Enquanto asilos em várias partes do Brasil ainda buscam sair da burocracia e conquistar assim os documentos para a continuidade de suas atividades, o de Andradina está com a documentação em ordem. ' O asilo de Andradina se orgulha em estar com toda documentação em ordem: licença da vigilância sanitária, auto de vistoria do corpo de bombeiros - AVCB e alvará da Prefeitura' , cita o presidente da entidade, advogado Gildo Recco.A entidade de Andradina vai à contramão no que se referem às condições sanitárias e de segurança, pois maioria das instituições que abrigam idosos em São Paulo não tem alvará dos Bombeiros, conforme frisa o Ministério Público do Estado de São Paulo.Um Levantamento concluído há três meses pelo Ministério Público de São Paulo revela que das 1.543 instituições de longa permanência para idosos, os antigos "asilos", existentes no Estado, a maior parte não conta com registro ou com as licenças exigidas pelos principais órgãos fiscalizadores (Vigilância Sanitária, Conselho Municipal do Idoso e Corpo de Bombeiros).Os piores indicadores referem-se às condições sanitárias e de segurança. Essa última apresenta grau mais preocupante. Das 1.543 entidades, apenas 402 possuem o Alvará de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). A pesquisa revelou também que 1.132 entidades não são licenciadas pelas Vigilâncias Sanitárias e 908 não têm o registro no Conselho Municipal do Idoso.Os dados mostram que há um considerável número de pessoas idosas institucionalizadas em 2016 no Estado. São 40.311 pessoas vivendo em instituições de longa permanência para idosos. No ano passado, quando o MP realizou esse mapeamento pela primeira vez, eram 35.591 pessoas. Um acréscimo de 13,2%. Se comparado ao último relatório divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que em 2010 apontou 31.478 pessoas idosas viviam nessas entidades, o aumento é de 28%. Do total de residentes, 20.671 (51%) são mulheres e 14.085 (35%) são homens.No Estado existem hoje 1.543 instituições com esse perfil, frente às 1.423 computadas no ano passado, uma adição de 120 novos estabelecimentos no prazo de 12 meses. Em 2010, de acordo com os dados do Ipea, existiam 1.219 instituições de moradia em regime de longa duração. Ou seja, em seis anos, foram criados 324 novos estabelecimentos.Com esse trabalho o MPSP pretende orientar a atuação das promotorias de Justiça com atribuição nessa área para melhorar a fiscalização sobre o grau de qualidade do serviço oferecido às pessoas idosas por essas entidades, como, por exemplo, por meio de vistorias e em conjunto com outras entidades, verificar as licenças de funcionamento expedidas pela Vigilância Sanitária, pelo Corpo de Bombeiros e o registro junto aos Conselhos Municipais das Pessoas Idosas. Outro objetivo é estabelecer políticas institucionais na área.