Carpe Diem significa aproveitar o dia e a vida que estamos vivendo aqui e agora, não no futuro, muito menos na eternidade. Os votos eternos e os pactos eternos estão cedendo lugar à consciência de que a vida é breve.
Com o passar do tempo, com a modernidade, o divórcio teve um valor mais libertador para o direito das mulheres, para que elas não sejam mais atreladas como objetos dos seus maridos. Para que se atrelar a situações de gozo do outro sobre mim, de dominação, de assédio e opressão?
Saindo um pouco da abordagem estritamente jurídica, estudiosos do comportamento enxergam a família como um pequeno número de pessoas que se suportam e, na melhor das hipóteses, se amam. É claro que essa visão não é matemática, Maria e João vão dizer que a sua família se encaixa perfeitamente dentre aquelas vistas nos comerciais de margarina.
Brincadeiras à parte, para suportar alguém, sem que se tenha intimidade, é preciso muito teatro, é o tal “ o homem como ator social”. E é dentro dessa intimidade, nesse campo megaproblemático, que está a família a parir o bem e o mal, bondades e loucuras, um filho tão bom e outro tão maluco. Seria herança genética ou espiritual? Ninguém tem a receita desse bolo, mas existem muitas ferramentas à disposição para civilizar as famílias infelizes, uma delas é o distanciamento físico a fim de evitar um mal maior.
Divorciar ou não? Os homens têm dificuldade em romper a relação, mas colaboram bastante para que a mulher tenha a iniciativa.
De concreto é que a não decisão, que pode chegar até as bodas de ouro, termina com os dois cansados e até doentes, sem contar o contágio direto que atinge todos os familiares e conselheiros e, em muitos casos, envolve a polícia.
Nosso modelo de família é alicerçado na moralidade cristã, mas esconde séculos de falta de alegria e felicidade de muitos.
É preciso dar menos valor a toalha molhada na cama, ao cabelo no ralo do banheiro e à roupa no chão. É preciso muita vontade de acertar. Beije aquele com quem se casou, beije seus filhos - pode ser que dê muito certo para você. Se não der, existe o tal divórcio para te livrar de uma prisão perpétua, de uma pena sem crime. Para quê dormir com o inimigo? Certamente seu corpo e sua alma vão te agradecer. Vá ser feliz.
“ O amor é o melhor padrinho do casamento, e a estima recíproca o seu amigo mais fiel. ”. ( Paolo Mantegazza, escritor, neurologista e antropólogo italiano. * 31/10/1831 . + 28/10/1910).
