A CAMENOR (Casa do Menor Leda Furquim Atílio) está precisando de ajuda para continuar de portas abertas. Há aproximadamente dois mandatos que a mesma diretoria se reveza na administração e não surge nenhuma chapa interessada em assumir a instituição. Para que o trabalho continue, é preciso de “sangue novo”.
A entidade já foi destinada a menores infratores na década de 80, e, antes da atual diretoria assumir, esteve em situação bastante complicada. Segundo o tesoureiro, Jair Pereira, hoje o panorama é de equilíbrio financeiro. As contas estão em dia, principalmente os tributos e a folha de pagamento, que é de aproximadamente R$ 17 mil mensais. “A projeção é de que continuaremos assim até o final do ano”. A CAMENOR é mantida com verbas do Município e do Estado, através da Secretaria de Promoção Social. Há ainda algumas empresas que contribuem mensalmente, outras que também fazem doações e campanhas beneficentes como feijoada, bazar da pechincha, galinhada e pizza.
A entidade é destinada às crianças com idades entre seis e 14 anos e 11 meses, cujas famílias apresentam algum indicativo de vulnerabilidade que leva em consideração desde critérios financeiros até emocionais. Elas frequentam a instituição no contra turno escolar. Segundo a assistente social Andrea Cristina Segóvia Silva, os critérios para a referência são fornecidos pelo CRAS (Centro de Referência em Assistência Social). “Trata-se de um centro de convivência que trabalha para fortalecer o vínculo das crianças com suas famílias”. A meta é atender 60 crianças.
A triagem é feita pelo CRAS e posteriormente eles são encaminhados para a CAMENOR. A coordenadora Andréa Baptista Fortes Kojo diz que não é só a criança que recebe auxílio. “Nós acompanhamos a família inteira”. Lá os jovens desenvolvem atividades em grupo, conta com brinquedoteca, sala de informática, sala de cinema, cozinha e refeitório. Eles participam de oficinas de artesanato, capoeira e recebem café da manhã, almoço e lanche da tarde. Segundo a psicóloga Débora Regina Rigo Barbosa, é uma pena ver que este trabalho pode estar ameaçado. “Aqui percebemos a evolução das crianças. Eles crescem conosco, recebem noções de cidadania e aprendem a conviver em sociedade”.
A presidente, Ângela Cristine Alexandre Gimenez acredita que, mesmo que a instituição não trabalhe mais com menores infratores, o estigma permanece. “Muitas pessoas da sociedade não sabem que a entidade existe e nem mesmo como trabalha. Isso precisa mudar pois não podemos deixar nossas crianças desamparadas”.