Ele é advogado e não gostou muito dessa atividade profissional. Tornou-se um apicultor. O desafio foi grandioso tanto quanto se formar em direito, mas não foi estressante. Do terno e gravata para o macacão branco, Gustavo Pinese se preparou por dois anos realizando cursos, visitando apiários, ouvindo palestras e navegando muito pela internet.
Hoje Gustavo já trocou o escritório pelo mato e a carteira de clientes por uma banca na feira livre. É ali que ele fecha o círculo. Planeja, executa, produz, vende a lucra. De cada colmeia pode se colher até 40 quilos de mel por ano, sendo que a extração do mel ocorre a cada 60 dias. O fator determinante dessa quantidade é a oferta de flores. Assim como o sabor do mel muda, conforme for a fonte da matéria prima usada pelas abelhas na hora da fabricação. Ou seja, se as flores forem de laranja, o sabor será um e se forem mistura de flores numa mata, também chamado de mel silvestre, o sabor será outro.
Nos Estados Unidos, Pinese disse que os apicultores é quem são procurados para salvar a lavoura. Eles pagam pela presença de colmeias em meio às lavouras, porque são as abelhas quem fazem a polinização das flores e sem elas não há fecundação e consequentemente não haverá frutos.
COLMÉIA SÓ BENEFICIE O MEIO AMBIENTEGustavo disse que uma das satisfações desse novo ramo de negócios, é o ambiente de trabalho: mata ou plantações agrícolas de frutas, reservas ambientais ou áreas de preservação permanente, plantações de eucalipto, laranja. Esses são espaços que se concede uso, geralmente sem qualquer contrato, a não ser a relação de idoneidade entre as partes, pois instalar caixotes de colmeias numa reserva ambiental não exige destruição alguma.
A troca do ambiente e de finalidade profissional atingiram a alma de Gustavo, numa mudança radical da sua proposta de vida. Seria o encontro do homem com ele mesmo. Pinese disse que emocionalmente a nova atividade representou uma forma mais prazerosa de ocupar o tempo. Hora está na mata, capturando colmeias, fazendo a colheita, trabalhando com a centrífuga, comprando vasilhames, embalando o mel, instalando banca na feira, oferecendo o produto aos clientes, recebendo o dinheiro e dando o troco. Tudo isso ainda inclui fazer carregamentos e dirigir a caminhonete.
Gustavo ficou fascinado com a apicultura, porque ela também permite que ele desenvolva uma atividade autossustentável, de grande valor alimentar, de excepcional respeito ao meio ambiente. Pinesi está com 10 caixas, que logo serão 20 com a duplicação dos enxames e seu projeto são 50. Sua corrida é para localizar ambientes naturais que não estejam sendo contaminados pelo veneno que se lançam sobre os canaviais. Em toda região Alta Noroeste a estimativa do Comitê da Bacia Hidrográfica do Baixo Tietê, é que a mata nativa não representa 2% da cobertura no solo.
FATURAMENTO ATUALO preço do mel se mantém estável no mercado há mais de um ano. A medida utilizada é o quilo. Um quilo de mel custa de R$ 25,00 a R$ 30,00. O mel de laranja é mais o mais caro nesse escala. Cada caixote de mil produz anualmente entre 30 a 40 quilos. Pelo padrão planejado pelo nosso entrevistado, o faturamento mensal poderá estar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por mês.