A JBS, maior processadora de carnes do mundo e uma das empresas investigadas na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, anunciou ontem a concessão de férias coletivas para funcionários de 10 unidades. No total a empresa tem 36 unidades que atuam com bovinos.
Essa é mais uma medida adotada pela empresa depois da divulgação da operação Carne Fraca e que resultou na suspensão da carne brasileira por vários países. A medida entrará em vigor na próxima segunda-feira (3) em uma planta industrial de São Paulo, três em Mato Grosso do Sul (Naviraí, Nova Andradina e Anastácio), uma em Goiás, quatro em Mato Grosso e uma no Pará. Em São Paulo é a planta de Lins. "A JBS informa que concederá férias coletivas de 20 dias, a partir da próxima segunda-feira (3/4), para dez de suas 36 unidades de abate de bovinos no Brasil - uma em São Paulo, três em Mato Grosso do Sul, uma em Goiás, quatro no Mato Grosso e uma no Pará. As férias coletivas podem se estender por mais dez dias", diz a nota. Segundo a companhia, "A medida é necessária em virtude dos embargos temporários impostos à carne brasileira pelos principais países importadores, assim como pela retração nas vendas de carne bovina no mercado interno nos últimos dez dias". "A companhia esclarece que é imprescindível ajustar os volumes de produção para normalizar os níveis de estoques de produtos destinados ao mercado interno, assim como reescalonar a programação de embarques de produtos para os clientes do mercado externo que ficaram represados durante esse período, de forma a não sobrecarregar os sistemas de recebimento e estocagem dos mesmos. A JBS ressalta que está empenhada na manutenção do emprego dos seus 125 mil colaboradores em todo o Brasil", concluiu a nota. Também em nota, a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins (Cnta) manifestou preocupação com a concessão de férias coletivas por parte da JBS. Em audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal ontem (28), a entidade já tinha proposto a criação de um compromisso público-privado pela manutenção dos empregos no setor, por pelo menos seis meses. "Entendemos que o trabalhador não pode pagar pelas consequências de atos que não foram cometidos por eles e que o governo deve intervir junto aos frigoríficos, principalmente, aqueles ligados aos grupos JBS, que foram financiados com verba pública e, inclusive, contam com participação acionária do BNDES", argumenta a Cnta.