"Eu já trabalhei todas as feiras," conta Marcinha. Ela que tinha uma presença marcante em várias praças da cidade, como da Stella Maris, do Teodoro e do Japão, onde conquistou muitos clientes e amigos, por falta de um carro e a dificuldade de locomoção, a obrigaram a reduzir seu ritmo. "Eu não dirijo. É difícil locomover", explica. O custo com transporte também é um obstáculo, já que carregar suas caixas de mercadorias não é qualquer um que aceita.
Atualmente, Marcinha participa apenas da feira de domingo na Ceará, a mais próxima de sua casa. "Levo tudo na carriola," diz ela, com a mesma determinação de sempre. Nos tempos de maior abundância de mercadorias, ela e seu amigo de feira, Juvenal, chegaram a alugar um salão para estocar os produtos. “A pedido da minha mãe, minha irmã e do meu padrasto, o Juvenal me contratou para ajudar na feira e assim, me tornei feirante com orgulho”.
Marcinha e Juvenal têm um papel crucial na organização da feira. “Todos os domingos, se você passar lá meia-noite, é eu e ele que colocamos a placa que fecha o trânsito”, relata Marcinha. Eles são responsáveis por iniciar a montagem das barracas e garantir que tudo esteja pronto para quando os demais feirantes cheguem.
A união entre os feirantes é um dos pontos fortes da feira. "É um ajudando o outro," afirma Marcinha. Apesar de não ser casada com Juvenal, a parceria entre eles é tão sólida que muitos pensam o contrário. E essa união se estende a todos os feirantes, que se ajudam e se protegem mutuamente. “Às vezes eu tô aqui trabalhando e não vejo alguém me roubando, mas outro feirante vê e me avisa”.
A feira é, portanto, mais do que um local de comércio para Marcinha; é um espaço de solidariedade e cooperação. Cada domingo é uma batalha, mas também uma celebração do esforço coletivo. “Tem união. Isso é muito legal”, conclui Marcinha, reafirmando o espírito comunitário que faz das feiras de Andradina um lugar especial.
