O ponto central do poliamor e do trisal é a não-monogamia consensual. Não se trata de traição ou de um "relacionamento aberto" (onde geralmente o foco é apenas sexual), mas sim de uma forma de amar onde se acredita ser possível ter conexões românticas e afetivas sérias com mais de uma pessoa simultaneamente.
O Poliamor (do grego poli = muitos, e do latim amor = amor) é o termo guarda-chuva que descreve a prática ou desejo de ter múltiplos relacionamentos íntimos e amorosos, com a concordância de todos os parceiros .
O foco principal é a afetividade e o compromisso. É a ideia de que o amor não precisa ser exclusivo e que uma pessoa pode ter a capacidade de amar mais de uma pessoa de forma profunda e séria. A Comunicação é essencial. Para funcionar, exige honestidade, transparência e o estabelecimento de acordos claros entre todos os envolvidos.
Por sua vez, o Trisal é a configuração mais conhecida do poliamor, envolvendo três pessoas em um relacionamento. O trisal é caracterizado por ser uma relação consensual (todas as três pessoas sabem e concordam com a dinâmica), séria e afetiva, porque vai além do sexo, construindo laços de carinho, compromisso e, muitas vezes, vivendo em família.
Embora o Código Civil brasileiro não preveja o casamento ou união estável entre mais de duas pessoas (mantendo o princípio da monogamia), o afeto e a pluralidade familiar têm sido reconhecidos pela Justiça em diversos casos.
Muitos casais e trisais buscam amparo legal através de Escrituras de União Poliafetiva, onde documentos lavrados em cartório buscam reconhecer a existência da relação, embora sua validade jurídica plena (para fins de casamento e herança) ainda seja debatida nos tribunais; bem como via Poder Judiciário , onde existem casos de famílias que tiveram o reconhecimento judicial da existência de mais de um vínculo de parentalidade (pai/mãe) para a mesma pessoa. Ou seja, filhos de trisais conseguiram incluir o nome dos três genitores em sua certidão de nascimento com base no vínculo socioafetivo.
A família tradicional, muitas vezes definida como nuclear, monogâmica, heterossexual e hierárquica, está passando por um processo de transformação. Ela não está desaparecendo, mas está cedendo espaço para uma variedade de novos tipos de relações parentais e arranjos familiares que são mais plurais e baseados no afeto e na convivência, e não apenas na consanguinidade ou no casamento formal.
“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.” (Liev Tolstoi - foi um escritor russo, reconhecido como um dos maiores de todos os tempos. * 09/09/1828. + 20/11/1910).
