Nasceu no dia 23 de abril o terceiro filho de Kate Middleton e do príncipe William, herdeiro do trono real Britânico. O nome foi divulgado hoje - Louis Arthur Charles. Mas o que causou burburinho na internet brasileira foi a saída em tempo recorde da duquesa de Cambridge da maternidade, apenas seis horas após o parto.
Em nosso país, esta cena não é comum, por isso, conversamos com o ginecologista e obstetra Dr. Enéias Cano (CRM 4695, RQE 3216), responsável técnico da Gestare Vita de Três Lagoas, para saber: é normal que uma mulher saia tão rápido do hospital depois de dar à luz?
“Se o parto foi normal e a paciente não teve hemorragia pós-parto, se não foi necessária uma episiotomia, se após as primeiras horas o útero está contraído e a mãe está se sentindo bem, não há porque permanecer no hospital. Porém, no Brasil, a estrutura do sistema de saúde é hospitalocêntrica. Ou seja: os tratamentos, inclusive pediátrico e obstétrico, acontecem dentro do hospital. Então, culturalmente, para nós é estranha essa saída tão rápida da maternidade como foi o caso da princesa Kate. Ela e suas conterrâneas britânicas têm uma estrutura pediátrica de acompanhamento fora do hospital, pronta para atender o bebê em casa - uma situação bastante diferente do nosso modelo de saúde”, explica o médico.
Parto humanizado
Quem acompanhou a repercussão do caso na internet provavelmente encontrou muitas pessoas criticando o modelo brasileiro e chamando a atenção para o novo discurso do Ministério da Saúde, que vem aplicando o chamado “parto humanizado” em hospitais da rede pública de todo o país, após diretriz lançada em 2017.
Para dr. Enéias, é preciso ter cuidado com a culpabilização exclusiva dos obstetras e a disseminação da ideia de que todos os obstetras são cesaristas. “Não vejo desta forma. Há muitas nuances para serem analisadas. Se, no Brasil, nós temos altas taxas de cesárea, é porque nosso sistema de saúde foi construído para ser hospitalocêntrico. Nos países desenvolvidos, como a Inglaterra, foram criadas estruturas para que, do pré-natal até a finalização do parto via baixa, a mulher pudesse ser atendida fora do hospital. Em nosso país, vai levar um tempo para mudar isso e estruturar condições que permitam um parto normal fora do ambiente hospitalar, mas com todo aparato para cuidar da mãe e do bebê, possibilitando cuidar de intercorrências imediatamente, para que este bebê não tenha sequelas. Mas a maneira com a qual o obstetra conduz o parto normal aqui ou na Inglaterra é a mesma, com o mesmo cuidado”, avalia ele.
O ginecologista completa a questão com um ponto importante: a saúde do bebê. “Como médico, sou totalmente a favor do parto normal, desde que ele seja assistido por uma equipe qualificada, num ambiente adequado. Ao observar as taxas de bebês com sequelas do parto, vemos que, no parto normal sem estrutura, o número é maior do que no parto cesárea, justamente por causa da falta de assistência imediata para tratar das complicações. Sem dúvida, é uma discussão ampla, que devemos ter para melhorar todo o nosso sistema de saúde. Se há algo não humanizado, é o sistema como um todo”, finaliza dr. Enéias.
Acompanhe o blog para saber mais sobre gravidez, fertilidade e assuntos relacionados. Tem alguma pergunta? Escreva-nos pelas redes sociais: www.facebook.com/gestarevita
Conheça o trabalho da Gestare Vita Três Lagoas no site: www.gestarevita.com.br
DR. ENEIAS CANO
(CRM 4695, RQE 3216)
Graduado em medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS. Residência médica em ginecologia e obstetrícia (AAMI-Campo Grande-MS). Pós-graduação em videolaparoscopia ginecológica pelo Instituto Fernandes Figueira-Rio. Pós-graduação em infertilidade pelo instituto Gera - São Paulo.