uma calota de carro.
“A córnea é responsável pela refração, que nada mais é do que a mudança de direção da luz ao entrar nos olhos. Quando isso ocorre, esse raio de luz precisa passar por outras estruturas do nosso globo ocular até chegar à retina. Desse ponto, o nervo óptico leva a informação até o cérebro, onde ela será processada e convertida na imagem” – explicou.
No caso do ceratocone, a córnea passa a ficar com um formato deformado, parecido com um cone, e é essa alteração que distorce a entrada da luz no globo ocular e causa uma confusão nas imagens. A princípio, a doença pode ser facilmente confundida com um
astigmatismo
, só que de forma mais agravada e irregular.
Segundo o especialista, não se sabe ao certo os motivos para que isso ocorra, o que se sabe é que cerca de 1 à 5% da população possui defeitos em um gene, que posteriormente abre as portas para a doença. Contudo, nem todas as pessoas que possuem o defeito no DNA terão o ceratocone, considerando que o surgimento também está interligado a fatores externos, como coçar e apertar os olhos com frequência, hábitos esses que podem alterar a córnea.
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O Dr. Marcelo Martins explica que o primeiro ponto é verificar o histórico familiar, e se houver algum caso na família é importante levar isso ao oftalmologista, como uma forma de minimizar o risco da doença, por meio de orientações preventivas e tratamento se caso identificado a necessidade.
Além disso, asma, rinite e coceira nos olhos são fatores de risco, considerando que elas podem estimular os danos à córnea.
“Levar a coceira ocular a sério é muito importante, pois muitas vezes isso se torna um vício perigoso. É importante identificar a causa dessa coceira e tratá-la. Lembrando que em muitos casos, esse tratamento se baseia no simples uso de um colírio indicado, por exemplo” – ressaltou.
No caso dos pacientes alérgicos, é importante evitar ambientes que estimulem essa coceira, bem como lugares empoeirados, com ácaro ou até mesmo com animais de estimação e bichos de pelúcia, além do acompanhento com o especialista em alergia.
De acordo com o médico, ainda não existe uma cura para ceratocone, no entanto, com o acompanhamento e tratamento adequado é possível controlar a doença e restabelecer a visão.
Inicialmente é feita a avaliação através da refração, com uso de óculos e lentes de contato. Dependendo da gravidade do ceratocone, é feita a adaptação de lentes de contato rígidas para melhor acuidade visual.
Dentre as opções hoje presentes no mercado, está o
anel intraestroma
l, onde por meio de uma cirurgia, cava-se um túnel no meio da córnea, onde é colocado uma prótese feita de acrílico que ajuda a regularizar a curvatura da córnea, possibilitando melhor adaptação ao uso de óculos ou lentes de contato.
O
Crosslinking
é outra opção, sendo essa uma cirurgia que combina a aplicação de um colírio de vitamina B no olho, a exposição a um raio de luz ultravioleta, que excita essa vitamina fazendo com que a córnea amadureça mais rapidamente, tornando-se mais rígida.
O transplante de córnea fica reservado para os pacientes que não conseguem obter uma boa acuidade visual com uso de óculos ou lentes de contato e que não tenham indicação de implante de anel intraestromal ou crosslinking.
“O importante mesmo é que a severidade do ceratocone seja avaliada por um oftalmologista, pois é esse profissional que vai indicar o tratamento mais adequado, isso porque dependendo do quadro pode ser indicado apenas o uso dos óculos, lentes de contato rígidas ou procedimentos cirúrgicos, como o transplante de córnea, por exemplo” – finalizou.
Portanto, o ideal é frisamos que ceratocone tem tratamento e o sucesso das medidas adotadas depende da rapidez no diagnóstico.
Já realizou seu check up oftalmológico este ano? O check-up ocular é uma avaliação clínica oftalmológica que permite através de exames analisar as condições visuais do paciente, detectando possíveis doenças em fase assintomática e prevenindo que problemas oculares graves não ocorram.
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