Cassiano de Souza completou 103 anos no último dia 12 de agosto. Até hoje ele ainda sai de casa para ir ao barbeiro sozinho para cortar os cabelos. É ele também quem prepara o próprio chá às 5 da manhã, pega suas ferramentas e vai carpir o lote que possui próximo à sua casa.
Sua esposa, Helena Maria de Souza não teve a mesma sorte e faleceu há 30 anos quando tinha 63. Terezinha Gonçalves de Queiróz, sua neta mais velha, conta que ele é natural da zona rural de Mato Verde em Minas Gerais. De lá ele partiu em busca de novas oportunidades de trabalho no então promissor estado de São Paulo. “Quando ele chegou aqui em Andradina só tinha toco (sic)”.
Ele esteve na região por três vezes para trabalhar no corte de madeira; era “machadeiro”, nome muito usado naquela época. Ele diz que, a cada vez que saia de casa, permanecia cerca e seis meses a um ano fora de casa. Quando estava pronto para retornar pela quarta vez, trouxe consigo a esposa e três filhos pequenos. “Ele dizia que não se acostumaria mais a morar em Minas Gerais”.
Cassiano também trabalhou por mais de 75 anos no corte de cana. “Quando a lenha acabou ele começou a fazer outras coisas. Todos trabalhavam junto com ele”. Atualmente a família soma seis filhos, 11 netos, 12 bisnetos e 10 tataranetos e boa parte deles moram próximos uns aos outros.
“Somos uma família muito unida. Quando um faz aniversário, mesmo sem convidar ninguém de fora, a festa fica grande”, conta Terezinha. A neta lembra que a educação que receberam foi fruto de uma vida muito sofrida e do trabalho duro de seu avô. “Ele é exemplar. Sempre trabalhou e nunca deixou faltar nada. São seis filhos e ele nunca bateu em nenhum”. Segundo Terezinha, a família realiza até hoje a tradicional festa de São João, que começou a acontecer quando o pai de Cassiano ainda estava vivo.
“Todo ano, nesta data, até dentro de casa são colocadas bandeirinhas para homenagear o santo”. Além de manter o hábito do trabalho diário, a alimentação dele é bastante saudável. Ele gosta de abóbora, quiabo, mamão e feijão de vara. Até hoje ele não dispensa também um bom vinho, que é o “aperitivo” dele. De saúde? Ele vai muito bem obrigado. Os exames estão sempre bons. “O cardiologista sempre diz que o que vai leva-lo embora é a velhice, por que não tem problema nenhum”.