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Irmãs Caldas: Ninguém solta a mão de ninguém!

As histórias de Fia, Rosa, Tânia e Ana, é daquelas que inspira o cinema, e nos deixa uma inveja boa. Mas o que esperar da família onde o maior castigo para as brigas eram beijos e abraços?

Andradina - Hugo Leonardo
01/04/19 às 10h14
(Cleber Carvalho/Hoje Mais Andradina)

O sonho esperado para as pessoas dentro das famílias é um “mar de rosas”, mas digam-me leitores quantos exemplos de harmonia familiar, sem competições, sem disputa pela atenção dos pais vocês conhecem? O amor fraternal dentro das famílias é cada vez mais raro e por muitas vezes não resistem à ausência dos pais. É por isso que histórias como a das irmãs Caldas (Maria Aparecida (65), Rosa (57), Tânia (55) e Ana (54)) inspira e emociona.

Entre elas uma regra é clara, ninguém deixa ninguém para trás. O problema de uma é o problema de todas e assim fazem leves os fardos da vida, sempre carregados a oito mãos. Mas o que esperar da família onde o maior castigo para as brigas eram beijos e abraços?

As quatro nasceram em casa literalmente, três delas trazidas ao mundo pela “Dona Aurora”, parteira conhecida em Andradina que teve centenas de vidas escorregando por suas mãos. “Quando a Rosa nasceu eu tinha exatamente 8 anos.  Morávamos em uma casa de tábuas toda aberta. Ela nasceu a noite, fomos dormir e de repente acordamos com uma mulher dentro do quarto e a nossa mãe reclamando de dor. Achamos que ela estava morrendo. Meu pai disse que era para ficarmos quietos e ninguém ia sair do quarto. Eram eu e mais dois irmãos (Élcio e Zezinho). Descobrimos que não era notícia de morte, era Rosa que vinha chegando”, lembra Fia, a irmã mais velha entre as quatro.

Elas foram criadas muito unidas pelo amor da mãe, desavenças sempre terminavam entre beijos e abraços longos. Era um verdadeiro “bolo de gente”. “As vezes falávamos -eu vou te dar uma pedrada quando sair daqui-. E no final ela mandava um beijar o outro e depois daquele tempo abraçados tínhamos que fazer as pazes”, lembra Rosa.

Muito pobres, por muitas vezes pai e mãe (Manoel dos Santos Caldas - Neco e Maria Luíza Caldas) saíam para trabalhar na lida com algodão na antiga Sambra. Dona Maria Luíza tinha como função limpar as sacarias, tirando os carrapichos e suas mãos ficavam inchadas e machucadas. O serviço de casa acabava ficando com as meninas. Uma lavava a roupa, outra a louça, outra puxava água no poço para fazer os serviços, e assim seguiam juntas nos afazeres das coisas que cultuam até hoje.

 “Hoje em dia a gente vê muita desunião nas famílias, mas lá em casa é diferente, quando uma não está muito bem com a outra a gente faz de tudo pra apaziguar ao invés de botar fogo, somos muito unidas, uma sempre ajudando a outra, pois problemas todos nós temos.”, explica Tânia.

Pau pra qualquer obra

Maria Aparecida é vendedora Natura, Rosa administra a academia do filho (Top Fitness), Tânia é secretária na empresa do marido (Andratel) e Ana descobriu a atividade de vendedora de porta em porta. Cada uma tem uma história particular de como foi incentivada a fazer algo ou até substituída por outra irmã em momentos difíceis. Estar com elas é relembrar com humor até mesmo as “roubadas” que enfrentaram juntas para não deixar uma delas nas mãos.

A história de Ana, a mais jovem, exemplifica a união extrema. Viúva ela redescobriu o poder de transformar a própria vida, é claro com aquela ajudinha das irmãs. “Quando o Carlinhos adoeceu eu me vi sozinha. O Juninho morava fora e meu outro filho, o Renato, não conseguia ficar no hospital, ele passava mal e adoecia diante do sofrimento do pai. Acabava que a Fia dormia no hospital para que eu pudesse descansar. A Tânia e suas filhas me ajudavam a manter a vida funcionando. Era tanta a presença que jamais me senti sozinha”, explica.

Quando o marido de Ana faleceu, com a ajuda das irmãs resolveu encarar a venda de ovos de casa em casa. “Eu nunca tinha trabalhado assim e parte do trabalho é uma festa, pois nunca estou sozinha e assim conheci gente e já tenho muitos clientes”, disse, lembrando às vezes do espanto dos clientes em verem um carro cheio e mulheres vendendo ovos na porta de sua casa.

“O que eu gosto em nós é que se a gente está com algum problema, as outras faz a gente rir, então a gente esquece. E fica fácil esquecer, pois a gente está junta duas três vezes por semana”, diz Tânia.

Tânia lembra um tratamento feliz dado pelas irmãs aos netos da família, onde a avó de um é a avó de todo mundo. Todas ganham bênçãos e dividem as tarefas de mimar e educar os netos. Dos beijos às palmadas, a lição de amor delas passam para as próximas gerações da família.

“Entre nós temos a seguinte política, pode estar morrendo, mas se o outro precisar a gente esquece o nosso problema e vai ajudar o outro, que estiver precisando mais é o que será socorrido. E os que entram na família tem que ficar igual a gente, os que não se adaptam vazam. Nós somos uma corrente do bem, uma pela outra e nós por todos”, explica Tânia.

Recentemente diagnosticada com câncer, Rosa afirma não ter medo dos dias que virão, já que tem a certeza da presença das irmãs na sua jornada e da felicidade de estar cada dia mais entre elas.

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