A China ThreeGorges Corporation, empresa chinesa que comprou a concessão de exploração da Usina de Jupiá ( Engenheiro Souza Dias ) no rio Paraná, paralisou há quase três meses a passagem de barcos pela hidrovia que liga os extremos norte e sul do percurso de quase 800 quilômetros.
Segundo um antigo funcionário da empresa do barco Odisséia, Carlos Rogério, a direção da empresa está em contato com as autoridades brasileiras, mesmo porque é considerável inadmissível que a CTG não mantenha funcionando a eclusa. As desculpas até agora foram: bomba queimada, comporta com defeito e falta de operacionalidade segura.
Nos bastidores, entretanto, parece que a briga é maior. A CTG, que já vem se esquivando dos compromissos ambientais, desativando as estações de piscicultura e viveiro de mudas, parece que não quer se responsabilizar pela navegação embora o contrato de concessão tenha deixado claro esse compromisso.
Vai se observando dessa forma, que a CTG descumpre ou pelo menos não vem atendendo todos os interesses nacionais. A hidrovia é uma das prioridades do próprio projeto de barragens no Brasil, porém os investimentos da companhia chinesa têm sido apenas na geração de e n e r g i a e n a m o d e r n i z a ç ã o.
PROCISSÃO FRUSTRADA
Por conta desta paralização, o Odisséia foi impedido de fazer a eclusagem em Jupiá para passeios previstos no rio Paraná, em Castilho, em agosto passado, mês do aniversário da cidade. A equipe também não pôde chegar a Presidente Epitácio, para a tradicional procissão de Nossa Senhora dos Navegantes.
A frustração dos fieis nesta edição que completa 70 anos só não foi maior porque a Marinha, de última hora, disponibilizou uma embarcação para transportar as imagens durante o préstito religioso entre Epitácio e Bataguassu. Apenas 20 das cerca de 500 pessoas puderam fazer o percurso anual dessa vez. Lamentável.
OUTRO CONTRATO
Atendendo um pedido da reportagem, a Assessoria de Imprensa da CTG enviou a seguinte nota: “ A Lei n.º 13081/2015 estabelece a independência dos serviços de geração de energia elétrica e de eclusagem. Esta lei também prevê que os serviços de operação e manutenção de eclusas devem ser objeto de contrato específico com a União, em separado do contrato de concessão das usinas hidrelétricas”.
“A CTG Brasil está em diálogo com o Departamento N a c i o n a l de I n fr a e s tr u t u r a e Transportes (DNIT), órgão titular da outorga do serviço de navegação, para assinar esse contrato o quanto antes”.
“Nesse momento, a eclusa encontra-se indisponível para operação por motivos técnicos. Operar nessas condições colocaria em risco a segurança das pessoas e embarcações. O DNIT está devidamente comunicado do problema, e outros esclarecimentos podem ser obtidos diretamente com o órgão”.