Esta andradinense tem orgulho de sua trajetória e, principalmente, de sua família. Márcia Maria de Sousa já mostrou que cinco décadas foi pouco tempo por tudo o que já enfrentou.
Ela que é professora, formada em História, Pedagogia e Psicologia com especialização em Psicologia Organizacional e do Trabalho.
Já foi uma das mulheres mais influentes da região e não tinha na época a menor noção disso, por ser muito jovem.
Hoje madura, olha para traz e muitas vezes não consegue entender como conseguia dar conta de tanta coisa e reconhece, que o excesso de responsabilidade fazia dela uma mulher solitária, fato esse que ela tenta mudar até hoje. É meio avessa a socialização , fica mais confortável em ambiente seguro como em sua casa com sua família.
Ela chega aos 50 anos com a maturidade de todas as experiências vividas. Para quem acha que a vida dela foi de sonhos, onde o príncipe encantado a colocou no cavalo branco e viveram felizes para sempre, se engana. Filha de Leonilda Roque de Sousa e Vicente Felizardo de Sousa, casada há 32 anos, com seu primeiro namorado, Luiz Carlos Alves, com três faculdades e o magistério, Márcia largou carreira estável, concursada da Prefeitura e do Estado para construir um império com o marido: Rede Passarelli de Supermercados.
Assim como todo império, o deles ruiu, mas ao contrário de muitos que se martirizam, eles arregaçaram as mangas e foram à luta. Hoje, Márcia possui Espaço Corpo & Mente, onde diversas profissionais encontram salas para atenderem seus clientes, e a La Bella Cosméticos. E ainda, arranja tempo para atender seus pacientes como psicóloga, manter uma Coluna Social em um Jornal de grande circulação regional, cuidar dos filhos, Luiz Carlos Júnior (formado em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas) e Marcella (adolescente).
“Meu sonho sempre foi fazer psicologia, mas na época eu não tinha grana, casei nova com 17 anos, assim que me formei no magistério teve concurso da Prefeitura e do Estado para dar aulas e eu passei nos dois. Com 19 anos já estava concursada do Estado e da Prefeitura, dava aula de manhã e a tarde e, depois, quando terminei o curso de História fui dar aula à noite”, lembra ela.
Ser Mulher
“Eu amo ser mulher, não queria ser homem de jeito nenhum. O que melhor representa para mim é a capacidade de gerar vida. É divino carregar outra vida dentro da gente. A mulher também é muito versátil, tem uma forma de lidar com várias situações, de fazer várias coisas ao mesmo tempo, ser muitas coisas ao mesmo tempo, exercer muitos papeis ao mesmo tempo e ainda por cima, o dom de gerar vidas? Ah, ser mulher é bárbaro”.
Ser Rica
“O tempo em que tínhamos o Passarelli, trabalhamos bastante, não tínhamos tempo para curtir, só trabalhava. Claro que tinha bastantes privilégios, ser muito cortejada, tapete vermelho estendido, enfim tudo o que o dinheiro proporciona, mas eu trabalhava muito. Já tive um total de 1.500 funcionários, que acabavam sendo minha família”.
Desta época de fartura financeiramente, Márcia diz que o que mais sente falta é dos convites. “O que eu sinto mais falta é do cortejo por ser uma grande empresária, pelas empresas das quais era cliente. Uma das coisas que não esqueço era quando “os caras” dos bancos me buscava de avião aqui em Andradina para almoçar em diversas capitais do país e oferecer grana emprestado. Obvio que eu ia, muitas vezes falava não e voltava para casa. Como exemplo ser convidada para almoçar em um banco, enviavam avião para me buscar, almoçava muitas vezes falava não e eles me devolviam em casa . Fora isso nada mais me faz falta”, lembra.
Ela afirma que sempre esteve ‘fora do ninho’. “As pessoas mudaram muito comigo, pois eu era pobre, do bairro Antena, aí comecei a adquirir coisas, carro bom, casa boa, funcionários e com isso as pessoas deixaram de serem minhas amigas porque acharam que eu tinha ficado metida, mas na verdade eu só trabalhava e cuidava daquilo que tinha que cuidar. Já por outro lado, as pessoas que eram ricas me olhavam torto, porque eu não pertencia ao mundo dos ricos, era uma mera emergente, não tinha o famoso berço. Então eu não era mais aceita pelos meus amigos que ficaram lá no bairro e nem pela tal dita sociedade. Então a gente ficava entre nós, a empresa para mim era o meu mundo, por isso que o Passarelli foi um ícone, por isso que todos amavam, porque era a nossa família, eram os nossos amigos, tinha muito calor humano nas lojas do Passarelli. Inclusive o slogan era "faz parte da sua vida", e realmente fazia parte da nossa vida”. Márcia lembra que o slogan foi criado por ela, pelo Luiz Carlos e seu irmão Joaquim e o nome foi por causa do bairro, onde adquiriram o primeiro boteco, no salão da Dona Luiza Lopes, mãe do nosso Prefeito Mario Celso, no bairro Passarelli.
História
Ela conta que o marido Luiz Carlos era montador óptico, das Óticas Iguatemy e cursava Educação Física. “Eu era professora, mas meu pai que já era do comércio, e acabamos seguindo a veia dele e nos saímos muito bem”, lembra. A rede Passarelli chegou a ter oito lojas nas cidades de Andradina, Três Lagoas, Araçatuba e Birigui. Quando decretaram falência, foi feita a recuperação judicial. “Tem muito dinheiro, mas nas mão da Justiça. Nós entregamos o Passarelli para Justiça, entregamos tudo, o que era dívida e o que era a receber, exceto os funcionários que foram todos pagos”, salienta.
E, diante disso, Márcia e Luiz foram fazer o que sempre fizeram: trabalhar. “A gente fez uma coisa: trabalhou, não paramos de trabalhar, nem antes nem durante e nem depois, eu abri minha clínica e fui atender. O Luís foi trabalhar como vendedor de carne, vendedor de progressiva, sempre com vendas”, conta. Sobre os filhos, Márcia disse que foi tranquilo. “Meu filho já estava estudando, se formando, agora trabalha, tem um bom emprego, ele sempre viu os pais trabalhando e o que ele faz hoje também”.
Em fevereiro, Márcia foi internada com Covid. Na ocasião, ela fez um relato que foi amplamente difundido nas redes sociais. Sobre esta doença, ela conta que falou com Deus o tempo todo lembrando que ainda tinha muitos sonhos a realizar.
