Quando um casal decide engravidar, muita coisa muda na rotina de ambos. A mulher passa a usar métodos de percepção da fertilidade e o casal passa a ter relações comandadas pelo relógio biológico dela, na expectativa da concepção. Psicologicamente, estão preparados para o filho que chega, costumam estar acompanhados por médicos, ginecologista para ela, talvez um clínico para ele, e mesmo estando “tudo bem” com os dois, por vezes essa gravidez demora para acontecer.
Só de pensar nessa história, dá para imaginar como o casal que decide procurar um médico especializado em tratamento para infertilidade humana chega até o profissional: níveis altos de ansiedade, frustração, uma insegurança aumentada pelas muitas perguntas ainda sem resposta, e também a tensão de estarem diante de uma solução que implica dinheiro e muitas vezes fez com que eles decidissem renunciar às próximas férias ou à compra de um bem em troca do tratamento. Isso sem contar a preocupação crescente da mulher, principalmente, ao ver sua idade avançando sem que o tão esperado filho chegue.
“O perfil da população está mudando aos poucos, e uma série de fatores faz com que haja um aumento no número de casais inférteis, enquanto aumenta também o número de clínicas ou profissionais que passam a oferecer a reprodução assistida. Porém, até mesmo pelo alto custo do tratamento, é muito importante frisar que a formação de um ginecologista visando se especializar em reprodução humana é complexa e demorada, pois requer um alto nível técnico em ginecologia geral e endócrina, habilidade cirúrgica em microcirurgia, videolaparoscopia e vídeo-histeroscopia, conhecimento em ultrassonografia, e uma empatia sem igual para lidar com este momento tão delicado e especial da vida de uma família”, comenta dr. Enéias Cano, responsável técnico da Gestare Vita, em Três Lagoas.
O médico ressalta que essa busca por um profissional capacitado fará do processo de reprodução artificial algo muito mais tranquilo, e dá algumas dicas práticas de quem atua com esta especialidade:
* Números são estatísticas e variam muito de caso para caso. Não deixe que esses valores fiquem ecoando na sua cabeça, pois seu corpo é muito mais do que esse número.
* Confiar no profissional que acompanha seu caso é parte fundamental do processo. Se você não sente empatia pelo seu médico, procure outro, pois isso certamente influencia no seu tratamento.
* Se possível, tenha uma equipe multidisciplinar, com urologista e endocrinologista.
* Saiba que as mudanças não têm resultados imediatos e o corpo pode necessitar de uns meses para se ajustar. Por isso, é tão importante confiar no seu médico.
DR. ENEIAS CANO
(CRM 4695, RQE 3216)
Graduado em medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS. Residência médica em ginecologia e obstetrícia (AAMI-Campo Grande-MS). Pós-graduação em videolaparoscopia ginecológica pelo Instituto Fernandes Figueira-Rio. Pós-graduação em infertilidade pelo instituto Gera - São Paulo.