A empresa China Three Gorges Corporation (CTG), que opera a maior usina do mundo a Três Gargantes, na China, em pouco tempo no Brasil transformou-se na maior geradora de energia privada do país. Na região, a CTG opera as usinas de Jupia e Ilha Solteira, ambas no Rio Paraná. Para chegar ao topo da geração no Brasil, a empresa comprou os ativos brasileiros da americana Duke Energy, em operação no país desde 1999, quando o setor elétrico estava sendo privatizado. Em fevereiro deste ano, a companhia anunciou que venderia todos os ativos da América Central e do Sul para se concentrar nos Estados Unidos. Desde então, a CTG mantinha conversas com o grupo americano. O negócio, fechado em US$ 1,2 bilhão, inclui oito hidrelétricas e duas pequenas centrais hidrelétricas nos Estados de São Paulo e Paraná. Juntas, elas têm potência de 2,27 mil megawatts (MW) - o suficiente para abastecer 27 milhões de habitantes. Com a aquisição, a CTG passa a ter capacidade instalada de 8,27 mil MW - superior aos 7,3 mil MW da franco-belga Engie, até então a maior geradora privada do País. No ranking geral, entre públicos e privados, a chinesa ficará em quinto lugar, atrás das estatais da Eletrobrás, Chesf, Furnas e Eletronorte. "Essa transação é mais um passo importante para consolidar nossa estratégia de ser uma empresa de energia limpa relevante no Brasil", disse o presidente executivo da CTG Brasil, Li Yinsheng, em comunicado oficial. A CTG é uma estatal chinesa, mas no Brasil segue as regras do capital privado. RAPIDEZA entrada da empresa no Brasil ocorreu em 2013, com o lançamento de uma plataforma de investimentos para América Latina. No ano seguinte, comprou participação em três hidrelétrica da subsidiária EDP no Brasil no Pará, Amapá e Mato Grosso. Em 2015, repetiu a parceria com a EDP e adquiriu 50% de 11 parques eólicos na Região Sul e no Rio Grande do Norte. Também fechou acordo para compra de hidrelétricas da TPI por R$ 2 bilhões. A grande tacada da empresa, no entanto, ocorreu em novembro do ano passado, quando o Governo Federal decidiu leiloar as usinas cujo contrato de concessão havia acabado. Na disputa, a chinesa arrematou as hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira (ex-Cesp) por R$ 13 bilhões. Só nesse leilão a empresa agregou quase 5 mil MW a sua capacidade instalada. A empresa está de olho em ativos relevantes na área de energia renovável. Um deles é a Renova, uma das principais geradoras de energia eólica do Brasil. A companhia está em busca de um sócio para diminuir os prejuízos de uma má sucedida parceria com a americana SunEdison. NA MIRA Outras usinas no país estão na mira da CTG, como os ativos da Queiroz Galvão e a Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia. Um dos principais sócios da usina é a Odebrecht, envolvida na Operação Lava Jato e que precisa de recursos para reforçar o caixa. Executivos da empreiteira já foram até a China apresentar a hidrelétrica às empresas interessadas. O investidor brasileiro está sem fôlego para negócios nesta dimensão. É a oportunidade da chinesa.