A Justiça de Andradina garantiu ao advogado Gil Ortuzal que seu cliente Rodolfo Batista de Freitas, fizesse a mudança de nome para Raphaella Batista de Freitas. “Depois dessa transformação, deixei de ser vítima de preconceito para ser vítima de assédio”, diz jovem de 23 anos, formada em cabeleireira e dança, que sonha com cirurgia para readequação de sexo.
Tudo começou desde os seus quatro anos de idade, quando sua mãe passou a leva-la no psicólogo, pensar que ela seria uma criança diferente dos outros dois irmãos. Passado esse processo de psicólogo, ela iniciou aos 11 anos tomar anticoncepcional, que fez diminuir os hormônios masculinos, aumentando o feminino.
Aos 13 anos estudante na Escola Estadual JBC, ela foi até meio do ano de menino, mas depois repaginou o visual e voltou para a aula, com cabelo e roupa. “Foi um choque na realidade, para meus professores, pois todos procuravam o Rodolfo, dentro da sala de aula, mas não encontrava, foi meio que engraçado”, contou.
O tempo passou e ela concluiu o ensino médio, depois fez curso técnico de química, logo depois as portas de emprego foram se abrindo, trabalhou no Shopping com vendas.
PRECONCEITO – “Creio que preconceito existia quando eu era menino, na realidade sempre fui muito na minha sabe, mas quando eu era menino a sociedade fez uso do termo ‘bichinha’, mas quando acontecia era meio que complicado, se fosse numa roda de homens, com certeza rolaria uma piada, mas sempre evitei, passar por isso, as vezes dava volta se tivesse um grupo de rapazes, para não ser chacota, mas depois dessa transformação, não tive problema algum, pelo contrário passou de ser preconceito, para assédio, onde vou as pessoas param, olham e admiram a beleza quando falo que sou trans”, afirmou.
IMPLANTE – Um menino que virou menina, que tem um corpo mas bonito que muitas mulheres, nada de plástica, ou qualquer tipo de intervenção cirúrgica no rosto, corpo, somente a prótese há dois anos, devido o fato da perda de seu pai, onde contribuiu para realizar a implantação. “Tenho outros sonhos além da retificação é a readequação do sexo”, revela.
RAPHAELLA – O nome surgiu através de amigos que na realidade se vestia para sair em festas GLS – Gays, lésbicas e simpatizantes, onde colocavam peruca. “Um dia a gente se arrumando um amigo meu falou assim para mim, porque não coloca seu nome de Raphaella, já que é Rodolfo, só mantém a letra ‘R’ e coloca “PH e LL”, sugeriu, dai em diante todos que conviveram comigo quando eu era menino, passaram a me chamar pelo novo nome”.
Ela conta que para a família foi um pouco difícil, no caso a mãe dela, onde teve um filho homem e depois ele passou a ser ela, de origem evangélica, no começo foi difícil, mas depois se acostumou e hoje da total suporte pela escolha da filha.
DIA A DIA – Atualmente estou desempregada, faço free-lancer em salão, danço também desde os 14 anos, participou em diversos festivais na região. “Hoje meu dia a dia é academia, atendo algumas clientes na parte de cabelos, aos finais de semana apoio em um salão, agora ensaio para atuar nas danças do Carnaval, sendo a primeira trans a conquistar esse espaço, que tem certo preconceito”.
SUCESSO – “Dedico a Deus primeiro, a meus familiares que apoiaram e aceitaram minha opção, o concurso Miss Brasil ocorrido no Rio de Janeiro, na minha participação fiquei entre as 5 colocadas no de 2014, o tempo passou e eu me inscrevi no Miss Três Lagoas Trans, onde venci e então fiz outra participação no Miss Matro Grosso do Sul, onde conquistei o terceiro lugar.
Isso foi muito bacana pois antes de tudo eu era uma pessoa, que não gostava de expor, acho que era medo do preconceito, então quebrou o tabu, na minha pagina da rede social eu deixo aberto para todos terem ciência do que eu sou, antes mesmo de adicionar”, contou.
CONSTRANGIMENTO – Sim em São Paulo eu fui retirar minha passagem no guichê na estação, quando fui dar meu RG, onde minha prima de Andradina, fez a compra em meu nome. Só que na passagem estava meu nome de menino e a foto de menina, então ele me questionou sobre o Rodolfo, eu disse sou eu e ela ficou questionando.
RELACIONAMENTO – Estou solteira, de coração aberto, para novos amores, romances, enfim me envolvi em três relacionamento, onde o primeiro era de São Paulo durou (1 ano e 2 meses), Votuporanga (9 meses) e o ultimo mais duradouro em Guaraçai que marcou por (2 anos). Sempre me relacionei com hétero, homens que ficam com mulheres e que me vê como uma também. Sou tranquila, não sou de balada e não tenho nenhum vicio.
VITÓRIA – Foi através do concurso de Miss na cidade do Cristo, que ela sonhou caso ganhasse, realizar a cirurgia de readequação, garantida como prêmio. Sem conquista ficando em 5º lugar, ela ficou desanimada, mas encontrou depois de um tempo o advogado Ortuzal, que deu a esperança para a sua vitória, travando uma ação na Justiça. “Foi ele que um dia estudando, descobriu que eu poderia mudar o meu nome, enquanto eu ainda não havia realizado a mudança de sexo, dei entrada em novembro do ano passado, aonde veio favorável a minha mudança de nome”, concluiu.