O primeiro dia de provas do Enem 2022 será em 13/11, no próximo domingo. Considerando esse contexto, há algumas questões a serem respondidas. Uma delas está relacionada à possibilidade de ‘chutar’ na prova, considerando a Teoria da Resposta ao Item (TRI).
A análise baseada na TRI delineia um padrão de acertos específicos para cada respondente do exame, que varia de acordo com o nível de proficiência de cada estudante. Essas características tornam a TRI extremamente interessante enquanto modelo de análise de resultados de avaliações de estudantes. Porém, a lógica do cálculo do score de cada estudante é bem mais difícil de explicar.
Estudantes com o mesmo número de acertos podem apresentar resultados diferentes, pois o perfil de acertos também influencia o resultado final. Assim, o índice de dificuldade das questões (entre outras variáveis estatísticas), definido estatisticamente após a análise do resultado do teste, tem um papel fundamental na lógica de cálculo do resultado. Por isso, responder esta pergunta (É possível chutar no Enem?) não é tão simples assim. Em alguns casos, estudantes que chutam integralmente a prova podem obter resultados superiores a própria média de resultados da prova.
Assim, o ideal é que o estudante se esforce realmente para responder conscientemente todas as questões, mas como nem tudo são flores, o estudante pode perder tempo durante o teste e não conseguir responder todas elas. Nesse caso, não há outra saída a não ser chutar algumas questões.
Em suma, ao chutar o estudante literalmente entrega o resultado da prova a sua própria sorte, pois o resultado dos chutes não dependerá apenas do acerto ou erro da questão, mas também do próprio perfil de acertos do teste.
Sobre Fabrício Garcia
Sócio-fundador da plataforma Qstione, um dos mais importantes sistemas de gestão de avaliações de estudantes do Brasil. Atualmente coordena a implantação de sistemas de avaliação em todo Brasil. É palestrante nas áreas de neurolinguística, EaD e especialista em sistemas de avaliação de estudantes, além de possuir larga experiência em produção de conteúdos educacionais para internet. Com mestrado pela Universidade Federal da Paraíba (2007), atuou como professor e também foi coordenador do Núcleo de Educação a Distância da FACENE/FAMENE, Coordenador Acadêmico do curso de Medicina e Coordenador do Curso de Farmácia neste período.
