Filha única do casal, Néia e Roberto , Aracelly teve desde cedo a responsabilidade de ser a filha perfeita.
“É normal pais projetarem nos filhos suas vontades e sendo filha única, acabei recebendo todos os sonhos. Meu pai quem escolheu meu nome por conta do caso da menina do Espírito Santo que teve repercussão na época, e por não ser um nome comum, sempre me perguntam” .
Com um nome desses, sua história também seria marcante, mas de coisas boas. Ela acabou casando com o primeiro namorado que apresentou aos pais, o fotógrafo e agente de escolta Marcello Pereira . “Conheci o Marcello com 16 anos, namoramos quase oito anos, fiz Administração, mesmo não sendo o curso que desejava. E foi bom, fiz estágio no Banespa, depois na Caixa, depois virei telefonista no Santander, até que me tornei caixa. Enfim, tinha um emprego seguro, meu pai feliz ”, conta ela. Só que a pessoa mais importante não estava feliz: ela.
Aracelly baseia sua vida em três princípios: não é puxa saco, ninguém é melhor que ninguém e não consegue enganar as pessoas. “Então, o período no banco foi bem difícil, eu era cobrada demais, mas não admitia passar por cima de nenhum dos meus princípios, acabei entrando em depressão, ainda, mais que tinha acabado de ganhar o Alekhine ”, conta. “Até eu ser mãe aguentava muita coisa, depois comecei a ver que não tinha muito valor ficar longe do meu filho”.
Ela precisava de apoio para mudar sua vida, e nesta hora o Marcello a apoiou sem hesitar. Aracelly pediu as contas. “Acho que todo esse sofrimento psicológico me fortaleceu e fortaleceu ainda mais o meu casamento, pois enquanto todo mundo achava loucura eu deixar um emprego estável, o Marcello viu que eu estava infeliz” , relembra.
Mas uma coisa ela tinha certeza, que passaria a escrever o seu destino e não deixar na mão dos outros. “Então, abrimos uma loja no shopping, a "Primeira Impressão", uma estamparia de fotos em camisetas e canecas” .
Desta loja, eles viram que juntos poderiam trilhar um caminho de harmonia e prosperidade. Na época, as pessoas queriam fazer camisetas, mas não tinham foto boas, então eles montaram um mini estúdio para poder fazer a foto para estampar.
“ Adorava a loja, sempre gostei de trabalhar com a arte e me redescobri, mas eram produtos baratos e tínhamos que trabalhar de segunda a segunda, enfim, passei a não ter tempo para o meu filho”.
Neste período, a gravidez do segundo filho, agora uma menina a Helô , o casal decidiu fechar a loja. “Então, montamos a loja virtual e começamos a trabalhar em casa, foi uma fase difícil, chegamos ao fundo do poço, aí batemos o pé e subimos novamente”.
E o que era um hobby, a fotografia, passou a ser a profissão. “Fomos nos aperfeiçoando, fazendo um aniversário, um casamento, e hoje temos um estúdio completo que fazemos fotos desde parto, casamento, datas comemorativas a ensaios para lojistas” .
Além de se sentir realizada, Aracelly teve o reconhecimento nacional: uma foto de parto foi premiada há 3 anos atrás. “Mesmo todos achando que eu fiz loucura em jogar fora uma carreira de bancária, hoje, tenho orgulho de dizer que sou fotógrafa e, premiada” , finaliza.
