A pesquisa “Bibliotecas Comunitárias no Brasil: Impacto na Formação de Leitores” avaliou 143 bibliotecas brasileiras e concluiu que 86,7% dos espaços estão localizados em zonas periféricas, onde predominam os altos índices de pobreza e violência; onde o acesso aos serviços públicos é mais deficiente. As zonas rurais e as áreas ribeirinhas recebem 12,6% e 7% destes espaços, respectivamente.
“As bibliotecas comunitárias têm um trabalho diferenciado no que diz respeito à mediação da leitura e ao enraizamento comunitário. Isso é importante para democratizar o acesso ao livro porque as pessoas podem frequentar esses espaços com mais facilidade. Se não houvesse a biblioteca aqui, as pessoas teriam que se deslocar de ônibus para outros lugares”, destaca o graduado em Administração, Rodrigo Rocha Pita.
Apesar do registro oficial na Carteira de Identidade, o profissional prefere ser chamado por Rodrigo Calabar, o que diz muito sobre o local onde atua: a Biblioteca Comunitária do Calabar (BCC), também avaliada na pesquisa. “Cerca de 90% do nosso acervo é doado. Temos muitos livros de literatura e didáticos de pesquisa. A comunidade também ajuda bastante nos eventos que nós fazemos internamente”, sinaliza o coordenador do espaço e diretor Financeiro da Associação Ideologia Calabar.
Segundo a pesquisa, 66,5% das respectivas bibliotecas são criadas por coletivos: grupos de pessoas do território e de movimentos sociais. O mesmo aconteceu com a BCC: um grupo de jovens que atuava na comunidade tinha, como um dos objetivos, reformar a única biblioteca escolar do local, que atendia apenas aos alunos da instituição de ensino.
A Biblioteca Comunitária do Calabar foi criada posteriormente, em abril de 2006, com o objetivo de atender em especial às comunidades do local e do Alto das Pombas. Hoje, é uma das 92 integrantes da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), que está presente em 12 estados do país e recebe apoio financeiro de instituições, de governos estaduais e prefeituras.
Para o funcionamento dos espaços, tão importante quanto os subsídios financeiros, é a conexão desenvolvida com as pessoas que vivem no local. “Trabalhamos com muita intensidade a relação da comunidade com a biblioteca”, sinaliza Rodrigo. Na opinião do profissional, o papel ativo na formação de leitores tornam as bibliotecas uma referência em termos de encontros culturais nos espaços onde estão inseridas. “Por isso, realizamos tantas ações: para que a sociedade entenda que aquele espaço pertence a ela e que possa valorizar”, finaliza o profissional.
Os dados foram anunciados no segundo semestre de 2018. A pesquisa foi desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa Bibliotecas Públicas do Brasil, da Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio); pelo Centro de Estudos de Educação e Linguagem, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e pelo Centro de Cultura Luiz Freire (PE).