2016 está terminando. A pauta para o próximo ano não nos traz o melhor dos mundos, há turbulências pela frente. A calamidade nas contas dos Estados, a ameaça de greves no serviço público, a impaciência com o tédio econômico, a volta da inflação e a artilharia pesada da Lava Jato, sem contar as incertezas políticas que se arrastam, remetem à descrença num futuro melhor.
Em Cândido, Voltaire narra a história de um rapaz puro e ingênuo. Suas desventuras começam quando é expulso do castelo de seu protetor, o Barão da Vestfália, por namorar a filha do nobre, Cunegundes.
Pangloss, tutor do herói, é a personificação do otimismo e tenta mostrar que a vida é bela, uma crítica ao pensamento do filósofo alemão Gottfried Wilhelm von Leibniz (1646-1716), que considerava este o melhor dos mundos possíveis.
E qual o segredo para manter o otimismo em um momento em que tudo parece conspirar pelo pessimismo?
Conheça a história de pessoas que embora até admitam a existência de uma “crise”, evitam o uso de tal palavra. Mesmo sabendo dos males que assolam a nação sentem-se no dever de continuar cultivando o próprio jardim.
Quem já não se sentiu desanimado alguma vez na vida? Desanimar é algo natural. No entanto, desânimo é algo muito diferente de pessimismo, mesmo que a linha que divida os dois seja tênue.
Se em 2016 o povo brasileiro viveu as mazelas da gangorra “esperança e desespero”, 2017 ainda é considerado um ano de incertezas, o que deixa a sociedade insegura sofre o futuro.
E qual a melhor saída para as pessoas manterem a confiança de que tudo será melhor em 2017?
Um outro olhar
Dentre as tarefas para o ano que se aproxima, o advogado Ednilton Farias Meira pretende começar sem se deixar levar pela onda negativa. Para isso já programou a implantação dos mastros para hasteamento das bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo em seu escritório.
“As bandeiras têm um significado profundo para os povos que a adotaram. O ato de hastear a bandeira nacional desperta fortes sentimentos”.
E acrescenta: “as crianças e os estudantes não estão habituados a ver a bandeira do Brasil hasteada e sendo hasteada. Poucos a relacionam à amplitude de um símbolo nacional. Para muitos pequenos brasileiros, a bandeira é mais relacionada à Seleção Brasileira de Futebol do que ao Brasil como nação”.
Dentro de um sentimento nacionalista, Ednilton acredita que, neste período é preciso elevar o pensamento e celebrar o ano, por mais difícil que tenha sido. “As famílias estão juntas, encontramos os amigos e celebramos a vida. Sejamos otimistas”, diz.
O advogado se vê como alguém que sempre acreditou na vida, mas confessa que para isso precisa de seu maior remédio, a música, de doses diárias de meditação, de respeito aos antepassados e, claro, do amor da família.
“Há cerca de três anos só se fala em crise, notícia boa vende pouco jornal”, opina. “A Lava Jato é reveladora, tem mostrado os bastidores das práticas políticas que tanto impedem o Brasil de avançar. A delação da Odebrecht expõe o que todo brasileiro já imaginava: praticamente a maior parte dos políticos estão envolvidos em falcatruas e propinas. Meu Deus! Como recomeçar o País? Quem vai cuidar desta terra?“, indaga.
Farias Meira jamais participou de partidos e da política eletiva. “Admiro os que estão em partidos políticos, que concorrem em eleições. Contudo, prefiro contribuir de outra maneira, escrevendo, postando, opinando, expondo e trocando ideias naturalmente, sem confundir as opiniões com as pessoas. Cada vez mais busco respeitar a opinião contrária. Se de outro modo fosse, bastaria conversar com o espelho”.
Neste processo, o advogado acredita que as redes sociais e o acesso à TV paga, que faz um jornalismo didático, tem contribuído para um maior entendimento de como funciona a nação e seus poderes. “As notícias passaram a ser comentadas e explicadas. Sociólogos, economistas, juristas, historiadores e outros profissionais passaram a formar um conjunto de vozes plurais que permitem ao expectador comum compreender em certo grau o que são os fatos. Por outro lado, a liberdade de imprensa é uma conquista permanente da Sociedade.
Como disse a Ministra Carmem Lúcia do STF, "muitas vezes é a palavra que falta aos que não podem falar".
Não se pode negar que as redes sociais deram voz a muitos, permitindo às pessoas emitir suas opiniões”, afirma.
O advogado acredita que estejamos vivendo a era do pluralismo, que leva ao superficialismo, e que os brasileiros dão ênfase a assuntos de pouca importância. “O brasileiro prefere falar do assunto que melhor conhece. Tem receio de ser envergonhado, por isso que ainda gosta de falar de futebol, cuja paixão é maior do que a paixão política. Seu time de futebol é sagrado.
Como disse Nelson Rodrigues: o brasileiro é um feriado. Sou um otimista, e não se trata de ingenuidade. Gosto de lembrar do que disse um certo estadista britânico: ‘o pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade’. Já outro estadista, americano, foi mais além quando afirmou que ‘o mundo pertence aos otimistas: os pessimistas são meros espectadores’.
Gostaria de ver crescer em todos, cada vez mais, e apesar dos pesares, os sentimentos otimistas, nacionalistas e, também, realistas, acompanhados de ações, mas com a palavra otimismo sempre à frente. Que venha 2017”, finaliza.