O planejamento familiar é um tema que vem ganhando espaço para debate e informação, e isso reflete diretamente no número de mulheres que adotam algum método contraceptivo para prevenir uma gravidez não planejada. No Brasil, um relatório da ONU apontou que, em 2015, 79% da população feminina estava usando algum dos métodos disponíveis, e dados do Ministério da Saúde apontam que 75% delas preferem a pílula anticoncepcional.
Apesar de muito difundido, o anticoncepcional ainda desperta muitas dúvidas entre as mulheres. Para esclarecer alguns pontos, iniciamos uma série de perguntas e respostas com o ginecologista e obstetra Enéias Cano (CRM 4695 | RQE 3216), que também é especialista em infertilidade, e vai contar tudo sobre o assunto.
Pílula dá trombose?
“Não. Porém, o risco de trombose pode aumentar em mulheres que apresentam predisposição genética, e nesses casos, a pílula potencializa essa condição de ter uma vasculopatia grave (doenças no sistema circulatório). Isso é descoberto na anamnese no início da consulta, quando o médico pergunta se há casos de trombose na família ou até mesmo com a própria paciente. Os vilões que causam essas doenças são os hormônios derivados do estrogênio contidos nas pílulas anticoncepcionais, que alteram os processos de coagulação no sangue, mas as novas fórmulas trazem doses menores, que impactam menos nesta questão. Por isso, é muito importante individualizar as prescrições médicas. Só assim, garantimos que o perfil de cada paciente será analisado antes de seu ginecologista receitar o anticoncepcional mais adequado. Quando a individualização é seguida, a pílula pode ser considerada uma droga segura, mas que não deixa de ter efeitos colaterais, como toda medicação”.
Pílula engorda?
“O que engorda é comida. Pílula não engorda. Indiretamente, os efeitos colaterais podem levar as usuárias a ganharem peso por causa da retenção de líquido, e em alguns casos pode haver uma alteração no apetite, que leve ao maior consumo de calorias - principalmente vindas de carboidratos - e consequente ganho de peso. Vale comentar que as mulheres começam a tomar a pílula geralmente após o início da vida sexual, quando o corpo já encerrou seu processo de crescimento e iniciou a fase adulta. Naturalmente, as necessidades calóricas diminuem, e com o trabalho e outras atribuições, talvez essa paciente mude seus hábitos e se torne mais sedentária, sem cuidar da alimentação. Recomendamos sempre avaliar a rotina de exercícios e dieta, antes de colocar a culpa na pílula. Há raros casos em que a paciente engorda muito ao iniciar o uso do método, mesmo sem nenhuma mudança na rotina, aí podemos investigar, porém, não é o que se vê na maior parte das paciente”.
Pílula anticoncepcional causa varizes?
“Não, porém, em pessoas com predisposição genética, ela pode potencializar o efeito, assim como acontece com a trombose. Para estas pacientes em que observamos vasinhos aparentes, geralmente não indicamos a pílula”.
E celulite?
“De novo, não diretamente. Por provocar retenção de líquido, em algumas usuárias, a pílula pode aumentar o aparecimento de celulite em mulheres sedentárias e que tenham má alimentação. Alguns tipos de corpos, com suas características específicas, são mais vulneráveis a isso, e há algumas fórmulas com ação diurética que podem ser boas para estas mulheres. No geral, recomendamos hidratação correta e bons hábitos de vida, para minimizar este efeito".
Tem alguma pergunta? Escreve pra gente pelas redes sociais: www.facebook.com/gestarevitaConheça o trabalho da Gestare Vita no site: www.gestarevita.com.br
DR. ENEIAS CANO
(CRM 4695, RQE 3216)
Graduado em medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS. Residência médica em ginecologia e obstetrícia (AAMI-Campo Grande-MS). Pós-graduação em videolaparoscopia ginecológica pelo Instituto Fernandes Figueira-Rio. Pós-graduação em infertilidade pelo instituto Gera - São Paulo.