Está claro que as redes sociais não ensinam a dialogar, as pessoas querem alguém que assine embaixo do que pensam, o pensamento contrário gera o bloqueio, junto com ele a sensação de que não existem pessoas amigas e confiáveis. Seriam um ou dois? Pense em seus amigos e seguidores, quantos vão atender seu chamado de urgência, sem dar uma desculpa (a famosa “mentira sincera”)?
Bauman coloca a individualização como marca registrada da sociedade moderna, todos se tornam estranhos em potencial, já que nunca é possível prever-se totalmente a intenção alheia. A segurança é identificada no autoisolamento, e o suprimento da necessidade de relações sociais é mediado, em parte, pela tecnologia. Ele coloca as relações humanas como inconstantes. Há uma desconfiança na fidelidade do outro e uma indisposição em construir-se parcerias duráveis e sólidas.
Nesse sentido, nosso Zygmunt cita a comunidade estética, criada pela indústria do entretenimento. Ela é orientada pela aparência e usa como ferramenta a sedução. A referência é alguma celebridade, alguém que tenha muitos seguidores. A veiculação de notícias sobre experiências, gostos, enfim, tudo que envolva a vida dessa celebridade, leva os fãs a sentirem-se parte dela sem estabelecerem compromissos incômodos. Há uma união vivida como se fosse real que não prejudica a preservação e execução de desejos individuais.
Erguem-se cada vez mais muros, não existem mais varandas a convidar os vizinhos, as casas se tornaram fortalezas, em que se pratica o distanciamento mental e moral e a fuga do sentimento e da construção de intimidade. Todas as outras pessoas, com seus diferentes modos de vida, são evitadas e vistas como intrusas. Há a redução das possibilidades de encontro com a diferença, de enfrentamento de um desafio cultural. Você é aquilo de que gosta e é capaz de comprar.
O que temos assistido são pais e filhos, cada um no seu quadrado, conectados a pessoas e fatos distantes, sem saber o que se passa no coração das pessoas mais próximas. Infelizmente, o aumento da maldade está esfriando os corações de muitos, a impactar diretamente na estrutura das famílias, que estão em sua maior parte completamente perdidas e sem saber como lidar com a modernidade que abraçou a todos, mas que está devorando seus filhos e netos. A carne e o osso estão cedendo lugar para o metal das máquinas. A busca pelo preenchimento do vazio existencial cada vez mais encontra amparo no consumo de álcool, drogas, remédios, jogos, sexo e produtos descartáveis. A população do Século XXI está ficando doente.