Todos os meses, o corpo da mulher passa por um processo complexo, entre uma menstruação e outra: o ciclo menstrual. Esta cadeia de acontecimentos, que resulta em menstruação ou gravidez, é comandada por quatro hormônios principais: estrógeno e progesterona (secretados principalmente nos ovários), hormônio luteinizante (LH) e hormônio folículo estimulante (FSH), os dois últimos, secretados pela hipófise, uma glândula que fica na parte inferior do cérebro.
Toda mulher que não utiliza um método contraceptivo hormonal consegue perceber sinais em seu corpo da fase pré-ovulatória (fase folicular, que vai da menstruação até a ovulação) e a fase pós-ovulatória (fase lútea, que vai da ovulação até a véspera da próxima menstruação).
Segundo o ginecologista e obstetra Enéias Cano (CRM 4695, RQE 3216), cada mulher terá um tempo, e os ciclos podem acontecer de 21 a 35 dias, na maioria dos casos. “Falamos em 28 porque é o mais comum, mas não é a regra, e os ciclos podem mudar ao longo do tempo. Na adolescência, por exemplo, é normal verificar ciclos com espaços irregulares, pois o corpo está ainda se adaptando. Mas saber identificar o ciclo ao longo dos anos e estar atenta a qualquer coisa fora do usual é importante, pois algumas alterações podem significar problemas hormonais, e devem ser comunicadas em uma consulta ginecológica”, comenta ele.
Quando se preocupar?
De acordo com o médico, nada que seja muito incômodo para a paciente deve ser ignorado. “Pequenos sangramentos no meio do ciclo, os chamados escapes, são toleráveis. Porém, em alta quantidade ou frequência, pode indicar problemas com a produção de progesterona. O mesmo vale para cólicas ou a intensidade do sangramento. Num ciclo saudável, a menstruação dura entre três e sete dias de fluxo, com sangue vermelho, acumulando de 5 ml a 80 ml no total. Isso representa, no máximo, 16 absorventes por ciclo, com cólicas nos primeiros dias, que não impeçam a paciente de realizar suas atividades. Dores intensas e fluxos que durem mais de 8 dias ou exijam uma troca constante de absorvente devem ser investigados”, explica dr. Enéias.
Você sabia?
A primeira parte do ciclo, pré-ovulatória, é mais variável, e costuma ser a causa de intervalos irregulares em mulheres saudáveis. Mas a fase pós-ovulatória é bastante parecida para todas, e a menstruação acontece cerca de 14 dias após a ovulação. Portanto, mulheres que tenham ciclo mais longo ou mais curto precisam ficar mais atentas, pois o período fértil nem sempre está no meio do ciclo. Alguns aplicativos, como o Flo e o Clue, ajudam a controlar as variações, mas para quem quer engravidar ou dificultar uma gravidez indesejada, é muito relevante conhecer o próprio corpo e entender as mudanças na secreção vaginal que acontecem quando se está ovulando para saber o período fértil.
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DR. ENEIAS CANO
(CRM 4695, RQE 3216)
Graduado em medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS. Residência médica em ginecologia e obstetrícia (AAMI-Campo Grande-MS). Pós-graduação em videolaparoscopia ginecológica pelo Instituto Fernandes Figueira-Rio. Pós-graduação em infertilidade pelo instituto Gera - São Paulo.